Registros

Com Mestre Senior Julio Camacho

Certa vez Si Fu comentou que toda vez que escrevêssemos uma postagem precisaríamos de, no mínimo, Três mil palavras. Vendo nossa cara de assustado ele sorriu e disse que poderíamos usar fotos, e que cada uma valia mil palavras.

Nesta dia, Si Fu deixou mais claro para mim a relevância de registrar cada momento na Vida Kung Fu.

Entendo que esta sugestão veio da relevância das fotos no passado. Antigamente, foto era muito difícil e caro de fazer, por isso, uma foto Si To- Si Fu e To Dai- era o confirmação da relação entre aquelas pessoas.

O respeito a fotografia era tamanho, que, o fato de você fazer uma foto com seu Si Fu em algum ambiente extra Mo Gun era um símbolo de uma relação saudável e, sobretudo, intima. Quero dizer que, se você fosse “flagrado” com seu Si Fu em alguma atividade além da prática marcial você era respeitado.

Hoje, com a tecnologia a fotografia está cada vez mais ao alcance de todos. Muitos telefones são capazes de fazer boas fotos. A meu ver, a fotografia passou de uma arte que fala de um contexto para uma arte que fala de si mesmo, a foto é vista pela foto e, muitas vezes, mais nada.

Mestre Senior Julio Camacho e Grão Mestre Leo Imamura

Há ainda aqueles que, atravessados pelo olhar Kung Fu, conseguem capturar bons momentos. Mais uma vez vemos a relevância do espírito marcial.

Si Fu, no processo de internacionalização de nossa família precisou recolher diversos materiais que falavam de Si, foi um trabalho árduo que, no fim, gerou bons frutos. Sorte a cultura do Kung Fu sugerir o registro de todo o trabalho realizado.

Neste ano, Si Fu me propôs um desafio. Propôs que a cada dia eu escrevesse sobre a experiência da Vida Kung Fu. O início foi bem difícil, não tinha ideia do que eu iria falar, ou mesmo como deveria falar.

Agora, passado uma semana posso dizer o que desafio está, gostaria de dizer mais simples, tão difícil quanto foi no início. Nada do que eu faça torna o ato de escrever mais confortável.

Mas, teve vantagens. Justamente por conta da necessidade da escrita aproximei do Si Fu, tanto no ato de fazer o mesmo que ele, Si Fu é um excelente escritor, quanto na tentativa dele em me ajudar no refinamento da minha própria escrita. E, assim sigo, fazendo algo que me deixa desconfortável mas ao mesmo tempo me aproxima de quem quero estar perto.

Com Mestre Senior Julio Camacho

Hoje, me arrependo de não ter registrado alguns momentos com Si Fu. Minha primeira foto Si To não sei onde está, seria ótimo lembrar, com imagens, quantas histórias passaram até o dia de hoje.

De todo jeito, a experiência marcial me ensinou a não perder muito tempo reclamando, sigo com meus registros que, com certeza, me ajudarão no futuro, a olhar para meu passado. E você, estimado irmão(a). O que fez com sua vida Kung Fu hoje?

Viés

Núcleo Barra, 2018

A tradução para Mo Gun é “ salão de guerra” Portanto, o próprio nome sugere o que acontece por ali.

Como boa parte dos processos são simbólicos a guerra passa a ser parte do dia dia, uma vez que o simbolismo pode ser estendido, é esta a proposta, para além das paredes do Mo Gun.

Desta forma o praticante é estimulado, através de sugestões sutis, que a marcialidade esteja presente em suas atitudes mesmo quando sua aula termina.

Um exemplo desta sugestão é a prática do zelo, que acontece ao fim da Aula de Fundamentação.

Com Mestre Senior Julio Camacho, 2020

Por mais que seja um cenário de guerra as variáveis tendem a ser poucas tornando o Mo Gun um ambiente protegido, embora seja sempre desafiador.

Também por isso, com o tempo, o praticante passa a fazer parte da vida do Si Fu acompanhando sua rotina, que não se restringe ao ambiente Mo Gun.

Este processo é interessante pois todos os protocolos de atuação ficam suspensos fazendo com que o praticante fique atento a entender como agir naquele cenário, que com certeza é diferente. Portanto, há outros “protocolos”, a serem adotados

Logo após o início das atividades do Núcleo Barra, Si Fu, Si Mo e eu fomos convidados para um jantar na casa de meu irmão Kung Fu Rafael Machado.

Quando cheguei Si Fu e Si Mo já estavam instalados e fiquei sem saber o que fazer.

