Em Guerra

Ilustração sobre aspectos da Guerra

Há várias maneiras de se entender ou viver a guerra. Uma maneira que aprendi, dentro do Mo Lan, nosso círculo marcial, traduz a guerra sob três lentes.

Pena, Oratória e Gesto Marcial; observando a ordem, proponho uma leitura sobre sua tradução; a primeira diz respeito a habilidade de escrever; Alinhar o pensamento e manter o ritmo da escrita evitando assim perder a linha de raciocínio, bem como as normas da escrita, é a habilidade de um escritor; Neste caso, como é comum a pessoa planejar o ato, em geral, se esta sozinho e em ambiente controlado.

A Próxima Guerra, parece-me que de alguma maneira complementa a anterior. Penso assim porque neste caso não se está sozinho, e muito embora a ação possa ser planejada, é impossível ter controle do “todo” fazendo com que quase sempre seja necessário ajuste.

A última, em minha visão, trata da real habilidade de quem demonstra; isso porque o gesto marcial necessita ter o rigor e a precisão da gramática, bem como as variações de tom de um bom orador.

Portanto, por esta leitura, é possível saber o nível do praticante apenas observando a execução de gestos.

Contudo, ainda assim, somos convidados a experimentar os três desafios.

Estudo do Nível Superior Final, 2020

Suponho que isto aconteça por várias razões, a mais simples, seria desvincular a imagem de um artista marcial a de repetidor de gestos. Uma coisa não está relacionada a outra.

A prova disto, aliás, observa-se pelo jeito como falamos ou damos nome aos movimentos. Não é a “forma”, como é comum no Mo Lan, e sim “Listagem” ou “Sequência”, e, mesmo estas duas palavras devem ser usadas em momentos oportunos.

Outra razão, seria a qualidade da guerra. Existem duas: Grande e Pequena Guerra, uma se relaciona a crises vividas por civilizações, a outra, a crises vividas pelo soldado em campo. Talvez você se surpreenda, mas a dita Grande Guerra não é a que trata da guerra entre os povos, mas sim, do soldado consigo em campo de batalha.

Ou Seja, o maior valor da guerra é a que trata de um. A rigor, vários um, quando falamos de tropas.

Comitiva Oficial de Visita a Angola, 2017

Outro dispositivo para efetivar a desvinculação supra citada, são viagens. Si Fu conta que o Kung Fu dele foi desenvolvido ao longo de inúmeras viagens com seu Si Fu, meu Si Gung. Por isso, faz parte do nosso “DNA”, ir em busca do desenvolvimento pessoal em terras estrangeiras.

Nestes momentos, ainda que a pequena guerra se faça presente, através da relação Si Hing Dai, a mais importante se faz internamente, e a cada desafio pessoal;

Creio não ter sido por acaso que minha primeira viagem internacional tenha sido com meu Si Fu, pude viver experiências inéditas na ocasião, além de diversos desafios que em princípio pareciam impossíveis para mim.

Como conclusão, entendo que em nossa família, todos os dispositivos apresentados tem uma intenção estratégica. Esta intenção é potencializada pela disponibilidade do Si Fu tanto na grande quanto na pequena guerra. E, independente de qual guerra se estava falando, cabe aos discípulos fazer o seu melhor!

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