O Caminho em Prática

Artista Marcial em prática.

Qualquer jornada pressupõe desafios, sabe-se previamente que haverão dificuldades e obstáculos a se interporem, estes, em geral, são os principais inibidores do desejo de continuidade, quando se desiste, ou o motor propulsor, quando se chega ao objetivo. Aliás, o desejo muitas vezes, talvez sempre, é o motivo de se iniciar, continuar e finalizar qualquer tarefa.

Isto vale para quando a dita jornada acontece por iniciativa pessoal, caso contrário, ou seja, não existindo desejo, deixa de haver valor, algum motivo ou glamour. Assim sendo, nota-se que a norma é nem começar. Penso, que baseado no precedente, nasce a ilustração da conduta marcial adotada no ocidente; através de imagens de grandes esforços, desafios, e histórias de superação; A partir deste ponto, nascem os heróis.

Há aí um equívoco a meu ver. Kung Fu, diz respeito sim a grandes esforços, sobretudo o esforço de se tornar a força invisível. Por este aspecto, gera-se, aos poucos, o chamado alto nível.

Portanto, baseado em um sistema e na relação Si To ( Si Fu – Todai), o discípulo tem acesso à aspectos mais íntimos e caros de seu mestre, sendo estas suas bases, e os caminhos práticos que serão capazes de conduzir ao desenvolvimento humano.

Estudo do Nível Superior Medial com Mestre Senior Julio Camacho.

O esforço e o desejo associados são um grande mecanismo de conquistas. Como catalisadores, é esperado se crer que são os melhores ou únicos; o que gera reação em cadeia onde se percebe, ao menos é o que muitos acreditam, serem a qualidade máxima necessária àqueles que buscam algum nível de sucesso. A reação natural para este processo é a falta de tato para os eventuais desajustes ou mesmo perigos envolvidos no processo. Segue então, que existem sistemas capazes de inibir os malefícios do método de forma a aperfeiçoar seu uso, para o fim de haverem apenas benefícios.

O sistema Ving Tsun, muito claramente, e desde seu início, dispõe à todos que se interessam suas ferramentas, são aspectos basilares para toda uma construção. Por básico, espero que entenda que é o que está por base, o que não é necessariamente fácil.

Assim, basta então, diminuir o desejo e ser sutil. Quero dizer, toda a vontade deve estar de acordo com o cenário apresentado, então, a partir da adequação, o desejo naturalmente diminui, com pouco esforço. O que é, em seu tempo, a arte de se tornar sutil. Mais uma ressalva, o esforço natural advém do esforço não natural, ou seja, a vontade, muitas vezes inabalável, de se atingir um fim; acontece que com muito esforço, a associação da vontade ao cenário torna o que é inabalável em adaptável, por fim, consegue-se o mesmo de maneira similar, com muito trabalho, mas sem desperdícios de energia.

Antigo Núcleo Barra, condomínio O2.

Por si, o supracitado é um excelente cenário de desenvolvimento do Kung Fu, mas não é tudo. Quando não se tem desejo, mas é preciso ser feito, o momento se torna muito mais complexo. Entre várias lembranças que tenho do Si Fu, a que me vem a memória, certamente por conta dos registros de nossos contatos mais recentes, tratam do que eu entendo como a cultura da família Kung Fu.

Parece-me que o compromisso e a manutenção das palavras é a pauta que norteia todo o modo de viver do Si Fu, em nossos contatos, sempre esta característica toma espaço, e por ela fazemos valer a minha experiência marcial, mesmo muitas vezes eu não sendo capaz de apreender tudo, seja por não ter o moral tão bem trabalhado, ou por não ter vontade. E ai vem, o que para mim, é a relação Discípular, o compromisso.

Assumindo a relação Discípular, o Si Fu garante a entrega de todo o sistema aquele discípulo, de sua parte, o seguidor assume a responsabilidade de acompanhar seu mestre e desenvolver tudo o que lhe for passado, baseado, claro, nas circunstâncias, mas independente do momento.

Há alguns dias, Si Fu completou meu Kung Fu. Portanto, a parte dele está feita, o que segue é minha tentativa de levar adiante. Com a proposta de manter nosso combinado, desde então, refiro-me ao ato de entrega, busco acordar alguns minutos mais cedo, todos os dias, mesmo fins de semana, e quando houver, feriado , para estudar o que foi apresentado. Por vezes, o processo ocorre com muita vontade e disposição, outras vezes, um pouco menos animado, mas sempre pelo compromisso, que é, como disse antes, o que entendo ser o “espírito” da família, em outras palavras, nosso Kung Fu. Este é hoje, o principal dispositivo que criei para manter contato com meu Si Fu. O principal hoje; e certamente a principal, não única, base para os próximos.

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