Sabemos que no Kung Fu todo o gesto precisa ter uma intenção estratégica, como cheguei atrasado perdi a recepção por parte da família do Rafael.

Por isso, perdi também uma chance preciosa de entender como atuar.

Digo isto, pois, tenho certeza que a partir da maneira como seríamos recebidos eu poderia entender como me sentir à vontade sem desrespeitar os “protocolos” daquela família e ao mesmo tempo cuidar do Si Fu e Si Mo.

Atuei como pude, sempre tentando entender o viés, maneira adequada de agir, sem deixar de ser eu mesmo. Este era o pensamento que achava que estava me norteando durante o jantar.

Já no fim da noite, após ter recusado de maneira sútil minhas tentativas de servi-lo, Si Fu me fala: “Tudo o que você fizer precisa ter um viés, para que me servir mais se já estou satisfeito?”

Isto me chamou a atenção, como é possível Si Fu me chamar a atenção justamente no ponto em que julgava estar tão atento?

A resposta, não tenho de imediato. Mas suspeito que o caso não era que eu estivesse desatento de maneira geral, mas, por alguns segundos, ou mais que isso, deixei de ler o cenário e, como na prática marcial, o “golpe” entrou.

Com Mestre Senior Julio Camacho. Angola, 2017

A Vida Kung Fu é preenchida de momentos em que não sabemos como atuar exatamente. É como na luta, não existe a melhor técnica para sair de determinada situação.

Estar relaxado e ser gentil, segundo Si Taai Gung Moy Yat, é a melhor maneira de ter uma atitude adequada, isto é Kung Fu.

Portanto, sair do cenário ao qual se está acostumado para busca novos desafios é uma experiência riquíssima para qualquer artista marcial. Também por isso estou tão empolgado com a internacionalização de nossa família.

Atualizar

Mestre Senior Julio Camacho, 2020

Hoje tivemos a primeira aula master do ano. Si Fu conduziu um trabalho que era simples e desafiador.

O objetivo era usar as técnicas propostas para entender como agir de maneira adequada ao estímulo. Observando os grupos, percebi que todos estavam se divertindo e concentrados. Salvo algumas questões pontuais, com o tempo pareciam ter entendido o que era para ser feito

Mesmo assim achei que faltava algo. Vou chamar este algo de “mínimo necessário”.

Com Mestre Senior Julio Camacho, 2019

A matéria prima da arte marcial é a agressividade. Esta, trabalhada adequadamente, gera resultados positivos. Desta forma, no meu entendimento, a agressividade era o “mínimo necessário” ao nosso grupo.

Por isso, tentei participar mais ativamente do processo. De diversas maneiras, sempre com respeito ao praticante, tentei gerar a necessidade real de uso dos dispositivos prospostos.

Os anos de experiência em transmissão me ajudaram nesta proposta. Notei que as pessoas com as quais trabalhei diretamente começaram a ter o que chamei de “mínimo necessário”.

Ao fim da atividade, Si Fu pediu que os presentes compartilhassem um pouco de sua experiência ao longo do dia e, após o comentário da pessoa, por vezes, Si Fu falava sobre o que foi dito.

Dentre as coisas que falei, Si Fu chamou minha atenção para o mínimo necessário. Perguntou- me o que seria o mínimo. Tentei dar alguns exemplos, e Si Fu respondeu: “Isto é um exemplo. A pergunta é: o que é o mínimo?”

Arte de Patriarca Moy Yat

Pensei por um tempo e notei que eu não sabia o que significava. Exemplos, eu tenho, mas como foi dito, isto não explica o que é.

Sempre soube que é preciso tomar cuidado com o que se fala, sobretudo em qual contexto a fala está sendo empregada.

Mesmo assim, após ouvir o que Si Fu tinha a dizer, percebi que naquele momento meu saber não foi posto em prática; meu pensamento estava frouxo e, por isso, cometi o equívoco de tentar extrair das pessoas o que talvez para elas não fosse relevante.

Por mais que de fato minha atitude possa ter contribuído com o membro, o papel do instrutor na aula do programa fundamental é somente instruir.

É comum no meio das artes marciais os praticantes terem um padrão de comportamento facilmente identificável. Em alguns casos é possível até mesmo saber qual arte marcial a pessoa pratica através de um simples olhar. Este posicionamento pode deixar claro o marcial, mas faz com que deixe de existir o sentido de arte, que é a expressão pessoal.

Uma das últimas falas do Si Fu de hoje foi: “Todo praticante estuda um sistema marcial, mas nem todos são artistas marciais. Por isso, você pode dizer que é um … marcial, mas estes três pontinhos, o que é?”

