Ensaio sobre Kung Fu

Ideograma de Kung Fu

Kung-Fu (功夫) é um conceito originário da China que se tornou patrimônio da humanidade. Este conceito combina diversas habilidades e contém em si toda a sua essência. Por ser tão genérico e abrangente, qualquer tentativa de separação ou definição além de sua própria expressão reduz seu significado.

Mesmo assim, devido à sua disseminação principalmente através de filmes e abordagens bastante específicas, e por ter sua origem em uma cultura tão distante, é necessário algum nível de tradução. Sugiro, portanto, alguns entendimentos:

“Kung” (功) significa habilidade ou mérito adquirido através do esforço, ou tempo gasto ou energia investida para alcançar um objetivo, enquanto o ideograma para “Fu” (夫) pode ser entendido como sabedoria. Juntos, eles representam a ideia de dominar uma habilidade através de treinamento árduo e dedicação constante.

Montagem do Antigo Núcleo Barra, Downtown.

Com base na disseminação mais comum do conceito através de filmes, é possível entender que Kung Fu seja uma arte marcial, o que é impreciso, ou até mesmo expressões de combate que se valem de socos e chutes, o que é extremamente redutor.A proposta de tradução dos ideogramas revela alguns conceitos bastante subjetivos. Por exemplo, qualquer coisa pode ser obtida com habilidades ou méritos advindos do esforço, ou da dedicação de tempo. Isso é crucial, mas incompleto, pois a completude advém da sabedoria. Ou seja, através de dedicação árdua e tempo investido, é possível alcançar um objetivo, mas somente a sabedoria irá direcionar a melhor maneira de alcançá-lo.

No fim, o tempo e o trabalho pesado dedicado a qualquer atividade nos torna mais inteligentes para realizá-la com menos esforço. Em outras palavras, em um nível elevado, ou com Kung Fu, não há esforço algum. De toda sorte, a capacidade de fazer tudo de forma simples e eficaz, se bem incorporada, passa a ser um hábito.

Prática de Seung Chi Sau com mestre Senior Julio Camacho.

Pessoalmente, tive bastante dificuldade de entender esta dinâmica. O fato de fazer nunca me foi um problema, mas fazer com excelência já foi mais dificultoso. Certamente, ter insistido na prática do Kung Fu me ajudou a vivenciar o que hoje escrevo com naturalidade e verdade. Há anos trabalho no Mo Gun em diversos níveis. Hoje noto que coisas que demorava alguns dias para fazer se resolvem em poucas. E lembro de uma história que ouvi do meu Si Fu há alguns anos:

Um praticante estava as vias de aprender o Seung Chi Sau (双黐手) dispositivo do sistema Ving Tsun), seu mestre, pediu-lhe que fosse buscá-lo em casa para tomarem café juntos. Cruzando a cidade, o aluno fez o que foi pedido e passou a manhã e a tarde em reuniões em restaurantes. Após o almoço, foram a casa de seu mestre e em não mais que três minutos, este passou ao praticante o exercício esperado. Em seguida, saíram novamente para atividades outras que se relacionavam intimamente com o Kung Fu, mas se distanciaram bastante da perspectiva de socos e chutes.

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