
A guarda está presente em todas as artes marciais, cada uma dentro de suas características.
Apesar das diferenças, há algo em comum. Posição de guarda é diferente de atitude mental em guarda.
Por isso, em alto nível, não sabemos quem de fato tem o Kung Fu desenvolvido. Uma vez que esta pessoa não fica demonstrando sua técnica por ai.

A guarda, no nível mais básico é uma posição. Um pretexto para que se caminhe por onde se almeja com mais segurança.
Em alto nível, a posição de guarda não precisa ser executada.
O espírito que os anos de pratica ajudou o estudante a desenvolver, chamamos isto de atitude mental em guarda, é o que precisa desabrochar.
Por isso, podemos entender que a atitude mental em guarda serve para qualquer coisa, não só para luta.
Certa vez, fiz com Si Fu, e alguns irmãos Kung Fu, uma filmagem para as redes sociais. A proposta era demostrar o Ving Tsun de maneira “técnica”.
Tínhamos um roteiro simples, a ideia era ter um ponto de partida, mas não um caminho todo mapeado.
Trabalhei algumas demosntrações com Si Fu até que ele disse:
“Gui, você não está em guarda. Por favor, deixe outra pessoa demonstrar comigo e trabalhe isto.”
Assumi a câmera, após alguns quadros, Si Fu foi ver o que eu tinha gravado.
Por conta da dinâmica, diversas vezes Si Fu saiu de foco e, como não havia percebido, eu não ajustei.
” Gui, você precisa entrar em guarda. Vem demonstrar comigo.”
Ele caminhou alguns passos, se virou e golpeou, tomei um susto tremendo, simplesmente levantei a mão e fiz o que dava para me “defender”. Não havia necessidade, ele estava fora da distância.
Em seguida Si Fu questionou:
“Quem filmou isto?”
Nenhum dos meus irmãos Kung Fu filmou, em outras palavras, naquele momento, ninguém estava em guarda.

Refleti diversas vezes sobre a guarda. No episódio acima, lembro que meu pensamento era identificar nas sequências dos domínios onde ela se apresentava.
A consequência disto, foi não estar presente no momento. Somente quando Si Fu questionou se alguém havia gravado a segunda demonstração comigo que percebi.
A questão não é a posição dos braços, mas sim, a atitude de fazer o que há de se fazer, muitas vezes sem aviso prévio ou simulações.
Hoje, um grande desafio para mim é trabalhar minha atitude mental nos encontros on line com Si Fu.
Certamente este é um grande instrumento para trabalhar minha atitude mental, não pelo instrumento em si, mas pelo artista que quero ser e pelo dinâmica do próprio Si Fu.