
Grão Mestre Leo Imamura e Mestre Senior Julio Camacho, monastério Siu Lan.
O que torna algo tradicional é a sua entrega, assim, gerações tornam vivo o que há muito havia iniciado. É importante observar que no processo de entrega, é imperativo a atualização. Somente desta forma, qualquer processo longevo sobrevive as “intempéries” da passagem do tempo.
No que diz respeito as atualizações de nossa linhagem, noto uma grande atenção para com a posteridade; já que a entrega pura e completa do sistema Ving Tsun é característica dos descendentes de Patriarca Moy Yat. Por exemplo, temos a preocupação de Grão Mestre Leo Imamura em atender o pedido de seu mestre e criar o Ving Tsun Experience, ou mestre Senior Julio Camacho, em continuar seu legado através do Programa Fundamental.
Além da elaboração do programa fundamental, vejo como um grande passo a pequena atualização, no sentido de transmissão, do programa tradicional por marte de mestre senior Julio Camacho. Esta pequeno direcionamento sobre como se procede a transmissão em nossa família, para mim, indica um grande crescimento no sentido de desenvolvimento pessoal de cada praticante.

Estudo do Nível Superior Final com mestre Senior Julio Camacho.
A proposta de transmissão do sistema tradicional na família Moy Jo Lei Ou ocorre pela relação Si Hing Dai. Desta forma, Si Fu fica disponível para aparar as eventuais arestas e desenvolver o Kung Fu de acordo com a demanda do próprio praticante, além de propor, de forma individualizada, os entendimentos pessoais do sistema.
Pessoalmente, acho maravilhoso este processo, já que a responsabilidade de construção do Kung Fu daquele indivíduo passa a ser de toda a família, inclusive, no sentido prático, e se evita vícios, vez que a troca é com diversos membros.
Além disto, creio que assim, o próprio praticante comece a tomar posse de seu Kung Fu convidando seus contemporâneos a praticar, pois não existe, nesta dinâmica, a figura de um professor. Portanto, logo o praticante entende que o cenário é bastante rico pois todos, a todos os momentos, aprendem.
Há alguns dias, estávamos estudando a listagem do nível superior final, éramos nove pessoas em uma sala, Si Fu tinha saído e quando retornasse daríamos prosseguimento ao estudo. Eu estava com pouco tempo; já que logo em seguida tinha outro compromisso. Por haver tanta gente e em momentos diferentes, o nível de discussão sobre detalhes e possibilidades era bastante alto, o que poderia fazer com que deixássemos de passar juntos por todas as partes. Na medida que pude, tentando respeitar ao máximo o tempo de todos, inclusive o meu, tentei dar seguimento ao que havíamos combinado com Si Fu, creio que tenha funcionado.

Fim de um dia de prática.
Responsabilizar- se pela próprio desenvolvimento é uma exigência natural do estudo das artes marciais. Lembro-me, como em diversos cenários eu pude experimentar essa necessidade com meu Si Fu, mestre Senior Julio Camacho; no último nível, creio que esta naturalidade seja levada ao extremo, pois é o último conteúdo da fade semi estruturada, ou seja, ali, parece-me ser a ultima chance de se desenvolver o Kung Fu em um cenário que possui camada última de algum nível de estrutura.
Então, acredito que tendo o praticante iniciante a percepção de que o kung Fu depende de iniciativa pessoal, desde muito cedo, trabalhará as condições necessárias para que seu desenvolvimento seja melhor trabalhado, por isso, para mim, uma das maiores contribuições do Si Fu para o sistema Ving Tsun, mas sobretudo, para a sua descendência direta, seja a forma como ele estrutura os nossos programas.
Por Fim, julgo não serem beneficiados apenas os novos praticantes. Não tenho dúvida, que o fato de ter absorvido o que queria, dentro de um cenário complexo e com muita gente, como na história que contei acima, adveio da própria imersão na dinâmica das propostas do Si Fu. No primeiro momento, no sentido de entender o que ele propunha para poder reproduzir, depois, para que usasse tudo o que foi dito no sentido de transmissão, como base na construção do meu próprio Kung Fu.