Atitude Mental em Guarda

Mestre Senior Julio Camacho. A arte de Lutar pela vida

A guarda está presente em todas as artes marciais, cada uma dentro de suas características.

Apesar das diferenças, há algo em comum. Posição de guarda é diferente de atitude mental em guarda.

Por isso, em alto nível, não sabemos quem de fato tem o Kung Fu desenvolvido. Uma vez que esta pessoa não fica demonstrando sua técnica por ai.

Com Mestre Senior Julio Camacho, extensão da guarda

A guarda, no nível mais básico é uma posição. Um pretexto para que se caminhe por onde se almeja com mais segurança.

Em alto nível, a posição de guarda não precisa ser executada.

O espírito que os anos de pratica ajudou o estudante a desenvolver, chamamos isto de atitude mental em guarda, é o que precisa desabrochar.

Por isso, podemos entender que a atitude mental em guarda serve para qualquer coisa, não só para luta.

Certa vez, fiz com Si Fu, e alguns irmãos Kung Fu, uma filmagem para as redes sociais. A proposta era demostrar o Ving Tsun de maneira “técnica”.

Tínhamos um roteiro simples, a ideia era ter um ponto de partida, mas não um caminho todo mapeado.

Trabalhei algumas demosntrações com Si Fu até que ele disse:

“Gui, você não está em guarda. Por favor, deixe outra pessoa demonstrar comigo e trabalhe isto.”

Assumi a câmera, após alguns quadros, Si Fu foi ver o que eu tinha gravado.

Por conta da dinâmica, diversas vezes Si Fu saiu de foco e, como não havia percebido, eu não ajustei.

” Gui, você precisa entrar em guarda. Vem demonstrar comigo.”

Ele caminhou alguns passos, se virou e golpeou, tomei um susto tremendo, simplesmente levantei a mão e fiz o que dava para me “defender”. Não havia necessidade, ele estava fora da distância.

Em seguida Si Fu questionou:

“Quem filmou isto?”

Nenhum dos meus irmãos Kung Fu filmou, em outras palavras, naquele momento, ninguém estava em guarda.

Encontro Tematico Remoto com Mestre Senior Julio Camacho

Refleti diversas vezes sobre a guarda. No episódio acima, lembro que meu pensamento era identificar nas sequências dos domínios onde ela se apresentava.

A consequência disto, foi não estar presente no momento. Somente quando Si Fu questionou se alguém havia gravado a segunda demonstração comigo que percebi.

A questão não é a posição dos braços, mas sim, a atitude de fazer o que há de se fazer, muitas vezes sem aviso prévio ou simulações.

Hoje, um grande desafio para mim é trabalhar minha atitude mental nos encontros on line com Si Fu.

Certamente este é um grande instrumento para trabalhar minha atitude mental, não pelo instrumento em si, mas pelo artista que quero ser e pelo dinâmica do próprio Si Fu.

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