Hung Baau

Hung Baau. Envelope vermelho, entregue como símbolo de boa sorte

Meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho, fala da sorte como algo que foge de nosso controle.

Por isto, não podemos manipular. Por exemplo, o teto não cair agora sobre minha cabeça é um exemplo de boa sorte.

Claro, não podemos deixar tudo ao acaso. Certamente, houveram profissionais qualificados e dedicados na construção deste prédio.

Mas, bastava uma distração destes profissionais na hora de fazer o cálculo ou o manuseio errado de algum material crucial para sua sustentação que colocaria em xeque todo o trabalho.

Si Fu usa um outro exemplo que gosto bastante:

Para eu ter nascido eu tive boa sorte. Bastava minha mãe ter deixado de ir ao lugar em que, por acaso, conheceu meu pai que eu não estaria aqui.

Mais que isto, bastava minha avó materna não ter se interessado por meu avô ou meus avós paternos terem se desencontrado que eu não estaria aqui. Como estes, existem milhares de outros exemplos. Não há dúvida, eu, você, e todos nós tivemos muita sorte.

Existe também a má sorte. Por exemplo, posso atravessar a rua na faixa de pedestres, aguardando o sinal e por garantia olhar para os lados, e, ainda assim, ser atropelado.

A má ou a boa sorte não está necessariamente vinculada ao meu cuidado ou a falta dele. Neste exemplo, está relacionada ao sinal do outro lado da rua que estava ruim ou mesmo ao motorista que estava desatento. Portanto, não está submetido a uma ação direta minha.

Os chineses criaram um instrumento interessante para lidar com a aleatoriedade da sorte:

Imagine que você tem um conhecido que vai fazer uma prova que é importante para a carreira profissional dele. E, de alguma forma você gostaria estar presente naquele momento.

Neste caso, você entrega a sorte na mão dele, através do Hung Baau.

Hung Baau é um envelope vermelho com a escrita dourada. Dentro do envelope você deposita dinheiro. No meu entendimento, a importância de ser dinheiro é pelo seu uso.

Na suposição que fizemos, com o dinheiro, este amigo poderia, por exemplo, tomar um café antes da hora da prova. Ou, caso se atrasasse e precisasse pegar um Uber não precisaria se preocupar com o fato de não ter cadastrado o cartão de crédito no aplicativo.

Esta é uma forma de usar a sorte em benefício.

Celebração do Ano Novo Chinês e despedida dos Lideres do Clã Moy Jo Lei Ou. 25/1/2020

No Kung Fu nos apropriamos desta cultura. Em todo momento, entregamos e recebemos Hung Baau.

Acredito não ser por acaso que, na celebração do ano novo chinês, entreguemos Hung Baau. Pois, mais que desejar “feliz ano novo”, uma espécie de boa sorte para o ano vindouro, ao entregar o Hung Bau entregamos a boa sorte na mão da pessoa, e, desta maneira, ela faz com a sorte o que bem entender.

Por exemplo, se digo: “que seja feliz”. Qual o contexto para desejar esta felicidade? ou, para esta, pessoa o que é necessário é a felicidade ou alguma outra coisa?

Palavras de despedida direcionadas a meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho e a minha Si Mo, Sr(a) Marcia Moura Camacho

Digo isto, pois, por desatenção, cometi um erro na celebração de Sábado passado. E, Apesar de ter participado ativamente de todo o preparativo das cerimônias que tivemos, ou mesmo de ter feito um discurso honesto diante dos presentes para Si Fu e Si Mo, eu próprio não entreguei Hung Baau à eles.

Entendo que foi um erro, pois, como posso falar de Hung Baau a meus irmãos Kung Fu se eu próprio esqueço de usá-lo?

Todo o trabalho relativo ao preparativo da cerimônia ou ao discurso foi bem sucedido, mas creio ter feito só metade do processo.

Contudo, como na experiência marcial, não posso me abalar por isto, e, sim, estar atento ao próximo fluxo. Certamente terei outra oportunidade de desejar boa sorte a Si Fu e Si Mo, e, desta vez, estarei atento.

Si Hing

Servir como um ato de Zelo

Certa vez estava com meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho e diversos irmãos Kung Fu em um restaurante chinês.

Si Fu nos propôs o exercício de perceber a dinâmica dos garçons.

Assim que chegamos, nos foi servido chá, de forma magistral. Digo Magistral, pois, não foi questionado se queríamos. Ele estava lá, disponível. Caso não quiséssemos bastava não beber.

Outra razão para esta cena me interessar, foi o fato de não precisarmos gastar tempo pedindo algo para beber, desviando o fluxo do nosso encontro naquele local.

Todo o servir era com arte. A comida, por exemplo, chegou de uma vez. Neste tipo de restaurante pedimos comida para a mesa, não individualmente.