Aniversários

Com Mestre Senior Julio Camacho

A celebração do aniversário do Si Fu é o evento mais importante do Ano da família Kung Fu.

Não por acaso nestas ocasiões é comum rever membros que há muito não vemos, ou conhecer pessoas que por vezes conhecemos por fotografia, ou histórias. Mas, neste ano Si Fu completou cinquenta anos, isto por si só é um marco.

O horóscopo Chinês é dividido em 12 animais e 5 elementos. Justamente por isso um Si Fu se aposenta aos sessenta anos já que ele passou por todos os ciclos.

O período de cinquenta aos sessenta anos é considerado a “década de ouro” pois é o momento em que Si Fu faz a transição de um período jovem, portanto dotado de energia mas sem experiência período entre quarenta e cinquenta anos de idade, para um período maduro, onde se equilibra a energia e experiência. Está é uma década de grandes realizaçōes.

Com Mestre Senior Julio Camacho

Neste período de onze anos de prática pude viver com Si Fu diversos momentos de sua vida. Lembro das diversas vezes que ajudava meus irmãos Kung Fu a organizar a celebração.

Neste período tive a oportunidade de me portar como convidado, organizador e até figura de destaque. Vi eventos grandiosos acontecerem, ou a celebração ocorrer em uma pizzaria, e assim é a vida Kung Fu, repleta de momentos diferentes. Como disse, o aniversário do Si Fu é o evento mais importante para a família. Mas todo Si Fu é, antes de mais nada um praticante.

Encontro Temático Remoto

lembro de certa vez que estávamos no encontro remoto, sugeri falarmos sobre a celebração de aniversário.

Si Fu pediu para que explicasse melhor a razão do tema, então eu disse que por estar em vias de fazer trinta anos estava preocupado com o que eu tinha produzido para minha vida até então.

Em sua resposta, Si Fu pediu considerarmos que a todo momento fazemos história, portanto, pelo que entendi, independente da idade precisávamos estar atentos para fazer sempre o melhor, e não considerar somente o que a maioria das pessoas entendem como “ponto de virada”.

Mas, se eu precisava de um marco podia considerar minha “virada” de ano no Kung Fu.

Comecei a praticar aos dezessete anos, sendo assim, aos trinta e quatro o tempo que eu teria de vida Kung Fu e sem praticar seria o mesmo. Um marco grandioso já que o Kung Fu mudou drasticamente, para melhor, a direção da minha vida. A partir do ano seguinte eu teria um ano a mais de Vida Kung Fu, este ano sim, seria um ano de grandes mudanças.

Entendi que todos os marcos são simbólicos, por tanto, carregam a capacidade de simbolizar de cada pessoa. Trinta anos, socialmente é uma idade de virada segundo a sociedade de maneira geral, mas, para mim que tenho como profissão a arte marcial, faz mais sentido os trinta e quatro. Sem esquecer, ė claro, de que sempre fazemos história.

Resiliência

O Sistema Ving Tsun está dividido em seis domínios, e cada um destes domínios possui uma natureza própria. Hoje, vou falar sobre o entendimento que tive a partir deste momento do sistema sob a tutela do meu Si Fu, Mestre Sênior Julio Camacho.

Lembro de um tempo em que não tinha muita experiência do dia a dia do Mo Gun, mas também não era nenhum iniciante. Por falta de atitude voltada para a eficácia, ao executar as tarefas que me eram confiadas sempre havia algum problema e o que era para ser um processo de vida Kung Fu se tornava correção de erros.

Tinha muito medo de Si Fu desistir de mim por conta da quantidade enorme de erros. Neste período tomei o hábito de delegar minhas tarefas com a desculpa de que, como Si Hing, eu devia deixar meus irmãos Kung Fu terem experiência.

Na verdade, justamente por fazer isso as coisas pioravam. Como eu passava a responsabilidade, eu próprio me eximia de algumas experiências de modo que não orientava legitimamente e, por fim, meu Si Dai não desenvolvia seu Kung Fu Tampouco eu. Creio que a experiência que ficava para a pessoa era de que o Kung Fu é um trabalho constante de correção de erros, o que, é claro, nunca foi a proposta do Si Fu.

Mestre Leonardo Reis, Núcleo Barra, 2019

O tempo passou e houve um momento em que Si Fu teve uma drástica mudança de vida. Este foi, para mim, um período de grande angústia. Si Fu chegava muito cedo no Mo Gun e saía demasiado tarde, todos os dias. Além de administrar as questões da família Kung Fu, tinha pendências em sua vida particular que me pareceram estar gastando muita energia.

