Sau, Poh, Lei. Refinamentos

Núcleo Ipanema, 2021

Quando se está diante de um adversário, ou seja, um adverso, aquele que se encontra em posição contrária, é preciso entender que não necessariamente ele é um inimigo. Desta forma, aproveitar – se das habilidades alheias é um mecanismo crucial para o desenvolvimento humano. Mas, suponhamos que quem está contrário é de fato um inimigo. Não faz diferença já que, em alto nível, é possível usar da única técnica que efetivamente aniquila as hostilidades: Torná-lo amigo!

Seja como for, tudo o que eu disse é baseado no que chamamos, não sem razão, de Kung Fu. Agora, com a intenção de tornar mais simples o entendimento, tentarei esmiuçar uma parte do conteúdo, veremos se serei bem sucedido.

Imagine que você tenha por volta de 5 anos. Nesta idade, é provável que você esteja nas primeiras séries do colégio e toda a sua estrutura de aprendizado tende a ser tátil ou, de alguma forma, vibrante. E o mais importante, apesar dos questionamentos serem comuns, é o momento de apenas absorver o conteúdo e, no melhor sentido da palavra, obedecer.

Eis que seu professor está ensinando sobre as leis de trânsito. Sobre o sinal, ele explica: Se vermelho, pare, amarelo, atenção e verde pode seguir. Não é necessário discutir sobre a razão das cores, apenas aprender que é assim; por isso, temos o que pode ser chamado de etapa “Sau”

Brasília, 2017

Você, um pouco mais crescido, já entendeu a lógica do sinal e sabe usar bem. Em uma ocasião, está diante do sinal vermelho, mas, ao olhar para os lados, percebe que não há carros, neste caso, decide atravessar e se sai bem; este é um exemplo de como trabalhar na etapa “Poh”.

Entendo que nesta etapa, justamente por ter aprendido o momento anterior, é possível analisar e tomar alguma decisão sobre isto, mesmo que seja contrária ao que foi aprendido. Isso porque, neste caso, você entendeu que a razão do sinal é evitar acidentes, portanto, já que não há o potencial causador do problema, é possível atravessar com segurança.

Em outro momento, há a etapa “Lei”. Está etapa costuma ser caracterizada por falta de estrutura. Veja o exemplo:

Mais velho, você está se dirigindo a uma entrevista de emprego; é claro que não quer chegar atrasado ao local da entrevista, no outro lado da rua. Não há sinal e você percebe há alguns quilômetros de distância uma passarela. Não haverá tempo de cobrir a distância de ida e de volta. Eu não recomendaria, mas você decide atravessar a rua por onde está, expondo-se à todo tipo de perigo que este tipo de decisão gera.

Bem, não importa se nosso personagem tem 20 ou 16 anos, ao avaliar os riscos, e por opção, decidir confrontá-lo, ele se porta como adulto, afinal, há melhor definição para adulto do que se responsabilizar por seus atos?

Sessão Master para Membros Seniores, Barra, 2019

Acho que existe no Kung Fu uma linha etária. Quando recém nascido, momento da admissão à família, você aprende o básico, portanto, mais importante que é, no melhor sentido da palavra, obedecer. Apenas com o real aprendizado deste processo, é possível galgar as etapas do sistema de forma simples.

Se considerarmos tempo de prática, hoje, eu seria um adolescente no Kung Fu. Mas exposto como estamos a vida Kung Fu, entendo que não há razão para não me portar como adulto, até porque, é preciso, se de fato quero me desenvolver enquanto ser humano.

Uma das primeiras vezes que ouvi do Si Fu sobre “Sau, Poh e Lei”, ele usou um exemplo sobre a pintura de uma parede. Esse exemplo faz todo sentido para mim. Em certa ocasião, tive a oportunidade de palestrar para meus irmãos Kung Fu e Si Fu estava presente; procurei usar exatamente os mesmos exemplos reproduzindo até as palavras. Quando terminei, Si Fu comentou que o exemplo só fez sentido para mim pois quando ele usou adaptou o discurso a plateia. Então, era o caso de eu próprio apreender o recurso não no sentido de ser capaz de repeti-lo, mas me inspirar.

Espero que desta vez eu tenha deixado mais claro meu entendimento!

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