Mestria

Comitiva da Família Moy Jo Lei Ou. Angola, 2017

Um entendimento comum sobre o termo “vestir a camisa, ” é assumir a todo o custo os valores de determinada área, local ou pessoa. Quando se usa o termo se referindo a alguém, quer dizer que aquele indivíduo assumiu para si todos os protocolos, e se preocupa com o desenvolvimento e bem desenrolar deles.

Pense em um exemplo literal; neste caso, creio que você tenha imaginado alguém vestindo a camisa de outra pessoa; então, se ela for mais alta, baixa, gorda ou magra, certamente ficará estranho. O mesmo vale para o caso de uma empresa, basta os valores locais serem diferentes dos seus.

Até então, fala-se de uma postura passiva, mas não é esta a regra. Quem “veste a camisa” tem, junto com todos, a responsabilidade de fazer a peça vestir bem em si, ou, propor ajuste em protocolos já concretizados.

Foto Si Fu – Todai, Barra da Tijuca, 2008

Na ocasião de uma das minhas entrevistas de emprego, conversei bastante com o Si Fu, tinha algumas dúvidas quanto a postura e maneiras de falar; em determinado momento da conversa, ele me perguntou sobre meu calçado. Eu só tinha um par, então, ele resolveu me dar o dele. Aquele emprego eu não consegui, mas creio ter sido o momento onde, de alguma forma, comecei a “vestir a camisa. ” não por ser uma camisa, mas, de alguma forma, uma peça de roupa.

Si Fu sempre disse que é preciso ter Kung Fu. Mas, o que exatamente significa isso? esta afirmação foi um tanto vaga para mim, aos poucos ela foi fazendo sentido. Ao calçar seu sapato, fiquei mais parecido com ele. E, a despeito de termos estaturas diferentes, o sapato ficou muito bem em mim. Quero dizer, não precisei me esforçar para ter alguma semelhança, apenas aconteceu. Além de sapatos, Si Fu me deu casacos, camisas e calças. Se eu pegasse tudo o que ele me deu ao longo dos anos e colocasse no meu guarda roupa, certamente se passaria pelo dele sem dificuldades.

Assim foi, até cheguei a um momento em que estava tão parecido, seja for maneira de agir ou forma de falar, que meus irmãos Kung Fu brincavam comigo “Parece o Si Fu. “

Visita a casa de Rafael Machado, 2020

Acho que é comum repetir os atos de pessoas que se admira. Então, o caminho seguido pode ser considerado natural. Mas não é disto que trata o momento da Vida Kung Fu.

Ao calçar o seu sapato, não só fiquei parecido, mas demonstrei bom gosto. Si Fu sempre se veste muito bem, e o que ganhei não foi qualquer sapato. Sobre a fala, Si Fu sempre se preocupa, por exemplo, com o tom de voz. Ele é capaz de encantar ou assustar somente por seu timbre.

Os gestos, em geral demonstram precisão, é difícil explicar, mas basta ele falar sobre foco e fazer um gesto de mão que se percebe o quanto o foco está presente no movimento é uma explicação prática. Por isso, minha busca hoje é seguir exatamente os caminhos dele . Em outras palavras, que meu Kung Fu tenha o mesmo nível como de meu Si Fu, ou seja, a mestria.

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