Nesta época um evento em particular me chamou a atenção. Quando Si Fu chegou no Núcleo para buscar algo e fui cumprimentá-lo, eu entrei em pânico; sua mão estava mole, de certa forma me pareceu sem vida. Me pediu com uma voz muito fraca e rouca para pegar o que foi buscar e que não demorasse, pois não estava se sentindo bem.

É comum aos estudantes do Gwan o início do domínio acontecer pelo que chamamos de “Jing Choi”, um dispositivo que pode ser traduzido como “Soco de Batalha” Neste dispositivo o praticante fica na posição Jim Mah, “base cavalo” É curioso saber que um dispositivo tem como tradução do nome “Soco de Batalha”. Quando se entra em guerra, o único jeito de sair é finalizá-la.

No dia seguinte, após o evento que tanto me assustou, encontrei Si Fu no Mo Gun — a meu ver, um pouco pálido, mas como se nada tivesse acontecido.

Fiquei surpreso. Achei que Si Fu tiraria uns dias para descansar.

Com Mestre Senior Julio Camacho, 2019

Vivi diversas experiências com após este episódio, como a experiência marcial tende a ser pesada houve um momento em que estava bastante desanimado. Não entendia mais todo o esforço em me aperfeiçoar como algo positivo.

Nesta época fiquei em uma espécie de limbo. Si Fu, percebendo meu cansaço e com o intuito de me dar tempo para me recuperar deixou de me solicitar. Este foi o período em que menos trabalhei na família Kung Fu, na época isto foi útil.

Hoje, relembrando este momento percebo que por falta de dedicação deixei de usar a experiência que vivi com Si Fu e que tanto me marcou.

Por isso, decidi entender a experiência da Vida Kung Fu como se fosse um estudo de “Jing Choi”. É claro que haverá momentos em que vou precisar descansar, mas, quando estiver em guerra, só paro quando a guerra acabar.

A Força Motriz das Realizações

Palanca Negra Gigante.

Fazer-se capaz, é uma das possibilidades adquiridas atravéz de um estudo responsável do Kung Fu. Por isso, o ideal de um refinamento constante e atualizado.

A jornada Kung Fu é um caminho que desenvolve, nutre e gera todo o potencial de realizações de objetivos, sejam quais forem.  Então, bastaria que o praticante permanecesse neste estudo, que naturalmente e com o tempo,  seria capaz de se tornar uma pessoa capaz de realizar qualquer coisa a que se propõe.

Contudo, há outros caminhos além da espera, quero dizer, através de uma busca ativa,  é possível desenvolver qualquer potencial latente, e desta forma, viver plenamente. Por fim, percebe-se que a grande questão inibidora de grandes resultados não é a falta de técnica ou saber específico, mas sim, apresentar-se como incapaz.

Com Mestre Senior Julio Camacho, Savana Angolana.

Si Fu sempre comenta que uma das maneiras para se aprender Kung Fu é em viagem, ele explica que seu próprio desenvolvimento aconteceu desta maneira acompanhando seu mentor ao redor do mundo. Por isso, sempre foi um desejo meu ter essa experiência com ele. Mas, mesmo com o desejo sincero e reais tentativas, demorei alguns anos para realizar meu intento.

Acontecia, que eu esperava que haveria um momento melhor, então aguardava. Depois, passada a viagem e ouvindo meus companheiros de jornada comentando sobre suas experiências além do próprio Si Fu compartilhando sobre como foi eu percebia que tinha perdido a oportunidade. Então, ficava frustrado e tentava né convencer de que na próxima viagem eu conseguiria. E assim segui, através de frustrações e esperanças renovadas que aos poucos foram perdendo sua força, no sentido de que eu esperaria mais.

Viagens em Família Kung Fu. Angola, 2017.

Em 2017, tive mais uma oportunidade de realizar meu desejo. Era uma viagem para a Angola, visitaríamos meu irmão Kung Fu William Franco. Na época, acreditava que para iniciar meu objetivo de viajar com Si Fu deveria iniciar com viagens curtas, no máximo entre estados do Brasil.    Mas, munido de um desejo genuíno e sobretudo apoiado pela família Kung Fu, consegui finalmente ter acesso aquele aspecto da experiência marcial até então um tanto nebulosa para mim.