Entendo, que a razão para isto é, mais uma vez, não gastar tempo conversando com o garçom.

Inclusive, é comum apenas uma pessoa na mesa fazer o pedido. Este, normalmente é um Si Hing, irmão mais velho.

Para a cultura ocidental, que valoriza o indivíduo em vez do todo, é estranha a ideia de alguém pedir comida em seu lugar. Onde está minha capacidade de tomar decisão? alguns podem perguntar, outros, ou os mesmos, diriam que não são mais crianças.

A cultura chinesa clássica, cultura na qual se baseia o Kung Fu, entende de outra maneira.

Ao atribuir a responsabilidade do pedido a um irmão Kung Fu, eu digo que esta pessoa tem relação comigo, pois, para saber o que pedir ela precisa saber do que gosto.

Mas, mais que isto, esta pessoa pessoa tem relação comigo e com todos os presentes, por isto, mais condições de fazer o pedido de maneira equilibrada não considerando somente o meu gosto e sim, mais uma vez, o todo.

Outra questão é que, como no exemplo, Si Fu estava presente. Saber pedir em seu nome representa intimidade. Também por isto, não é raro um Si Hing ministrar as aulas, pois, se este sabe o que o Si Fu gosta de comer com certeza saberá o que o Si Fu pensa sobre o sistema.

Aula de Fundamentação, Núcleo Barra.

Ainda sobre o restaurante, Si Fu nos falou sobre a maestria ao servir. É preciso saber “desaparecer”, atuar somente no momento oportuno e, sobretudo, necessário.

Mestre Senior Julio Camacho.

Ao longo dos anos, tive diversas experiências com Si Fu no sentido de me refinar enquanto irmão Kung Fu mais velho. No Inicio achava que tinha que gerar experiência a meus irmãos mais novos, hoje, percebo que esta é a função do Si Fu.

Já ouvi diversas traduçōes para o termo Si Hing, hoje, em meu entender, a melhor seria servir.

Os opostos se complementam

Aula de Fundamentação. Núcleo Barra

A instrução de uma aula do Programa Fundamental requer conhecimento de técnicas e conceitos do Sistema Ving Tsun.

Todo o repertório é possível obter através dos Seminários de Alinhamentos Práticos, (SAP) e Teóricos, (SAT).

Contudo, toda ação possui duas camadas de atuação.

A primeira, é a estratégia. Esta, trata da criação, do aperfeiçoamento, e, da maneira de como o processo, ou criação deverá ocorrer.

Após a primeira etapa temos o momento que chamarei de operacional. Este, é o responsável por fazer todo o planejamento entrar em prática.

Ouvi, diversas vezes Si Fu comentar que o Ving Tsun é uma escola de generais, pois, atuamos de maneira estratégica.

O curioso desta afirmação é que, pela experiência que tive e tenho ao longo dos anos nunca deixei de atuar também no campo prático, em outras palavras, no campo da ação.

Desta forma, passei a entender que, mesmo no campo da ação existe uma camada de planejamento e, no campo do planejamento existe uma camada de ação.

Representação do Yin e Yang, os opostos se complementam

Este pensamento me veio após uma experiência que tive com meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho.

Precisávamos saber quantas peças e que modelo tínhamos de uniformes no Núcleo para fazer um novo pedido

Por isso, me responsabilizei por fazer a contagem individual das peças. Trabalho cansativo, mas necessário.

Como o estoque estava bem bagunçado, com, inclusive, itens que não poderiam estar ali, resolvi retirar todas as peças lá de dentro e contá-las em outro ambiente.

Ao fim de algumas horas, a contagem estava finalizada.

Demorei mais um pouco para repor todas as peças na prateleira, e, dei por terminada a ação.

Alguns dias depois, Si Fu precisou de uma peça específica e me pediu para buscar. Como ele estava com pressa não poderia demorar a localizar o ele queria.

O problema é que, como o depósito estava desorganizado não seria fácil encontrar a tal peça.

Mobilizei algumas pessoas que estavam no dia comigo e, juntos, fomos localizar o que Si Fu precisava.

Retiramos, mais uma vez, tudo o que nos atrapalhava para que ganhássemos espaço.

Após um tempo considerável, conseguimos achar a peça.

Aula de Fundamentação com Mestre Senior Julio Camacho

Si Fu faz questão de sempre nos alertar que o pensamento e ação precisam ter eficácia. E que o trabalho pelo trabalho é perda de tempo

Quando notei a necessidade de contar os uniformes, eu, com pouca elaboração, portanto, estratégia, fui apenas contar os uniformes.

Em nenhum momento pensei no movimento seguinte no sentido de como minha ação gera um resultado melhor com o mínimo de esforço.

Posso dizer que, se além de notar a dificuldade de acessar os uniformes, eu os organizasse de maneira que a dificuldade de acesso fosse resolvida, eu teria sido bem sucedido naquela missão.

