Efeito

Ator e Artista Marcial Bruce Lee. Filme Operação Dragão

O que se entende por arte marcial está recheado de estereótipos. Eu próprio, quando iniciei minha jornada, buscava ser o melhor em combate. A perspectiva da invencibilidade me era atraente a ponto de achar que era possível.

Em pouco tempo, percebi que estava mal influenciado, as pessoas que lutavam com mais de uma pessoa ao mesmo tempo eram atores, e o sangue que recheava a tela da minha pequena TV não era sangue.

Então, para que investir energia em uma prática marcial?

Com Mestre Senior Julio Camacho e meus Irmãos Kung Fu William Franco e Claudio Teixeira. Angola, 2017

É difícil responder, creio que somente vivenciando esta experiencia que é possível, cada um a sua maneira, chegar a alguma conclusão.

O que fiz foi imergir no que chamamos de dimensão Kung Fu. Me dediquei e dedico com afinco a minha experiência prática e no contato com meu Si Fu.

Passo horas com ele, e, fui capaz, entre outras coisas, de cruzar o atlântico apenas para apreender, em outro cenário, o mesmo processo. Tive então, a oportunidade de extrapolar o turismo e as postagens nas redes sociais. Eu vivi a experiência.

Com Mestre Senior Julio Camacho, relação Si To.

Com esta bagagem, minha atenção se tornou perspicaz, a ponto de olhar para além do obvio.

Bruce Lee não é apenas um ator, é um revolucionário da industria cinematográfica. Não por seus feitos nos filmes, mas pela produção prévia que fez tudo aquilo ser possível. Há muito de Kung Fu nisto.

Ou, quando estou em aula e Si Fu me orienta na execução de algum movimento, não estamos falando somente da melhor forma de fazer movimentos, mas, usando a experiência marcial como uma ferramenta para entender como viver melhor a vida.

Compromisso

Foto Tradicional de Grão Mestre Leo Imamura e seu mentor, Patriarca Moy Yat.

Com frequência, reflito sobre a palavra compromisso e seu uso. Creio, que como todas as outras, ela expresse um sentido, trabalhando como um guia. De forma que o uso da palavra não realiza seu significado prático.

Por isso, além de refletir sobre as palavras, busco por exemplos para me inspirar.

Sabemos que foi graças a um pedido de patriarca Moy Yat a Grão Mestre Leo Imamura, que hoje temos uma ferramenta fantástica de estudo do Kung Fu.

Mais que isso, foi graças ao compromisso com seu Si Fu, que Si Gung desenvolveu no Brasil, e ao redor do mundo, um trabalho tão especial de transmissão.

Creio que toda esta dedicação, venha através do cultivo de anos de prática, de coisas simples a complexas, sempre com o compromisso de ouvir, e, sobretudo, executar o que foi combinado com seu Mestre.

Prática do Nível Superior Final com Mestre Sênior Júlio Camacho. Núcleo Barra, Downtown.

Ontem, nós retomamos as Aulas Master on line. E lá, tive uma experiência bastante construtiva com Si Fu.

Eu precisava executar determinado movimento da sequência. Tentei uma vez, não ficou bom.

Si Fu fez algumas orientações, pediu que um irmão Kung Fu executasse o mesmo movimento e fez algumas orientações a ele. É claro que eu observava.

Frisando que me daria mais uma chance, ele próprio reproduziu a sequência, e me pediu para demonstrar. Mais uma vez, não estava de acordo.

De maneira bastante incomum para o nível que estávamos estudando, Si Fu decidiu me dar mais uma chance.

Comecei de maneira insegura, na tentativa de corrigir, resolvi recomeçar, neste ponto, Si Fu encerrou a prática.

Fazendo um pedido que é comum ao fim de nossas práticas, Si Fu salientou que era crucial a sua execução naquele mesmo dia, já que, desta maneira, estaríamos nos trabalhando, por exemplo, contra a procrastinação.

Com Mestre Sênior Júlio Camacho, Núcleo Barra, CEO.

É claro que o corte que Si Fu fez na prática me incomodou. Ao mesmo tempo, me fez refletir sobre meu próprio compromisso com ele.

Creio que a principal tarefa de um discípulo, ou seu único compromisso, seja obedecer o Si Fu.

A obediência a que me refiro é literal não coloquial. Tal qual Grão Mestre Leo Imamura ou meu Si Fu que segue o exemplo de seu mestre.

O que aconteceu no momento da prática era que eu não estava ouvindo, não estava ali de forma integral. Por isso, não decorei toda a listagem apresentada.

