
O DNA é a base molecular que explica a hereditariedade e a transmissão de características genéticas de pais para filhos. Em uma família, os membros compartilham uma parte significativa do seu DNA, o que explica as semelhanças físicas e predisposições genéticas
Uma representação visual das relações familiares e linhas de descendência é chamada de árvore genealógica. Ao mapear uma árvore genealógica, é possível rastrear como o DNA e as características genéticas foram passados de uma geração para outra. Assim, o estudo do DNA pode ajudar a confirmar parentescos e a compreender melhor a história genética de uma família.
Em geral, a relação entre praticantes de artes marciais também é baseada em uma estrutura familiar, onde as características daquela família podem ser facilmente reconhecidas, já que estes membros também compartilham parte significativa de seu DNA. Neste caso, como nem todos fazem parte da mesma tipagem sanguínea, ou seja, são parentes, o DNA é chamado de DNA cultural.

Fazendo parte da linhagem Moy Yat, nosso compromisso é a transmissão pura e integral do Sistema Ving Tsun. Isso significa que tudo o que for transmitido deste sistema será sua essência, sem interpretações distorcidas ou desvios; para mim, isto significa a pureza. Quanto à integralidade, é a garantia do aprendizado de todos os seis domínios, do Siu Nim Tau ao Baat Jaam Do, sem ausências ou inclusões.
Assim sendo, é possível entender que a prática de um sistema marcial possui princípio, meio e fim. De fato, é isto. Mesmo assim, nota-se que, após a conclusão do sistema, os discípulos continuam seguindo seu mestre e assim se desenvolvendo. Isso acontece porque a prática do sistema possibilita o desenvolvimento do Kung Fu, que é material, por ser expresso através de pessoas, e infinito, já que não está limitado à condição física delas.
Para aprofundar o entendimento, o que chamo de Kung Fu é justamente a expressão pessoal do líder de família na execução, transmissão e tradução daquela arte. Ou seja, a técnica do sistema é comum, mas a forma como se aborda aquela técnica ou se extrapola seu sentido é individual a cada núcleo familiar. Eis, portanto, uma representação do que meu Si Fu chama de DNA cultural.

Como somos uma escola de Kung Fu e não uma escola de um sistema marcial, é necessário que nossa expressão marcial extrapole o ambiente do Mo Gun, que é o espaço idealizado para o aprendizado do sistema e desenvolvimento do Kung Fu. Por isso, a todo momento, somos convidados a experienciar o sistema fora do ambiente ideal. Isto pode ser desgastante em diversos níveis. Para mim, uma explicação para o desgaste é a dificuldade de entender que o conteúdo marcial pode ser percebido nas ações corriqueiras do dia a dia; quanto mais comum, melhor. Fazendo desta forma, o que acontece é o desenvolvimento de um novo tipo de inteligência.
Como é desgastante, é crucial que exista um grupo coeso e disposto a se desenvolver e se apoiar mutuamente nos momentos de fraqueza; esta é a árvore genealógica, ou seja, a família Kung Fu.
Em nosso caso, na família Moy Jo Lei Ou, entendo que todo o aprendizado se desenrola para um fim muito específico e maior que qualquer leitura superficial. Para mim, o apoio é o principal registro de nosso Si Fu e, portanto, a expressão de seu próprio Kung Fu. Não à toa, e há muita sabedoria e experiência marcial nisso: Seguir juntos!