Por isso, entendo que a estratégia está além do planejar quantos uniformes teremos que pedir baseado no número de alunos e custos, é preciso entender onde eles vão ficar, qual a melhor maneira de expor, etc.

Penso que, ao planejar algo, em vez do “e se…” a expressão correta seria “fiz isto, o resultado foi este. Faremos, a partir de agora assim…”

Chi Sau

Patriarca Moy Yat e Grão Mestre Léo Imamura

No Ving Tsun existe um exercício que podemos traduzir como mãos aderentes, Chi Sau. Um dos objetivos deste exercício é a percepção da energia do adversário para, a partir disto, canalizarmos o que foi percebido de maneira que nos seja favorável.

Para mim, este é o melhor exemplo do uso da energia do outro. Em sua essência, este exercício é muito simples, mas, ai está o problema, a simplicidade. O único desafio, acreditem, de fato é o único, é tomar como o hábito uma atitude de reatividade, portanto, receptiva.

Em outras palavras, é a partir do entendimento de que uma intenção negativa pode ser convertida em algo positivo, percebemos como é simples a proposta da prática. Para isto, basta estar “aberto” a experiência.

Meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho, conta que certa vez estava com Patriarca Moy Yat, meu Si Taai Gung, termo que pode ser associado a bisavô. Si Taai Gung fez um desenho de uma pessoa e um quadrado dentro . O tamanho da pessoa representada no quadro falava da capacidade de suportar sentimentos conflituosos dentro de si, o quadrado representava os próprios sentimentos.

O quadrado poderia ser um pontinho, mas, se a pessoa fosse pequena viamos que tinha coisa demais dentro, por outro lado, se a pessoa fosse maior, este mesmo quadrado poderia representar quase nada.

Esta capacidade de “aguentar coisas” é uma habilidade de um Artista Marcial medíocre já que com os anos, portanto, ficando maior, tal qual representado pelo desenho, qualquer problema se dilui. Saber converter este problema em algo positivo, esta, é a habilidade de quem entende e de fato estuda o Chi Sau.

Núcleo Barra, Janeiro de 2020

A possível tradução para Chi Sau, mãos aderentes, me faz pensar na seguinte associação:

Podemos, por assim dizer, fazer Chi Sau em qualquer ou com qualquer tipo de situação, assim o fiz.

Hoje, eu e alguns irmãos Kung Fu tomamos café juntos. Si Fu havia informado que não poderia estar com a gente. Rapidamente fiz um roteiro, em minha cabeça, sobre como seria o desenrolar do desjejum.

Era fácil, Si Fu tinha compromisso conosco às 09:00h no Núcleo. Por isto, faltando quinze minutos para o horário eu pagaria a conta e todos subiríamos.

Acontece que, sem aviso, Si Fu nos encontrou pouco tempo depois de nossa chegada ao restaurante. Como a atividade no Núcleo era com ele e não tinha certeza de toda a sua agenda, não sabia, por exemplo, se ele tinha algum compromisso fora das atividades do Mo Gun, ou a que horas gostaria de se direcionar ao Núcleo.

É comum, como proposta de experiência marcial, os discípulos cuidarem de todo o transcorrer de um evento de maneira a dar o “tom” da atividade. Está é uma atividade relativamente simples quando se tem tudo combinado com Si Fu, como ele apareceu de repente não fazia ideia do que fazer.

De maneira sutil alguém perguntou o que ele iria comer, disse que tomaria apenas um suco, imediatamente entendi que estava com pressa, se não estivesse não teria pedido apenas o suco. De fato, não passou pela minha cabeça que já poderia ter tomado café, então, entendi que o desenrolar daquele momento deveria ser rápido.

Esperei que tomasse seu suco, comecei a me mover no sentido de encerrar a conta mas Si Fu falava tranquilo, tratava de todos os temas propostos com leveza. Entendi, então, que havia entendido de maneira errada, ele não estava com pressa.

Me despreocupei, participei da conversa com tranquilidade, em dado momento, achando que seria um bom timming perguntei se alguém da mesa iria pedir mais alguma coisa, Si Fu respondeu por todos, imediatamente: “Pode encerrar”.

Fiquei preocupado, será que ele estava com pressa, pois, pela minha lógica, se não estivesse poderia ter esperado as pessoas responderem.

Encerrei a conta com rapidez, mas resolvi ler mais o cenário, aos poucos todos se levantaram, nos direcionamos para o Núcleo.

No Núcleo, assim que chegamos, Si Fu pediu que os presentes fizessem Chi Sau. Sem explicar nada, apenas propôs que fosse dinâmico. Com o tempo, mantendo o dinamismo, Si Fu pediu que trocássemos os pares.

Foi exaustivo, cada vez mais eu tinha menos ar nos pulmões. Mas isto não importava, o objetivo era continuar, dentro da proposta criada na hora, por cada praticante, a aula.