Ou, de maneira mais simples, e talvez por isso tão especial, percebi que não obedeci. Por isso, deixei de desenvolver aquela parte da listagem que estudávamos.

Assim sendo, a menos que desenvolva minha habilidade, é claro que não me refiro a técnica, continuarei com esta pequena falha no meu Kung Fu. E, como uma espécie de cicatriz, cada vez que olhar para ela, vou lembrar do porque que ela está lá.

Trago neste texto apenas um episódio, mas, não posso deixar de considerar todas as vezes, desde que conheço o Si Fu que deixei de obedecer.

E, por causa disto, de maneira simbólica, quantas cicatrizes, ou “buracos” eu possa ter em meu Kung Fu.

Não anos, décadas.

Mestre Senior Julio Camacho e Grão Mestre Léo Imamura

A relação Si To, Si Fu, To Dai, é ímpar no Mo Lam. Um exemplo disto, é que a partir dela construímos todas as outras. Por isso, creio que todas as demais relações, justamente por possuirem sua própria dinâmica, devam se inspirar em sua origem.

Em outras palavras, saber o valor de sua família, ou seja, os valor de seu Si Fu, é crucial para se transitar na vida Kung Fu.

Com Mestre Senior Julio Camacho. Primeira foto Si To.

Há alguns anos, me perguntava quando tempo eu precisaria para ficar bom, seja lá o que isto queira dizer, de Kung Fu. Mesmo sem saber o que era, conclui que 10 anos seriam suficientes.

Para minha surpresa, em algum momento, ouvi meu Si Fu dizer que Kung Fu não se conta em anos, mas em décadas. Sendo assim, eu demoraria um pouco mais para conseguir meu objetivo.

Como não sabia exatamente o que buscava, iniciei o estudo do Kung Fu pelo próprio Kung Fu. Nada a mais nem a menos.

Por isso, me dispus a observar meu Si Fu sem preceitos ou preconceitos. Então, aos poucos, notei o que hoje entendo por valor familiar, a guarda.

Mestre Senior Julio Camacho, Grão Mestre Leo Imamura e Si Taai Vera Camacho

Após identificar o que entendo por um valor da minha família Kung Fu, passei a me questionar como ele foi desenvolvido.

Como disse no inicio do texto, a relação Si To é o que mais importa. Aprendi isso com meu Si Fu, é possível que ele tenha aprendido com o dele. Sobre o tempo, Si Fu pode ter aprendido que Kung Fu é contado através de décadas baseado em sua própria experiência. Hoje, completam-se três delas ao lado de seu Si Fu.

Valores, talvez todas as décadas ao lado de seu Si Fu te ajudem a desenvolvê-los. Por isso a necessidade de todo este tempo. Valores que muitas vezes são aprendidos com seus pais, onde o Si Fu te ajuda a entendê-los. Mas, isto por si não basta, já que além da necessidade de haver valores, é preciso defendê-los.

Arte Marcial

Mestre Senior Julio Camacho executa a sequência do Muk Yan Jong

A maior dificuldade que tive quando iniciei o estudo do Ving Tsun foi como usar, da melhor maneira, o meu corpo.

Contudo, demorei para entender que era esta a questão, uma vez que, naquele tempo, a “culpa”, sempre era atribuída a minha suposta falta de foco, habilidade, dedicação ou espírito marcial.

Sem dúvida, todas as dificuldades eram componentes dos meus diversos insucessos, mas jamais foram a principal razão.

Neste sentido, tudo que eu identificava, se tornou apenas desculpa para o não fazer ou não fazer direito.

Claro, como se aprende a ter foco? Como se desenvolve o espírito marcial? Ou, como se adquire habilidade?

A resposta padrão, e, me parece, mais adequada, é, praticando.

E assim o fiz. Naquele tempo, de maneira retórica.

Entendo desta forma pois sei hoje e sabia na época, por mais que seja uma verdadeira e honesta resposta, não responde absolutamente nada.

Onde estava, então, o verdadeiro problema? Simples, o problema não estava na resposta, mas sim na pergunta. Melhor dizendo, na maneira de perguntar.

Ving Tsun Kuen Kuit. Nesta imagem, vemos a obra que trata os domínios do Sistema Ving Tsun.

O sistema Ving Tsun é dividido em seis domínios, cada um com sua própria natureza e de forma complementar. Assim sendo, não há nada antes, ou depois do que está grafado.

