Reflexões Avulsas.

Início das Atividades com Mestre Senior Julio Camacho.

Em algum nível, tenho dificuldade em perceber o limite das coisas. Saber quando continuar ou onde parar é um desafio constante. Nestes instantes, sempre me questiono que referência seguir.

Pensava que seria fácil, quero dizer, basta atuar com Kung Fu. Mesmo assim, apesar de agir considerando ter por base uma boa interpretação da experiência marcial, tenho dúvidas sobre o que é exatamente o Kung Fu. Penso que a interpretação teórica, apesar de um bom guia, não conclua a questão.

A prática é a experiência mais adequada para este fim, pratica dos dispositivos do sistema, mas sobretudo, do Kung Fu em seu sentido mais amplo. E por ser prático, hoje, não vejo jeito outro que não a subjetividade. Por isso, tanto me dedico ao seu estudo. Curioso usar a expressão “tanto” já que ao usá-la eu quis dizer que dedico muito, porém, sabe-se lá se muito é o suficiente.

Naquele dia, véspera de buscar o Si Fu no aeroporto, dormi pouco; combinei de encontrar meus irmãos Kung Fu de madrugada e terminei meus afazeres tarde no dia anterior. Já tinha me comprometido, então, melhor dar seguimento aos planos. Foi um prazer enorme encontrá-lo, conversamos por bastante tempo e a noite teria mais, o que fomentou demais minha animação.

O transcorrer do dia um um pouco monótono e difícil, meu outro trabalho não é tão prazeroso, mesmo assim, faço o meu melhor no momento. E como estava muito animado por poder encontrar o Si Fu mais tarde, creio ter entregue bastante coisa.

A circunstância malogrou meus planos, por conta dela, não foi possível encontrar Si Fu naquela noite. Outra vez, haviam combinados, então, optei por não mudar os planos, era combinado eu dormir no Mo Gun, assim o fiz. Por razões graves e tristes, mesmo os planos no núcleo não puderam se cumprir por inteiro, diante do cenário, fiz o que estava a meu alcance.

Estudo sobre o soco de Batalha.

Ao fim do dia, já bem tarde, pus me a refletir.
Queria ter feito bem mais, queria ter mais tempo com Si Fu, queria não ter que trabalhar em meu outro emprego. Queria tantas coisas e achava ter me preparado para isso, mas mesmo assim, a frustração me acompanha. Pus- me a tentar entender se por ter feito “tanto, ” estar exausto, e por isso mesmo ter “fracassado, ” não seria um indicativo da necessidade de desistência.

Como eu disse, tanto não é necessariamente suficiente, eu buscava nesta reflexão entender como fazer menos e tirar mais. A reflexão não estava me levando muito adiante já que o dia transcorreu independente do meu desejo de que assim o fizesse, portanto, planejar algo diante de um cenário vivo em si, é na realidade fazer muito, e tirar nada.

Fiel a meu entendimento de que a prática é em todos os casos soberana à reflexão, decidi que por todo o evento eu entregaria o máximo que podia, mesmo que não saisse como desejado ou houvessem interrupções, e que estaria presente em todos os momentos que poderia estar. Sobre as consequências disto, optei por não me preocupar.

Fim das Atividades com Mestre Senior Julio Camacho.

Sigo pensando assim, mas a exemplo de um texto que escrevi falando sobre o aprofundar do meu entendimento no que diz respeito a resiliência, sucesso e fracasso tomaram um novo significado. Isso aconteceu quando compartilhava com Si Fu meu desconforto com os insucessos da minha vida. Acreditava que trabalhava muito, e sempre entreguei o máximo que pude, então, não entendia o que faltava.

“Pare de sentir pena de você! “

A conversa foi bem mais longa, durou dias, até, mesmo assim, trago apenas este recorte. Assim que ouvi a frase, entendi que Si Fu não tinha captado o que quis dizer, mentalmente elaborei a experiência, buscando novos contornos para poder trazer luz ao que eu sentia.

Eu dormi pouco, não fiz metade do que queria, não obtive o reconhecimento que julguei justo, entregava o máximo dentro de cenários que não me agradavam… não entendia o que faltava para Si Fu poder entender.

“Pare de sentir pena de você! “

Percebi então que não foi o Si Fu quem não entendeu. O problema é que minha vaidade eventualmente me cega; tão envolto em mim, nestes momentos deixo de perceber que existem coisas bem maiores acontecendo, muitas vezes do meu lado. Então, é isto mesmo, deixar de ter pena de mim. O trabalho de que não gosto, eu me comprometi a fazer, portanto, sua entrega não deve ser motivo de orgulho ou sua execução um martírio, foi uma escolha. As noites de pouco sono são reflexo da vida que tenho hoje, se é sono que me falta, cabe a mim me atualizar; sobre o bom olhar alheio a respeito das minhas ocupações, não é um indicativo de algum sucesso, é apenas opinião.

Então, continuo achando que devo entregar o máximo de mim, o fracasso, pode ser entendido como sinônimo de vaidade e miopia, e o sucesso sempre existe quando se entrega o melhor de si. Seus frutos hão de vir, mas apenas, se no meio do caminho se for capaz de ainda semear.

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