
Aula Master com Mestre Senior Julio Camacho, 2023.
Considerando como regra do exercício da humanidade a necessidade de duas pessoas, no mínimo; em nossa família, por detrás desta maxima se percebe dispositivos outros para viabilizar o contato. Parece-me que esta necessidade é essencial, já que pessoas são muito diferentes entre si e cenários são diversos.
Conceitos como zelo, família Kung Fu e outros, são alguns exemplos destes dispositivos que podemos chamar de associados. Neste caso , ao exercício da Humanidade.
O Sistema Ving Tsun, em escala macro, no sentido de maior que ele próprio, também pode ser considerado “apenas”, e não há demérito algum no termo, mais um instrumento. Repare que neste texto, trato do Sistema Ving Tsun como composição técnica. Portanto, além dos instrumentos citados, incluo “Taang Sau, Bong Sau, e todos os demais.
Assim sendo, gostaria de apresentar a seguinte reflexão:
O Sistema Ving Tsun é um dispositivo associado que conecta dispositivos, técnicos, onde é sugerida a possibilidade de uso através de perspectiva puramente técnica, portanto, possibilita a prática objetiva da humanidade que resulta no Kung Fu.
Ao chegarmos neste momento,no Kung Fu, há modificação de percepção que julgo ser crucial. Entendo ser impossível marcar no tempo a origem exata da capacidade ímpar do ser humano que é chamada Kung Fu. Aprofundando-me, gostaria de afirmar que não há um fim em seu desenvolvimento, e por não ser técnico, é impossível se submeter a qualquer questionamento que não o do próprio artista. Ou seja, não pode ser avaliado à maneira de criticas direcionadas a componentes técnicos, mesmo nos casos mais subjetivos, como a humanidade.
Portanto, é imperativo que cada praticante desenvolva a sua própria maneira de demonstrar seu Kung Fu. Há, sem dúvida, uma grande dificuldade nesta ação àqueles que não possuem todo o conhecimento técnico do sistema em questão. Neste caso, a solução última, talvez a única, que vejo é apoiar-se no Kung Fu de sua própria família, sendo mais específico, de seu Si Fu,para no futuro ser capaz de representar o seu próprio. Em minha opinião, assim se forma um mestre!

Visita Oficial de Mestre Senior Julio Camacho e Senhora Márcia Moura Camacho,2021.
Na última aula master que pude participar, Si Fu trabalhava o componente “Lap Da, ” em resumo, este componente visa a manutenção da linha central possibilitando, ocasionalmente, a capacidade de golpe.
Sugiro cautela na imagem mental que certamente está acontecendo enquanto me lê, golpe é consequência, jamais o fim. Em caso de não ser oportuno o evoluir da determinada consequência, o golpe, naturalmente se passa a outra. Caso o movimento técnico seja bem feito, a outra a que me refiro é o retorno a manutenção da linha central. Veja que para se evoluir tecnicamente através desta proposta do Si Fu, é imperativo a conexão com o outro. O que sugere o próximo dispositivo técnico, a humanidade.
Lembre-se, a relação humana, como acredito exige o trabalho entre dois seres humanos no mínimo. Sendo estes capazes, mas sobretudo, intencionados em refinar sua habilidade humana é fácil tirar proveito do que o adverso propõe. Como instrumento que sugere facilidade, Si Fu orienta como início de tudo, ainda nos baseando no dispositivo técnico citado, que o toque inicial seja de percepção.
Primeiro, toca-se o outro com a maneira máxima de capacidade em não permitir que qualquer desejo, anseio ou vontade participe do movimento. Eu fico fascinado em observar como está simples orientação é capaz de fazer com que o movimento seja “limpo. “
Baseando-se no que foi desenvolvido pela capacidade inicial de toque, ou seja, ouvindo o adverso a ponto de entender o que é proposto, sabe -se qual o próximo movimento preciso. Tecnicamente, este é “o caminho das pedras, ” ou seja, aquele que é proposto pelo meu Mestre a se seguir.

Mestre Senior Julio Camacho se apropriando da condição de Mestre.
Por este meio, tem- se acesso aí ao caminho do Kung Fu. Como dito, o do Si Fu, que tento executar como se fosse o meu próprio, na busca de inspiração para, ocasionalmente, inserir minha experiência. Nesta tentativa, mais uma vez, seguindo orientação direta, busquei em meio a irmãos Kung Fu a tentativa de execução do mesmo estudo sem supervisão.
Veja como o exercício da humanidade é complexo; ao propor o estudo, talvez eu não tenha percebido a necessidade individual de cada um, ou seja, iniciei meu movimento de maneira absolutamente egoica . Ora, não é possível iniciar um movimento sem o combinado, absolutamente subjetivo, de que iremos faze-lo. No passado, para mim era mais fácil, muito embora também não lograsse sucesso, já que minha justificativa em continuar o estudo era: Si Fu mandou, então, temos que fazer!
Está perspectiva ainda existe em mim de maneira muito natural, em geral, não me importa a fome, cansaço, ou falta de desejo em seguir determinada ordem do Si Fu, por isso, apenas faço. Ao mesmo tempo, não vejo no próprio Si Fu o desejo de que seja seguido “a risca, ” ou mesmo, que suas orientações sejam entendidas como ordem, mas
sim, que seja desenvolvido o Kung Fu. Portanto, este necessidade de seguir é muito mais uma questão minha que a proposta de nosso líder. Simbolicamente, apesar de estar bem atento ao exercício proposto e buscar segui-lo, deixei minha maneira natural acontecer independente do cenário, por isso, “morri. ”
Creio ser esta pontual falta de atenção que faz com que, por exemplo, eu não participe da próxima comitiva que vai visitá-lo agora em Agosto. Claro, autocentrado como estou nestes momentos, fico preso de tal maneira a minha condição, na realidade na falta dela, que me limito ao poder ou não poder, em vez de buscar maneiras outras para conseguir o mesmo intento.
Será, sem dúvida, um momento ímpar em nossa família, reservado às pessoas que quiseram estar disponíveis. No momento, algo que posso fazer é desejar boa sorte, para os próximos, mais que querer, devo ir. Note que este último independe da vontade. Eis parte do Kung Fu de meu Si Fu que quero seguir a ponto de torná-lo meu.