Portanto, ao menos na fase inicial, é crucial que seja mantido seu ordenamento.

Somente assim, o praticante terá a oportunidade de desenvolver seu Kung Fu de maneira completa.

Com a experiência, o aprendiz entende, por exemplo, onde os movimentos corporais de combate simbólico se separam ou se combinam.

Como exemplo, podemos usar o Siu Nim Tau, primeiro domínio do sistema, onde, nitidamente há o isolamento dos membros superiores com relação aos inferiores..

É claro que isto não significa que na prática do Siu Nim Tau não se usa pernas. Significa que o foco não está nas pernas. Elas estão ali, por assim dizer, embrionárias. Assim, chegamos a solução do problema que apresentei no início do texto. Uma das formas de se entender o uso do corpo, é entendê-lo por partes.

O primeiro passo é isolar as partes para que se possa apreciá-las em sua individualidade. E, aos poucos, inserir mais peças,como em um quebra cabeças.

Então, na época, minha maior dificuldade foi entender como trazer a luz partes separadas do corpo, de forma a melhor apreciá-las.

Hoje, vejo que a pergunta a ser feita no passado não era como ficar mais habilidoso, e sim, como melhor explorar o domínio do Siu Nim Tau, Cham Kiu, e assim em diante.

Mestre Senior Julio Camacho, demonstra na sequência do Muk Yan Jong a sincronia entre seus movimentos e um elemento externo, o próprio boneco.

Como dito, usar o corpo da melhor maneira possível, ou, em nosso linguajar, de forma estratégica, é crucial para o desenvolvimento de todas as habilidades e questões comuns aos iniciantes.

O desenvolvimento físico é tamanho que após a habilidade de separar, adicionamos a de juntar. De maneira que todo o corpo trabalha em uníssono, ainda que fazendo movimentos diferentes. Em prol de um objetivo, a linha central.

Mas, é preciso lembrar que não estudamos uma arte de melhorar habilidades, estudamos o Kung Fu e todas as atribuições que esta palavra, ou, estado expresso por palavra, traduz.

Assim sendo, a melhor maneira de se usar o Ving Tsun, que é uma ferramenta, é, usá-lo no desenvolvimento do Kung Fu.

Desta maneira, todas as técnicas serão entendidas não só como técnicas, mas expressões pessoais. Dando uma roupagem artística a prática, e, finalmente, se tornando uma arte marcial.

A melhor maneira de se obter este conhecimento é com seu Si Fu. Ele quem tem acesso a todas as ferramentas e conhecimento íntimo para orientação individualizada.

Então, sugiro a todos a se envolverem, como eu e tantos outros, no estudo especial que estamos fazendo.

Se inscrevam nos cursos que estamos oferecendo, esta, sem dúvida, será a melhor via de acesso ao conhecimento mais profundo, portanto, essencial de nossa arte.

Bruce Lee, um dos discípulos de Patriarca Ip Man

Em uma entrevista, Bruce Lee opinou sobre qual era a essência das artes marciais.

Segundo ele, é ser autêntico. Eu gosto de pensar que isto significa estar em contato o tempo todo consigo.

Seja em momentos onde nossos potenciais se sobressaem ou nossos defeitos. No Fundo, não importa.

Pois, de alguma maneira, ainda que adaptado a casa situação, ser o exatamente o que se é, é fundamental para se viver uma vida plena.

E o que nós somos?

Creio que, em certo aspecto, somos todos artistas. Reparem que uso a palavra artistas no sentido de expressão pessoal.

Portanto, todo ser humano, pode e deve se aperfeiçoar, seja técnica, pessoalmente, entre relações , outra vez, o como não importa.

Bruce Lee, por exemplo, seguiu o caminho do Kung Fu através do cinema, Patriarca Moy Yat, meu Si Gung, Grão Mestre Léo Imamura meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho e eu, seguimos o caminho da transmissão.

Por isso, neste sentido, não importa a relação entre estas pessoas. Todos são, em essência, e em aspecto ordinário, To Dai e Si Dai.

Assim sendo, em minha opinião, não é necessário vestir uma máscara ou roupa de Si Fu ou Si Hing, já que o respeito no caminho das artes marciais não se mede por títulos.

Prática do Programa Fundamental, Núcleo Barra.

Há algun tempo, busco transformar minha prática em um instrumento de autenticidade.

Em outras palavras, sempre que pratico ou conduzo alguma prática, todos os movimentos devem cumprir o papel a que vieram.