Com Mestre Senior Julio Camacho

A pratica do Chi Sau, quando mal aproveitada é cansativa e desestimulante. Praticá-lo por algumas horas com com pessoas diferentes, foi difícil.

Mas, não posso dizer que meu Chi Sau foi apenas no âmbito físico, já no café, tive uma experiencia significativa de Chi Sau com Si Fu. Entender qual era sua ideia sem perguntar é desafiador. Sobretudo, se lembrarmos que no café, não usamos os braços como meio de nos aproximar.

O que aconteceu foi uma conexão muito mais sutil que se desenvolve com o tempo de prática, é uma conexão invisível que não se sabe de onde vem, apenas sabemos que está presente. Saber aproveitar esta conexão é o alto nível do Kung Fu, portanto, também de Chi Sau.

Refletindo sobre o café da manhã, entendi que ele respondeu por todos os presentes pois este era o “espírito marcial” do momento. Caso não respondesse, era possível que alguém se dispusesse a pedir algo mais e aí quebraria todo o fluxo, pois, já que queria algo, porque não pediu antes?

A habilidade de de tomar atitudes coerentes com o cenário ao qual estamos envolvidos é um exemplo interessante do que é a perspectiva marcial

Esta experiência com Si Fu me fez lembrar que não somos um grupo de amigos que se reuniram para comer, isto não justifica o uso do tempo de cada um. Somos pessoas atentas ao refinamento constante, e, como tal, precisamos ser atentos ao nosso posicionamento. Chi Sau.

Conduta Marcial

Mestre Senior Julio Camacho. 2020

Kung Fu diz respeito a fazer bem o que nos propomos a fazer, independente do que seja. Mesmo que seja o caso de não dominar a tarefa a ser executada.

Desta maneira, podemos perceber que a Arte Marcial está para além dos gestos de combate, ainda que os tenha.

O Hábito que temos em nossa família de comer juntos exemplifica o que digo. De início, devemos entender que o ato de se alimentar é puramente marcial, pois, trata de vida ou morte. O ser humano possui um limite de tempo que suporta ficar sem alimento.

Bem, já que, como na luta, a alimentação por si imprime a marcialidade, o papel do Si Fu está em criar processos que nos auxiliem a explorar este cenário da melhor maneira.

Kung Fu Panda, Filme

Como eu disse, o ser humano possui um período de tempo em que pode ficar sem alimento. Mas, é comum vermos pessoas antes deste momento, que pode ser de dias, já darem sinais de desconforto ou mau humor.

Então, antes deste período crítico, qual seria o limite de tempo possível para se manter em jejum?

Certa vez, estava em um restaurante com Si Fu e um irmão Kung Fu. Já era noite e eu estava desde a manhã no Mo Gun, naquele dia, eu havia apenas tomado café da manhã.

Este Si Hing, irmão mais velho, havia chegado mais tarde pois tinha saído de seu trabalho e foi encontrar o Si Fu. A conversa estava animada entre eles, mas eu estava desatento. Chegar ao restaurante despertou a minha fome do dia inteiro, pensava apenas no momento em que a comida chegaria.

Como eles não se mexiam no sentido de decidir o que iriam comer, resolvi, pegar o cardápio; tinha a esperança de que vissem minha aflição e se decidissem. Não deu certo, na verdade, na hora em que peguei o cardápio pareceu que Si Fu ficou mais interessado na conversa, pontuava algumas questões e perguntava, oferecendo mais ponte para o desenrolar do assunto, resolvi esperar.

Após, o que para mim pareceu um século, Si Fu e Si Hing deram sinais que iriam fazer o pedido. Animado, passei o cardápio aos dois e pela primeira vez pude interagir naquela noite.

A comida veio rápido, o que me deixou bem feliz. Feliz ao menos no início

A comida estava disponível, mas, ninguém além de mim dava sinas de se importar. Eu, na presença do Si Fu e do Si hing não quis iniciar o jantar. É interessante iniciarmos juntos.

Por isso, resolvi atuar. Discretamente, abri as bebidas de ambos e servi, minha intenção era fazê-los começar a comer. Fui ignorado; achando que a minha descrição tivesse sido exagerada, peguei o copo de meu Si Hing, fiz um longo gesto e o posicionei na frende dele outra vez.

Quando pousei o copo na mesa Si Fu se virou para mim e perguntou: “o que você está fazendo?”

Servindo meu Si Hing, respondi. Si Fu disse: ” e você acha que ele não viu?” Na tentativa de enrolar comecei a dizer que era possível que ele não tivesse visto pois estava atento a conversa.

Sabemos que minha atitude não teve zelo algum. O que aconteceu foi que tentei justificar minha atitude egoísta através de um gesto nobre.

