
Encontros de Excelência, 2023.
A palavra “proatividade” indica uma ação acontecida antes da atividade em si, traz um sentido de antecipação. Contudo, é preciso estar atento ao cenário, caso contrário, o sentido pode se transformar em precipitação ocasionando retrabalhos e perda de tempo, algo absolutamente indesejável. Ainda que no extremo oposto, a palavra “receptividade” solicita os mesmos cuidados; neste caso, como benefício, é indicativo de uma pessoa disposta a aprender e trazer resultados a partir da condição de um cenário já iniciado, por outro lado, pode motivar a ideia de espera não estratégica. Esta espera termina em paralização o que, aos poucos, justifica – se pela dependência da ação alheia para enfim resultar no mesmo estado de coisas, ou seja, nada mudou.
Mesmo diante de um estilo pessoal, seja a “proatividade” ou a “reatividade”, estar adequado ao cenário quando se busca lograr êxito parece-me o mais importante. Por isso, como ponto de equilíbrio para ambas as possibilidades vejo a necessidade de coerência com o todo, não com as partes. Quero dizer, a habilidade pessoal é bem vinda, mas jamais deve ser utilizada como força motriz já que por melhor que seja, eventualmente apenas pareça, poderá ser insuficiente diante do todo. Então, em alto nível, não existe a pessoa pró ou reativa, mas sim, as que se questionam qual o cenário.

Acesso ao Nível Superior Final, 2017.
Sempre que há uma demonstração a se fazer diante do Si Fu, noto algumas dificuldades recorrentes e associadas com os parágrafos acima, além do desejo. Acontece mais ou menos assim:
Inicia-se o movimento, a pessoa que demonstra, eu inclusive, achando que já entendeu o que é para ser feito ou desejosa de por em prática o que foi dito, precipita situações, o membro adverso, em geral, também imbuído com o mesmo sentido, impõe suas conclusões ao exercício a partir da precipitação anterior, no fim, todos terminam sem “se falar.” A falta de conexão é a “máxima” destes momentos já que a base destes estudos, o que não deveria ser, é o discurso decorado que se buscar repetir não o exercício pleno da proposta de nosso Si Fu. Portanto, perde-se tempo demais com a busca do que é simples e deveria estar disposto já no início de nossa chegada ao Mo Gun, quando se busca desenvolvimento marcial. Creio que por isto existam alguns dispositivos que possam parecer desconexos ou perda de tempo, mas que, na realidade, visam alinhar os pensamentos para se atingir o que importa já no primeiro toque.
Certa vez, um praticante que morava em uma cidade distante de seu Si Fu, atendendo ao chamado dele, dirigiu algumas horas para encontra-lo, a razão do pedido estava relacionava ao acesso a um dos componentes do nível básico. Este praticante, ao encontrar seu Si Fu, segue com ele mais algum tempo para o restaurante mais próximo do Mo Gun para Yam Chá; algumas horas mais tarde seu Mestre pede para ser levado ao Mo Gun e chegando lá, ao que parece ter sido o máximo de 3 minutos, o praticante toma acesso ao dispositivo e é logo em seguida convidado para levar seu mestre a outro restaurante, era a hora de almoçar.

Parte da Comitiva Oficial de Visita a Angola.
A questão que sempre fico às voltas é: O que é preciso demonstrar? muito rapidamente me respondo, nada!
Não somos uma vitrina para seduzir o olhar. Por isso, creio que conceitos como Proatividade, Reatividade, Desejos, e outros, precisam ser muito bem trabalhados em escala pessoal, apenas desta forma seremos capazes de distinguir se toda a ação que fazemos está relacionada com o desenvolver pessoal, ou o entendimento de conceitos da moda que agradam a visão da maioria e por isso provocam sua repetição; a rigor, Si Fu não quer que façamos o que ele pede, o que ele sugere é o bom desenvolvimento da família, e isto passa longe de exibicionismos pessoais, creio até, que ele propõe uma maneira de se construir esta caminho:
Estávamos chegando no aeroporto, havia uma tensão no ar. Não queríamos chegar atrasado de forma alguma. Lá chegando e por conta de estudos prévios, acertamos o terminal de embarque e Si Fu já estava fazendo os Check In. Achei estranho, devia ser um dos discípulos a faze-lo, não tive tempo para questionar, a passos rápidos, em meu caso, quase corridos, chegamos ao portal de embarque, voo e horário confirmados, todos com passaportes e passagens a mão e uma lojinha com lugar para sentar bem próximo. Mudança absoluta de fluxo, a passos lentos, Si Fu foi em direção a lojinha, sorriso a mostra e a fala mansa, com um ligeiro esbarro que quase me levou ao chão, não fui capaz de ver a mudança repentina de fluxo e recuperando-me imediatamente, andei mais devagar…
Demorei para entender, mas tudo era uma experiência marcial com uma resultante possivelmente dramática; perder aquele voo seria um problema grave. Por isso, acho, que ao fazer o check in Si Fu garantiu que não ficássemos a mercê de minha falta de experiência, então, preferiu ele próprio fazer, meu aprendizado poderia aguardar, o voo não. Vejo na experiência com Si Fu uma história as avessas da contada, mas rigorosamente nutrida da mesma fonte. Haveria tempo para falarmos bobagens, conversar sobre processos não entendidos ou até tomar uma aula com ele, caso eu quisesse fazer. Mas, naquele momento, rigorosamente falando, da saída do ponto de encontro até o portão de embarque, foram os 3 minutos mais longos da minha vida.