Tento não permitir que aconteçam brechas ou mais de uma interpretação. Sempre claro, justo e transparente.

Acontece que esta atitude, que hora traduziu a minha maneira de praticar ou conduzir uma prática tomou proporções grandiosas. Hoje, isto se reflete na minha maneira de agir ou lidar com as pessoas.

Para não perder a referência ou exagerar, busco sempre lembrar do que chamei de essência ordinária: antes qualquer coisa, sou Todai e Si Dai.

Estudos Especiais, “Muk Yan Jong”


Toda essa reflexão, descrita nas linhas acima teve início na prática que aconteceu há poucas horas, que possui de especial muito mais que seu nome.

Si Fu finalmente retomou sua rotina de contato prático conosco.

Isto é particularmente especial já que as semanas que passamos sem contato foi bem difícil para mim.

Por uma única razão, autenticidade. Ou, usando uma palavra que se adequa melhor ao contexto, fidelidade.

Acontece que com a ausência momentânea do Si Fu, lancei-me o desafio de seguir a risca tudo o que ele em algum momento sugeriu ou definiu através de reuniões com seus discípulos.

Não foi uma atitude fácil, para ser honesto, foi extremamente difícil, e talvez a razão de tamanha dificuldade seja simples.

Na prática de hoje com Si Fu, trabalhamos alguns movimentos que executo há anos, em outras palavras, meu corpo já está habituado a mecânica exigida.

Mas, apesar de toda mecânica bem trabalhada, tive dificuldade de executá-lo na frente do Si Fu e meus irmãos Kung Fu.

E, como disse acima, inclusive, a razão pode ser a mesma, o motivo talvez seja simples.

Tanto no que se refere ao que chamei de fidelidade ou execução técnica da sequência,o problema está no saber.

Eu sei como ser fiel ao Si Fu, afinal, estamos juntos há muitos anos.

Eu sei executar a sequência do boneco de madeira, afinal, prático há muitos anos.

Mas, entre o saber que sabe e o saber que executa, existe um abismo que, embora gigantesco, reside nos mínimos detalhes.

Agora, sigo meu caminho onde busco me tornar cada vez mais autêntico. Melhor minuciado e, por sorte, ao lado do Si Fu.

Combate

Donnie Yen interpretando patriarca Ip Man no filme “ O Grande Mestre

Há diversas formas de se combater. Para todas as maneiras, a etimologia da palavra é a mesma.

“Com”, trás a ideia de junto. Portanto, para se combater é necessário a contraparte, que não necessariamente é uma pessoa.

Patriarca Ip Man executando Siu Nim Tau

Um dos combates travados na prática marcial, é o combate interno.

Sobre interno, podemos abordar por duas perspectivas.

Uma é a ocidental, que considera a perspectiva do estado. Portanto, interno é o que está dentro.

Outra é a oriental, que considera o movimento, então, o que vai para dentro.

Mestre Senior Júlio Camacho praticando a sequência do Mui Fa Jong

Considerando a perspectiva ocidental, podemos dizer que combate interno é estar diante de seus “demônios.”

Por demônio, me refiro a todo e qualquer sensação ou sentimento que nos atrapalhe a evolução.

Podemos citar medo, angústia, ansiedade e outros. Mas talvez estas não sejam a questão.
Estar diante seu seu próprio demônio é interagir com o que mais nos assusta individualmente, portanto, os sentimentos comuns podem não ser suficientes para expressar do que de fato tratamos.

No caso da perspectiva oriental, o combate simbólico trata do que vem de fora pra dentro.
Pode ser um golpe, uma opinião mal posta ou qualquer tipo de estrutura que nos obrigue a negá-la.

Está negativa é na verdade a comprovação da fraqueza do indivíduo em tal cenário.

Por isso, Patriarca Moy Yat dizia que se pode medir a grandeza de um homem por sua capacidade de aguentar coisas.

Me parece que as duas perspectivas colocam o indivíduo em foco. Sendo assim, ele ou ela tem a incumbência de lidar com sua dificuldade.

Em outras palavras, em uma guerra interna, não cabe desculpar a si, ou, mais ainda, culpar à outrem.

Um contador

Estudo do Nível Superior Inicial, com Mestre Senior Julio Camacho

O termo Si Fu muitas vezes é traduzido como mestre, pai ou líder.

Considerando as últimas conversas que tive com meu Si Fu antes dele se mudar para os EUA, entendo que o registro mais importante é o de Homem maduro.

A razão disto, é que toda pessoa considerada Si Fu, completou sua jornada no Sistema Ving Tsun.