Si Fu ainda me disse: “Se você está com fome pode comer, mas, se veio só para isso não sei porque está aqui. Seria bem mais fácil, barato e confortável para você comer na sua casa”.

Com Mestre Senior Julio Camacho

Claro que desde o início Si Fu percebeu que eu estava com fome, entendo que, inclusive, foi por isso que me convidou para participar do jantar. Mas, notando minha atitude frágil, ele, através da marcialidade, mostrou-me que em momento nenhum se baixa a guarda, sobretudo quando estamos frágeis.

Uma frase que ouço com recorrência quando vamos a um restaurante é: não estamos aqui para comer, apesar de ser possível, e, desejável, que nos alimentemos. Da mesma maneira ouço que Ving Tsun não é para lutar.

Neste dia, uma lição de grande relevância para mim foi sobre a quantidade de horas que se pode passar sem comer. Garanto-te, se for por um dia, você não morre.

É possível, talvez, passar até mais de um dia, mas isto, é outra história.

Atualizar

Com Mestre Senior Julio Camacho

É comum, no início da prática do Kung Fu, o praticante se sentir inibido diante do Si Fu.

Creio que isto ocorra por usarmos uma referência externa ao ambiente marcial para saber como nos portar.

Normalmente, essa associação acontece a uma figura de autoridade ou de aconselhamento, como, por exemplo, um Juiz ou Padre.

Contudo, isto soa estranho, já que estamos falando de um termo criado em uma cultura distante da nossa, portanto, não há razão para fazer paralelos.

Por isso, que creio que a melhor maneira de se entender como ficar à vontade diante de nosso Si Fu é estar Relaxado e ser Gentil. Segundo Patriarca Moy Yat, isto é Kung Fu.

Com Mestre Senior Julio Camacho

Não é raro ficarmos presos em determinada situação.

O curioso, é que, através da lente marcial, é possível perceber que basta relaxar que a “prisão” se dissolve.

Certa vez, Si Gung estava conosco no antigo Núcleo Barra que ficava no condomínio Blue SKY, Bloco A.

O dia estava frio, Si Fu me pediu pra fazer chá. Fui a cozinha e iniciei o preparo, com a água já quente resolvi deixar as xícaras e a água próximo ao Si Gung.

Depositei a água na xícara e fui buscar o chá. Exatamente no momento que me afastei Si Gung começou a beber a água. Achei curioso, será que Si Gung não queria o chá e preferia beber água quente?

Isso não seria um problema, cada um tem o direito de ter suas particularidades.

Por acaso, olhei pra o Si Fu. Pela maneira que me olhava percebi que me observava há tempo. E agora?

Poderia ser que Si Gung gostasse de água quente mas porque que Si Fu me olhava daquele jeito?

Resolvi sair do ambiente para ver se Si Fu me dizia algo por mensagem.

Fiquei um tempo e nada. Então, relaxei. Voltei a cozinha, peguei mais água e o chá.

Posicionei a xícara do Si Fu, deixei o sachê e depositei a água. Para o Si Gung, deixei mais água quente.

Por cautela, olhei para o Si Gung e vi que ele pegou a xícara, sorveu um grande gole e comentou: “Bem chinês”.

Imediatamente voltei para a cozinha e preparei mais água.

Em meu retorno, depositei mais água na xícara dele, mais uma vez bebeu de um só gole.

Pensei que tinha descoberto um gosto peculiar do Si Gung.

Satisfeitíssimo, me preparei para buscar mais água, olhei para o Si Fu com um sorriso contido,
esperando sua aprovação.

A experiência marcial e sua capacidade de simbolismo é Fantástica.

Nunca levei um tiro na vida, mas, ao olhar para o Si Fu, acho que posso dizer que fui, literalmente, fuzilado por seus olhos.

Aos poucos senti o ar faltando e o sangue quase que abandonar o meu corpo. Hoje, imagino como fiquei pálido naquele dia.

Travei, depois de alguns segundos pensei sobre o que deveria fazer, Si Fu não falava nada, apenas olhava.

Muito desconfortável me retirei da sala e rezei para a reunião começar logo, assim, não precisaria mais entrar.

Mestre Senior Julio Camacho, 2020

Hoje, refletindo sobre o episódio, percebo algumas detalhes que na época não entendia.

Inteligência estratégica diz respeito a preparo, eu não podia esperar que Si Gung me esperasse trazer o chá já que a água estava disponível.

Entendi que a maneira que ele encontrou de me fazer entender foi beber, mais rápido do que o comum, o líquido depositado.

Como não fui capaz de perceber, Si Fu me “fuzilou”, ainda na proposta de me ajudar a entender, através da marcialidade ,que o que eu estava fazendo não estava dando certo.

Sobretudo, pude entender que a atualização constante é crucial. Acreditei que o que estava fazendo era a melhor estratégia, mas deixei de checar, a casa passo, o resultado efetivo.

