As três Etapas

Última Visita Oficial de Mestre Senior Julio Camacho ao Brasil. Março de 2024.

O sistema Ving Tsun de Kung-Fu é uma abordagem que busca desenvolver habilidades marciais e pessoais, dividida em três fases distintas: fase estruturada, fase semi-estruturada e fase não-estruturada. Cada uma dessas fases possui abordagens peculiares, permitindo que o praticante se desenvolva de forma integral e independente.

A meu ver, a fase estruturada possibilita que o praticante desenvolva um profundo conhecimento sobre si mesmo, desde suas limitações até suas habilidades, valendo-se de abordagens específicas do sistema Ving Tsun, como a Linha Central, por exemplo.

Considerações sobre o uso do bastão aos presentes. Ano de 2019.

Após dominar a fase estruturada, os praticantes avançam para a fase semi-estruturada. Nesta etapa, o entendimento dos limites do próprio corpo é expandido para incluir o uso de objetos externos, como instrumentos ou armas. Essa fase é crucial para o desenvolvimento de habilidades avançadas de Kung-Fu, pois exige que o praticante integre a coordenação e a capacidade corporal com a manipulação precisa de ferramentas externas. O estudo nesta fase envolve o uso de bastões e facas, além de práticas que simulam a utilização de objetos cotidianos como extensões do corpo. O objetivo é que os alunos desenvolvam uma compreensão intuitiva e prática de como interagir eficazmente com o mundo ao seu redor, usando objetos como parte de sua técnica marcial.

Estudo do Nível Superior Final

A fase final do sistema Ving Tsun é a fase não-estruturada, onde os praticantes aplicam o entendimento sistêmico adquirido nas fases anteriores para situações do dia-a-dia. Essa fase reconhece que as situações cotidianas são absolutamente imprevisíveis, exigindo uma adaptação rápida e eficaz das habilidades marciais desenvolvidas.  A meu ver, nesta etapa o praticante tem profundos conhecimentos sistêmicos,  de maneira que a expressão marcial está incluída no menor gesto. Aqui, um instrumento não é entendido mais como algo externo, a partir do momento que o praticante deste nível toca algo para além de si, este passa a ser sua propriedade, no se tudo de continuação do próprio corpo.

O curioso é que não é preciso estarmos estudando qualquer fase em questão para termos experiências daquele momento do saber. Por exemplo, eu tenho acesso a fase semi estruturada do sistema, mas, estudando está fase e a anterior através das listagens, pude perceber um padrão que tenho que atrapalha meu dia.

Notei de forma sutil, como estou suscetível a pequenas distrações que interrompem meu raciocínio, sejam elas internas ou externas a mim, ou me tiram completamente da tarefa que estava fazendo.  Ou seja, mais de uma vez, me flagrei executando a sequência do Siu Nim Tau enquanto pensava em problemas pessoais ou afazeres posteriores. Isso não se reflete apenas enquanto trabalho o sistema Ving Tsun, se não estou atento, acontece em qualquer momento.

Futebol em Família Kung Fu.

Por isso, a conclusão do meu entendimento é de que o sistema Ving Tsun de Kung-Fu, com suas três fases distintas, oferece um caminho claro e progressivo para o desenvolvimento completo do praticante. Desde a compreensão dos limites do próprio corpo na fase estruturada, passando pela interação com o mundo externo na fase semi-estruturada, até a aplicação prática em situações imprevisíveis na fase não-estruturada, o Ving Tsun promove uma evolução contínua e integrada. Ao concluir esse percurso, o praticante não só alcança uma alta maestria nas artes marciais, mas também desenvolve a capacidade de enfrentar e superar os desafios da vida com calma, eficiência e sabedoria, tornando-se uma pessoa mais equilibrada e resiliente.

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