Não era só minha primeira viagem com Si Fu, mas a minha primeira viagem internacional. O que foi uma grande sorte, pois já que estava envolto com a perspectiva do olhar marcial, pude aproveitar as experiências de maneira profunda e continua. Digo isto, pois no ano seguinte, pude oficializar o início de minha carreira como profissional de Ving Tsun.

Então, entendo que a capacidade de realizar desejos pessoais vai para além de uma grande habilidade. Ela depende de sorte, vontade, mas principalmente do entendimento profundo de que se você acha que pode ou que não pode em ambos os casos você tem razão.

Lealdade

(Reafirmação Discipular)

Lealdade e fidelidade são conceitos distintos, cada um aplicável a diferentes tipos de relações. Na minha definição, lealdade refere-se à devoção e comprometimento com alguém que está mais experiente ou possui uma posição de orientação, como um pai ou mentor. Por outro lado, fidelidade envolve compromisso e apoio em relações horizontais ou laterais, como amizades ou parceiros.

Na cerimônia de discipulado, os rituais e símbolos presentes não apenas simbolizam meu compromisso com meu mestre, mas também refletem minha disposição de seguir seus ensinamentos e orientações como uma figura de orientação e guia. É um compromisso de honrar e respeitar os princípios transmitidos pelo Si Fu (mestre), reconhecendo sua sabedoria e experiência na arte do Kung Fu. A isso, eu chamo de lealdade. Contudo, percebo que essa definição precisa ser constantemente atualizada à medida que nossa relação evolui ao longo do tempo.

 Com Mestre Senior Julio Camacho, Condomínio 02)

Ao longo dos anos de meu discipulado, vivi e continuo vivenciando diversas experiências. Durante esses momentos, recebo orientações e insights que me ajudam a crescer não apenas como artista marcial, mas também como pessoa.

Hoje, durante nossa caminhada, uma situação específica me fez refletir sobre minha lealdade.

Si Fu frequentemente me lembra que “morar em uma garagem não faz de alguém um carro, assim como dormir no Mo Gun não faz de alguém um Artista Marcial”. Por esta frase, entendo que o fato de fazer parte de uma escola de artes marciais, vestir o uniforme e praticar, ainda não garante a apreciação plena de todo o processo. É crucial exercer a atividade marcial a cada momento; para isso, as roupas, termos e espaços certamente ajudam, mas são camadas muito finas que por si só não garantem nada. O que efetivamente faz diferença é a postura do praticante, mesmo que metaforicamente ele esteja desprovido de tudo.

Na época, eu e um irmão de Kung Fu tínhamos o hábito de eventualmente dormir na escola, já que as atividades começavam cedo no dia seguinte. Certo dia, acordei mais cedo do que o necessário e decidi adiantar algumas tarefas. Como ainda era cedo, dobrei as roupas de cama e as deixei num canto para guardar depois. Também tomei a liberdade de ficar descalço e de bermuda. Pouco antes do início do dia, Si Fu chegou ao núcleo. Mesmo tendo acordado mais cedo e já estar trabalhando, havia roupas de cama, embora dobradas, espalhadas pelo espaço, e eu ainda estava de bermuda e descalço. Por isso, Si Fu questionou minha prontidão para o dia; neste momento, percebi que, apesar de meus esforços, ainda havia aspectos em que poderia ser mais leal aos ensinamentos recebidos. Gentilmente, ele me lembrou da necessidade de estar completamente presente e preparado, ou seja, uma vez acordado, efetivamente desperto.

Essa reflexão me fez perceber que a lealdade transcende simples obediência; é uma dedicação profunda à jornada compartilhada com meu mestre e à herança do Kung Fu que ele me transmite. Reconheço que, ao longo do tempo, essa relação não apenas fortalece minha capacidade física, mas também molda meu caráter e meu entendimento sobre disciplina e respeito.

Recebendo Mestre Senior Julio Camacho. Rio, 2022.

Percebo que a falta de lealdade foi com a palavra que Si Fu havia me dito tempos antes. Ele já havia alertado que, estando no Mo Gun, estou em uma constante batalha e que, embora seja crucial descansar, não devo esquecer o propósito de estar ali. Fazê-lo repetir o que foi dito fez com que eu enxergasse que, de maneira diferente, cometi o mesmo erro.

Ao mesmo tempo, percebo a relevância da relação vitalícia. O tempo amadurece a percepção e, justamente por conta da longa relação com Si Fu, pude perceber as vezes em que não estou tão atento quanto gostaria ao que ele diz. Não é raro ele ter que repetir as mesmas orientações para mim; por isso, questiono-me até que ponto estou sendo verdadeiramente leal.

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