Como eu estava tenso em estar no mesmo ambiente que Si Fu e Si Gung, não pude perceber estes detalhes.

É claro, eles poderiam ter dito isto de maneira direta. Mas, se assim fosse, esta experiência seria tão significativa a ponto de desejar contar para vocês, e sobretudo me marcar tão profunda e positivamente?

Boa Sorte

Patriarca Moy Yat e Grão Mestre Leo Imamura

Viver com arte é um objetivo comum a boa parte das pessoas. Mas, acredito que há uma confusão quanto a maneira de melhor explorar esta experiência. Arte diz respeito a expressão pessoal, por isso, deve ser observada com cautela.

Em minha opinião, a expressão pessoal não quer dizer fazer o que se tem vontade sem considerar o cenário. Somente a partir da avaliação cuidadosa do ambiente é possível entender o que é preciso ser feito e, a partir disto, ” ser você mesmo” Isto, para mim, é arte. Ao tratar disto me baseio no conceito de Vida Kung Fu, ” SAM FAT”.

Por passar tanto tempo próximo, é comum o To Dai (aluno) adquirir características de seu Si Fu. Esta característica se funde de maneira tão natural e profunda que passa a fazer parte da expressão pessoal deste individuo.

Um exemplo bem interessante foi o que aconteceu no ano 2000. Si Taai Gung, Patriarca Moy Yat e Si Gung, Grão Mestre Léo Imamura, caminhavam pela praia quando Si Taai Gung encomendou ao Si Gung a tarefa de criar uma espécie de “caixa” que salvaguardasse o sistema Ving Tsun dos novos tempos.

Tempos depois nasceu o ” Programa Moy Yat Ving Tsun de Inteligência Marcial, a partir deste momento, as famílias do Grande Clã Moy Yat Sang, nome Kung Fu de Meu Si Gung, passam a ter dois programas.

Entendo que, com os anos, Si Gung adquiriu de seu Si Fu um olhar cuidadoso para com o Sistema Ving Tsun. Justamente isto possibilitou estarmos aqui.

Grão Mestre Leo Imamura e Mestre Senior Julio Camacho

Si Gung acreditou tanto na perspectiva de seu Si Fu que passou a ser dele. Sendo dele, transmitiu a seus discípulos.

Em 2018, Meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho fundou dois programas. São eles: o Programa Experiencial do Clã Moy Jo Lei Ou e o Programa Fundamental do Clã Moy Jo Lei Ou.

O primeiro segue os preceitos elegidos por seu Si Fu, Grão Mestre Leo Imamura, com a exceção do nome, que, no caso das famílias do Clã Moy Jo Lei Ou, está em português e chinês. O segundo trata de sua tentativa de copiar seu Mestre no sentido de salvaguarda do Sistema Ving Tsun.

Certa vez ouvi Si Fu dizer que a criação do “Programa Fundamental” é uma ferramenta para salvaguardar o “Programa experiencial”, que é um legado de nossa família.

Com Mestre Senior Julio Camacho

Certa vez, Si Fu estava no Mo Gun e precisou ir embora por conta de um compromisso com a Si Mo. Desci com ele para terminar um assunto que tratávamos. O trânsito estava caótico, Si Fu pediu um Uber que estava caríssimo e demoraria dez minutos para chegar onde estávamos, não nos atrevemos a ver o tempo que demoraria para chegar ao destino.

Si Fu perguntou: “você está com tempo?” Respondi que sim. Para não andar com muito peso Si Fu me pediu para levar seu computador de volta para o Núcleo e pegou apenas o essencial.

Descemos novamente e começamos a andar, estávamos indo em direção ao Casa Shopping. Si Fu andava rápido, falava da importância de não se vitimar diante das situações da vida.

Como exemplo ele disse: ” Eu poderia estar chateado e pedindo desculpas a Si Mo, poderia dizer que era tudo culpa do trânsito ou do Governo.

Mas, em vez de me vitimar, prefiro trabalhar para que minha palavra seja cumprida. Desta maneira treino a capacidade de me manter focado e gero benefícios. Economizo o dinheiro que gastaria como Uber para ficar preso no transito, caminho um pouco e ainda crio um cenário favorável para você. Agora é sua vez de fazer algo, espero que seja proveitoso.”

Neste dia, caminhamos até o outro lado da Av. das Américas e Si Fu pediu um Uber para continuar seu caminho. Com trânsito livre, o transporte saiu barato e ele ainda chegou em tempo para seu compromisso.

Lembro de na hora de nos despedirmos ele falar: ” Espero que você não seja assaltado, se for não adiantará nada. Lembre-se sempre de ter uma atitude eficaz.”

Como disse no início do texto, é comum características do Si Fu passarem a ser também do To Dai.