Considerando os seis domínios que integram três fases, é fácil entender porque um Si Fu é considerado um homem maduro.

Mestre Senior Julio Camacho estudando o Nível Superior Final

O Último nível, é particularmente interessante.

Ao longo do sistema existes diversas experiências no sentido de conteúdo e abordagem.

A meu ver, o esperado é que o praticante experiencie cada um desses momentos de acordo com o cenário proposto. E assim se desenvolve o Kung Fu.

No último nível, o discípulo tem uma bagagem bastante grande de experiências, por isso, ele é convidado a corporalmente contar sua história.

Então , ao demonstrar o Baat Jaam Do, o discípulo tem a oportunidade de checar o que aprendeu ao longo dos anos e se o que foi percebido faz sentido pra sua jornada.

Este é o caminho de maturidade comum a todos nós, assim sendo, é preciso que muita coisa de qualidade tenha acontecido.

Pois, somente assim a história terá conteúdo relevante para ser mostrado ao final.

Cinema em Família Kung Fu . Viagem a Angola, 2017

Há treze anos eu escrevo uma história. Um dia, irei contá-la por completo.

Por isso, é minha responsabilidade está atento a todas as regras gramaticais, no caso, marciais, deste conto.

A história não precisa ser bonita ou feia, necessita ser verídica, e sobretudo verificável.

Caminho lado a lado com meu Si Fu escrevendo minha história. Por caminhar junto acompanho, e de certa forma vivo a história dele.

No fim, cada um tem seu conteúdo, mas por estarmos tão próximos, não há porque ser diferente.

Eu, enquanto um estudante do Nível Superior Final, nunca deixarei de ser, sou um contador de histórias.

Si Fu, um homem maduro contador de histórias.

Em breve, serei também um homem maduro.

Justamente por isso, serei capaz de absorver melhor as histórias de meu Si Fu.

No fim, a relação se equilibra e continuamos como sempre. Seguindo juntos.

Aproveitar

Colóquio com Mestre Senior Julio Camacho

É comum ouvir Si Fu dizer que o Ving Tsun é a arte marcial para a luta do dia a dia.

Sempre que ouço este comentário, me pergunto o quanto que estou conduzindo minha marcialidade para este aspecto.

Por fim, me flagro criando sistemas mentais que contemplem esta proposta.

Mestre Senior Julio Camacho Tutorizando minha prática

Contudo, me parece haver um erro conceitual.

A marcialidade, necessariamente, deve ser expressa pelo fisico.

É claro que cérebro é corpo, mas o que quero dizer é que os mecanismos que conduzem o pensamento devem, de alguma forma, gerar movimento para além de seu próprio limite.

Sendo assim, pensar apenas é uma parte do processo, nunca será o todo.

Ontem, enquanto estava com Si Fu e diversos irmãos Kung Fu no colóquio, a todo momento, tentei levar cada coisa dita para a ação.

Em determinado momento, Si Fu falou sobre o desenvolver a marcialidade pela internet.

Sobre este tema, ele falou por diversos minutos, o que entendi, resumidamente, é que a marcialidade é a capacidade de concentrar.

O que é perfeito em um cenário como a internet já que a dispersão é fácil e, não precisaria, comum.

Ao ouvir isto, terminei de responder uma mensagem enviada a mim por um aluno, avisei que ficaria um tempo ausente e desliguei o telefone.

Assim, eu concentrei. Coloquei tudo de mim, ou o máximo que eu pude naquele momento, tentando apreciar o máximo possível.

Este foi meu desenvolvimento prático em um evento em princípio teórico.

Mestre Senior Julio Camacho, antigo Núcleo Barra/O2

Qualquer atividade com Si Fu é um instrumento de aprendizado.

Estar atento, saber absorver o que é dito são habilidades desenvolvidas na prática e não no pensamento de como fazê-lo. Por isso, é preciso praticar.

Como diz o Si Fu, Ving Tsun é a Arte Marcial para a luta do dia a dia.

Ou seja, o que é desenvolvido na experiência marcial precisa ser usado em todos os cenários.

Se assim for, cada discurso realizado por um artista marcial será aplicado em sua própria vida.

Em outras palavras, bancar o que se diz é sinal de Kung Fu.

Fico muito feliz em estar com o Si Fu e poder ouvir seus discursos ao longo de tantos anos pois vejo, sem sombras, eles sendo aplicados.

