Momento Atual

Reunião administrativa, 2012

A propósito do meu desenvolvimento marcial, vejo alguns obstáculos interessantes. O fato de eventualmente confundir minhas intenções pessoais e o fluxo em desenrolo me faz tomar algumas decisões equivocadas e, em alguns casos, efetivamente erradas.

Geralmente o caminho é o mesmo; vejo o cenário se configurar, aplico o aprendizado que gostaria de desenvolver e faço minha estratégia, à força, encaixar. O resultado é catastrófico.

Bem, o que há de interessante nestes momentos é a possibilidade de retorno, a posteriori, ao momento vivido. Ressignificar, parece-me uma condição inerente ao ser humano e valorizada ao extremo no meio das artes marciais.

Associada a ela, há a necessidade de responsabilização. Quero dizer: é importante estar relaxado e seguro para continuar a jornada sem medo de errar, além de convicto da condição de acerto; esta segurança tem origem na capacidade de absorver o cenário, positivo ou não, e direcioná-lo ao caminho mais favorável.

Admitidos à família, 2008

Suponho que o leitor concorde comigo sobre a simplicidade e lógica do que foi escrito acima; eu também acreditei, já que isso me é dito faz tempo e de maneiras distintas. Mas sua vivência traz uma camada de complexidade que não é nada simples, muito embora não deixe de ser lógica.

Em meu caso, por natureza, tendo a ser formal. O uso correto de termos e obediência a regras é para mim fundamental. Meu próprio nome em alguma medida menciona esta característica.

Características não tem problema em si, a observação vai para o aproveitamento produtivo dela. Por exemplo, o Sam Toi, mesa ancestral, representa toda a nossa ancestralidade ao longo dos séculos. Por conta disso, achei que sua configuração era sempre a mesma. Contudo, por duas vezes, acompanhei mudanças ainda em nossa família.

Uma delas foi curiosa. Na mesa ancestral, é comum haver itens como flores, frutas, chá. A razão disto é o desenvolvimento do zelo já que estes itens precisam ser trocados com frequência e promovem experiências de vida Kung Fu.

Eis que certa vez Si Fu decidiu retirar todos estes itens do Sam Toi, deixando apenas os móveis, e os itens de referencia direta aos ancestrais.

Eu quase passei mal vendo isto. Si Fu retirava cada item da mesa e pousava em minhas mãos dizendo para guardar. Acho que poucas vezes tentei tanto redefinir uma decisão do Si Fu quanto naquele dia; provavelmente, porque Si Fu antes de tomar qualquer decisão costuma consultar seus discípulos; desta vez, não foi o caso.

E assim seguimos: Retirando itens, pousando em minhas mãos, eu ensaiava um mas… desistia ante seu olhar sério e diminuía diante do peso daqueles pequenos itens .

Mão Livre vai a frente; dias passados e atuais.

Na época, isso aconteceu por conta de descuidos. Naqueles tempos, em geral, eu era o mais antigo do núcleo. Por isso, a título de “gerar experiências aos mais jovens” propositalmente eu não cuidava do Sam Toi.

O curioso é que pela mesma razão, eu não trocava a toalha do banheiro, não varria o núcleo ou limpava qualquer mancha de sujeira. De novo a desculpa: ” estou dando oportunidade aos demais”.

Si Fu sabia que não era isso, eu em alguma medida também. Daí o desconforto em ver o Sam Toi sendo desmontado.

Esta história durou alguns dias. Durante este tempo, ocupei-me em deixar o núcleo mais organizado e limpo que eu podia. Aos poucos, os demais vendo meu esforço, passaram a me apoiar. Por fim, Si Fu decidiu que os itens deveriam retornar.

Lembro que por alguns anos tive muita vergonha sobre o que aconteceu. Culpava – me em vários momentos e entendia que jamais iria reparar reparar o erro. Isto é fato, algumas consequências deste grave descuido nunca puderam ser diminuídas e sobre isto lamento. Ao mesmo tempo que relembro desta e de outras histórias para o fim de poder me refinar.

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