Voltei para o Mo Gun sorridente, cada palavra de Si Fu reverberava em minha memória. Foi uma das experiências mais prazeirosas que já tive na minha Vida Kung Fu.

Ao atravessar as pistas da Av das Américas, do alto da passarela percebi que o caminho que havia feito com Si Fu, pela lateral da entrada principal do Casa Shopping já estava fechada. Isto não foi um problema.

Andei alguns metros a mais, até a entrada principal e me direcionei ao Núcleo. Cortando as pistas e calçadas não tardei a chegar.

No caminho, notei o olhar de cansaço e incomodo das pessoas que ainda estavam paradas, presas no carro. Suspeitei que talvez até estivesse passando duas vezes por uma mesmo veículo, já que o transito estava tão ruim.

Não pude deixar de pensar que era uma sorte não ter carro. Mas, no fundo, boa sorte mesmo foi encontrar a Moy Yat Ving Tsun.

Memórias

Mestre Senior Julio Camacho. Núcleo Barra

Cada momento no Kung Fu é único. É possível que o cenário seja repetido, mas, caso esteja atento, notará que há detalhes sutis que podem fazer com que o mesmo cenário traga benefícios diferentes. De imediato, percebo duas maneiras de vivenciar esta experiência:

Pode ser, por exemplo, ouvindo a mesma história mais de uma vez. Já vi Si Fu evidenciando o momento da história de acordo com a mensagem que quer passar, considerando a capacidade de escuta ou interesse do ouvinte.

Mestre Senior Julio Camacho

Outra maneira, é lembrando de algum acontecimento passado e tentando extrair algo de novo. Hoje, irei tratar sobre o segundo modelo.

Na última Terça tivemos o Colóquio, instrumento do Programa Fundamental do Clã Moy Jo Lei Ou.

Antes de iniciar, Si Fu explicou como se dá um processo de refinamento importantíssimo que acontece em nossas unidades. Trata- se do protocolo.

A proposta é que, a cada evento, listemos no mínimo três itens considerando os seguintes critérios: correção, refinamento e Implementação.

A correção diz respeito há algo que não está funcionando, portanto, deve ser, como o nome diz, corrigido.

O refinamento trata de algo que está acontecendo de maneira positiva. Por isso, devemos melhorar, fazendo com que algo que é bom seja potencializado e traga mais benefícios.

Implementar é criar mecanismos que facilitem o desenrolar da atividade proposta.

Patriarca Moy Yat

Como eu era um dos responsáveis pelo evento Si Fu me pediu que, junto com meus irmãos, organizasse uma lista com todas as propostas enviadas e estabelecesse como um protocolo

Como disse, este processo é comum em nossa escola. Mas, hoje me dei conta de que, ao separar e enviar as minhas proposições não havia nenhum item para refinamento, apenas correção e implementação.

Logo me veio a memória a vez que pintava a casa do Si Fu. Estava já há algumas horas tentando pintar a mesma parede. Estava difícil, o chão estava todo manchado, e, eu, pintado. A parede, que era o objetivo, não ficava apresentável.

Lembro que a ideia era pintar o apartamento inteiro; como estava há horas na mesma parede me sentia preocupadíssimo, por conta do tempo, mas, sobretudo, por conta da tinta.

Notei depois de algumas horas que já havia gasto de tinta o suficiente para pintar um ambiente inteiro. Percebi, então, que a tinta estava grossa demais. Imediatamente fui em busca de água, como não havia me preparado peguei um copo com a mão suja e com a outra, também suja, abri a torneira.

O resultado foi pintar um copo de vidro do Si Fu, a torneira e a pia de seu banheiro. Considerando que depois corrigiria parti para o balde e virei a água na tinta. Não calculei a quantidade, por isso, a tinta ficou aguada.

No fim, neste dia, não consegui terminar de pintar aquele ambiente. Já cansado e com sono resolvi lavar os materiais, só então percebi que a tinta que ficou no copo e na pia estava seca. No caso do copo tive que jogar fora, a pia tive que limpar.

Percebi, através do evocar desta memória que minha preocupação sempre foi corrigir, o processo de refinamento, raramente, é uma preocupação real minha.

Hoje pela manhã Si Fu me disse, como há anos faz: : “busque sempre se refinar, não faça por fazer ou porquê tem que fazer, faça para se melhorar”. Será que hoje, depois de uma década, entendi o que Si Fu quer me dizer?

Mudanças

Com Mestre Senior Julio Camacho

O ato de caminhar ao lado de uma pessoa pode ser uma atividade corriqueira. Caminhar ao lado do Si Fu sempre é uma atividade marcial.

Seja na velocidade e sincronia dos passos, distância relativa entre Si Fu e eu ou no teor de nossa fala. Si Fu sempre encontra uma maneira de me ajudar a estar atento.

