A Arte Vem do Vazio

Arte de Patriarca Moy Yat

Certa vez, ouvi de meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho, que qualquer obra de arte existe antes mesmo de ser trabalhada.

Entendo que na pintura, por exemplo, basta saber ligar os pontos. Na escultura, tirar excessos.

Mas, como no exemplo destas artes, ou de qualquer outra, o primeiro passo é o vazio. A tela, a pedra ou o ser humano estão vazios.

Estão o que o olhar menos atento pode perceber: pedra, papel ou corpo.

Isto é perfeito, pois é desta forma que o artista encontra espaço para sua expressão.

Mestre Senior Julio Camacho demonstra a sequência do Muk Yan Jong

O sistema Ving Tsun é como o nome diz, um sistema. Lembro de há muito tempo me questionar como deveria me chamar.

Por exemplo, o praticante de capoeira é Capoeirista, Caratê, Carateca; e o de Ving Tsun?

Por muitos anos fiquei sem resposta. No fundo, a questão é simples: o praticante de Ving Tsun é praticante de um sistema, em outras palavras, um caminho que possui inicio, meio e fim.

Esta pessoa é um praticante do sistema Ving Tsun.

Estudo do Bastão, ao lado, um quadro que representa o sistema Ving Tsun

Contudo, as pessoas que criaram esse sistema ou, a bem dizer, interpretaram, tal qual uma obras de arte, foram sábias.

Saber usar as ferramentas oferecidas de forma desenvolver o corpo, ou usá-las de maneira estratégica, de modo que se adapte as condições do praticante é arte.

Por isso, criou-se o sistema Ving Tsun como um caminho, este, trilhado por cada um a sua maneira.

Por ser finito, há um momento em que as ferramentas terminam. A partir daí, o que resta é o vazio.

Neste momento, temos arte. Em outras palavras, nossa expressão pessoal.

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