
Apresentador Formal, “Gaai Siu Yan. ” Barra da Tijuca, 2016.
Creio que o ato de apresentar englobe cenários diversos. Saber o que é adequado ou relevante falar é um indicativo, inclusive, de sucesso. Afinal, ao apresentar, sua disponibilidade é direcionada ao outro; seja este o apresentado ou a pessoa para a qual se apresenta. Então, tudo que é dito, necessariamente, deve cumprir este fim.
Por isso, a orientação geral do Si Fu é que a apresentação seja escrita por duas mãos; o apresentado deve participar do que será dito sobre ele e isto é crucial, apenas desta forma se evita situações muitas vezes constrangedoras.
Posso dizer, que ao menos para mim, este é o protocolo de toda apresentação; isto por conta de razões bem objetivas, eu próprio, já criei situações embaraçosas neste processo, mas, por esta lógica, não fui só eu.
Costumava pensar que a apresentação era um ato de liderança, de fato o é, as diretrizes que fazem um líder que eram um pouco confusas para mim. No passado, acreditei que liderar significava fazer todas as coisa em nome do desenrolar do processo me apoiando nos saberes que eu tinha sobre os ritos, algumas vezes maiores que os saberes do apresentado, e sem considerar qualquer apontamento dele(a).
Exatamente o contrário do que o Si Fu orienta, a consequência imediata disto era que, caso a apresentação saísse mal feita, eu tinha a desculpa, muitas vezes usada, de dizer que “havia coisas demais para fazer” ;além disto, caso o apresentado não gostasse de algo que foi dito, simplesmente a culpa era do outro e tudo bem para ele(a).
Eis um pouco do que entendo, absolutamente baseado na minha experiência com Si Fu, sobre liderança: Liderar é usar de maneira mais adequada o que o outro, o cenário, ou qualquer coisa, interna ou externa ao líder, da melhor maneira possível. E o que vai garantir o que é adequado, outra vez, dependerá do outro, do cenário, ou de qualquer coisa, interna ou externa ao líder. Espero que tenha entendido que a raiz do que quero dizer está relacionada com o zelo. Atente também ao fato de que me refiro ao Líder do processo, não da cerimônia ou da família, este, sem dúvida, é o Si Fu.

Lideranças do Núcleo Barra da Tijuca, 2019.
Continuando, gostaria de explicar sob que lógica eu afirmo que liderar diz respeito a zelo.
Estar atento e cuidado, diz respeito ao que, em nossa família, chamamos por zelo; ou seja, para ter zelo é preciso ser capaz de observar e ter condições de atuar direta ou indiretamente, sobre o outro. Isto eu venho aprendendo, mais ou menos da seguinte forma:
Em uma cerimônia de Baai Si, fui escolhido para ser o apresentador formal de um irmão Kung Fu mais jovem que eu, aceitei com um caloroso sim, e, não podia ser diferente, de forma obsequente, além de disposto a cumprir meu papel à altura.
No dia da cerimônia, ao começar minha preleção, notei o Si Fu desconfortável em sua cadeira, mexia-se de forma incomum. Certo de que algo estava errado, busquei manter meu discurso e ao mesmo tempo espreitar qualquer sinal indicativo do suposto problema.
Em dado momento, enquanto eu falava, Si Fu, que estava com as mãos para baixo, juntava e em seguida separava- as dando a impressão de liberdade, neste momento, notei que estava com as mãos no bolso, não tinha certeza sobre o que ele estava falando, mas resolvi retirá-las, ao mesmo tempo, Si Fu adotou uma postura mais descontraída, por isso, interpretei que o problema era a posição das minha mãos.
Repare, é possível e relativamente fácil criar protocolos listando todos os procedimentos e maneiras de executá-los, contudo, sempre esbarraremos em algum problema. Somente a atualização, baseada na atenção constante, é capaz de garantir o sucesso de qualquer atividade.

Orientações pós prática, 2019.
Eventualmente, vejo alguns membros perguntando sobre como aguçar a percepção, ou, tentando entender qual o “truque” que usamos para obter estas percepções. Não há truque algum, estes potenciais são desenvolvidos no momento de Vida Kung Fu. Basta estar disposto, dia após dia, para este tipo de experiência.
Um detalhe importante, este tipo experiência, em minha opinião, pode ser vivenciada apenas com o Si Fu. A relação Si Hing Daai tem o papel de dar acesso ao sistema, mas, o Kung Fu é desenvolvido apenas com o Si Fu.
Portanto, embora não exista truque, proponho uma técnica. Invista em sua relação Si To. Busque seus irmão Kung Fu, mas não deixe de concluir a experiência com seu Si Fu. Sobre cançaso, desconforto, ou medo, invista na relação com Si Fu; inclusives, pois estes são grandes materiais para desenvolver o que de fato importa!