Com o passar dos anos conectamos de maneira que todo o processo deixou de ser atrapalhado por mim. Cada vez me sinto mais confortável e seguro em caminhar ao lado do Si Fu e, sobretudo, mais atento. Assim, consigo apreciar o momento.

Julho de 2018

Caminhar junto independe de proximidade física. A principal conexão entre Si Fu e To Dai se faz através do “Sam”, que pode ser traduzido por coração. Quando se está com o coração conectado distância alguma atrapalha pessoas de caminharem juntas.

Quando iniciamos o projeto Angola, a proposta era termos nossa escola no Continente africano iniciando por este país. Passei 6 meses distante fisicamente do Si Fu. Me lembro de no dia da viagem, ao adentrar na área de imigração sentir minhas pernas bambas. O que eu estava fazendo ali sozinho?

Não tenho medo de viajar, mas saber que eu era um dos responsáveis por inserir a Moy Yat Ving Tsun no continente africano longe fisicamente do Si Fu me aterrorizou. O único recurso que tive foi me aproximar como podia e assim o fiz.

No Fundo, foi neste período, por necessidade, que percebi que a distância nós que fazemos. Não estava sozinho e não tardei a perceber.

Com Mestre Senior Julio Camacho.

Neste ano iniciamos uma nova etapa no processo de internacionalização de nossa família, mais uma vez, os coraçōes irão se separar fisicamente. Mas, tenho certeza que justamente por conta disto, mais que nunca estaremos próximos.

Um Dia

Mestre Senior Julio Camacho

Ontem, tivemos o primeiro Colóquio de 2020. Como sempre, o evento transcorreu com leveza e bom humor. Pode ser dizer que foi um sucesso a despeito dos refinamentos necessários.

Sabemos que todo evento inicia mais cedo que o horário agendado. Para que transcorra de acordo com o que foi planejado é preciso que se faça testes e ajustes prévios, por isso, o pré evento. Se esta etapa for bem executada o transevento seguirá um fluxo natural de sucesso.

Contudo, o dia a dia do Mo Gun raramente trata de apenas um evento, em um dia há uma quantidade considerável de coisas a fazer. E, caso estas tarefas não sejam bem executadas, ao longo do dia elas se acumulam fazendo uma “bola de neve” que no final nos “devora”.

Mestre Senior Julio Camacho

No meu caso, a “bola de neve” estava se formando há alguns dias. Meu entendimento do Kung Fu é que a falha merece ser apontada, nunca no sentido de constranger, mas de educar. Como estamos falando de marcialidade o ato de deixar clara a falha precisa trazer um nível de desconforto similar ao momento do sistema em que se encontra o praticante.

Ao estudar o Baat Jaam Do, último domínio do sistema, percebemos que para cada atitude adequada existem no mínio oito que deixou de ser explorada. O golpe vai vir, não adianta tentar fugir disto, a questão é: o que você vai fazer em seguida?

Tenho a impressão de que cada vez que Si Fu me mostra onde está minha falha ele já a viu faz tempo, mas, mesmo assim, deixa os problemas se acumularem em uma espera estratégica de forma que quando “explode” a consequência de minha inépcia é muito maior e por vezes mais grave.

E, eu que lide com o prejuízo, pois, esta é a maneira que ele tem de me tratar como um Homen maduro, Fu, em Chinês.

É claro que todo o prejuízo que tenho o próprio Si Fu vive na carne, cada vez que faço alguma besteira e Si fu não desiste de mim vejo um novo significado para Fu, pai em Chinês.

O duro e natural desta história é que, até o momento, só vivo uma parte de ser pai, que é a parte filho. Suspeito que enquanto eu próprio não tiver meus To Dai dificilmente terei dimensão do que Si Fu faz por mim, até lá, sigo tentando.

Colóquio com Mestre Senior Julio Camacho

A reflexão descrita acima aconteceu pelo seguinte motivo:

Como disse, pela manhã tivemos um problema, que contarei em outro momento. Si Fu ficou bem chateado e falou duro comigo e com André. Ao fim do Colóquio, horas depois do acontecido, nas palavras finais dos participantes do evento, Si Fu, como é comum, pediu aos presentes que compartilhassem a experiência. Fui um dos últimos a falar, e o que disse basicamente foi:

“Estou muito cansado, e, por isso, foi difícil aproveitar o evento como um todo” de certa forma reclamei que o dia não terminaria quando acabasse o Colóquio. Ainda haviam algumas coisas por fazer. Si Fu Respondeu:

“Também estou cansado. Mas, te garanto, estou com mais energia agora do que estava a tarde. O dia não pára porquê você dorme, você pode descansar se quiser, mas o dia continua independente de você”

O que ouvi destas palavras foi algo como:

Para de reclamar e se prepara que ainda tem mais. Quem escolhe se é agora ou depois é você.

Sé é como Homem Maduro que Si Fu me trata, é como homem maduro que vou me portar.

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