Quando presencio em um colóquio Si Fu se aproveitar de temas tão diversos e conectá-los, como se fossem roteirizado, e sabemos que não foram, tenho o melhor exemplo de “ se aproveitar de qualquer situação, sendo ela favorável ou não.”

Aliás, já ouviram esta discurso em algum lugar?

Soco de Batalha

Com Mestre Senior Julio Camacho. Núcleo Ba Barra da Tijuca/Downtown

Todo movimento possui um início, meio e fim.

Saber se aproveitar de cada etapa sob a perspectiva do todo, é o caminho da excelência na prática marcial.

A razão disto, creio, é simples. Um movimento por si não considera consequência.

Também por isso, a melhor maneira de se aplicar, por exemplo, um soco, não é tão importante.

Valorizamos seu desdobramento. Em outras palavras, a partir deste soco, o que é possível fazer?

Com Mestre Senior Julio Camacho. Observados por meus irmaos Kung Fu, Mestre Leonardo Reis e Tutor Pedro Correa

Obviamente, isso vale “para frente”, portanto, o desferir do soco, e “para trás” , o que permite que ele aconteça.

Aprofundando um pouco mais o estudo da arte marcial, entendemos que a guerra possui início, meio e fim.

Mas, não como pode ter dado a entender o início do texto

Para se entrar em uma guerra, necessariamente é preciso ter certeza de que se poderá sair dela com êxito.

Ou seja, entra-se no campo de batalha, caminha-se por ele e retorna pra a base.

Isto significa que o guerreiro não morreu no caminho.

Considerações finais.

Em nosso caso, como tratamos de combate simbólico, morrer não é literal.

Pode significar que cansamos e desistimos, fomos golpeados, ou não conseguimos expressar nossa marcialidade.

Seja como for, entendo que esta morte, tal qual a real não é ou não deve ser desejada, apesar aceita, se vir.

Pois, como o soldado que vai a guerra se empenha em seu retorno, devemos sempre, como artistas marciais, ir até o final em qualquer coisa que propusermos fazer.

Somente assim, ainda que “ferido”, o praticante experimentou o bom combate.

Parceria

Cerimônia Tradicional da Família Mo Jo Lei Ou. Setembro de 2017

A jornada no Kung Fu costuma ser longa e árdua. Por isso, fortalecer os laços de amizade é crucial.

Desta forma, sempre que há um empecilho ou alguma desmotivação, o colega pode te ajudar a levantar o moral e assim continuar caminhando. Ambos juntos.

Já presenciei diversas relações neste nível no âmbito marcial. Mas, a que mais me inspira é a relação de Meu Si Fu, termo em chinês para mestre, Mestre Senior Julio Camacho e minha Si Suk, termo em chinês para alguém mais novo que seu Si Fu; a também Mestre Senior Ursula Lima.

Antigo Núcleo Barra, Dirigido Por Mestre Senior Julio Camacho apoiado por Mestre Senior Ursula Lima

Por diversas razões sou inspirado por essa relação. Uma delas é o fato de por tantos anos, Si Suk Ursula ter contribuído com o desenvolvimento de todos os alunos de meu Si Fu. Certamente fui um destes privilegiados.

A relação era tão próxima, que era comum vermos Si Suk Ursula o mesmo número de vezes, em alguns casos até mais, que nosso Mestre. Tamanha a dedicação desta exímia praticante.

Outro Ponto crucial, foi o fato de Mestre Senior Ursula Lima ser responsável, apoiando o trabalho de meu mestre, pela formação de quase todos os tutores e Mestres residentes no Estado do Rio de Janeiro.

Nossa organização, cresceu exponencialmente por conta do trabalho dedicado destes dois.

Além disto, Mestre Senior Ursula Lima foi a primeira mulher de nossa instituição a atingir o Status de Mestre, categoria anterior a Mestre Senior, recebendo reconhecimento internacional por seu feito.

Cerimonia Tradicional dos membros da escola de Mestre Senior Ursula Lima. Como Mestre de Cerimônia meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho

E depois de tantos anos de parceria, meu mestre sempre que pode retribui o carinho e dedicação de Mestre Senior Ursula Lima dedicou a seus alunos.

Seja através do acesso direto ou por um pedido a seus alunos, meu mestre contribui com o fortalecimento e crescimento dos alunos de Mestre Senior Ursula Lima.

Iniciei o texto dizendo que me inspiro na história dos dois, claro, como não se inspirar em uma relação onde o apoio é mútuo e, como consequência, o desenvolver particular e de toda uma instituição é constante?

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