Para Onde Vão os Olhos!

Ato Cerimonial Nonagésimo Terceiro da família Moy Jo Lei Ou; 2023

Foco sugere rigidez e certa perda de capacidade visual. Em um primeiro contato, à luz da oftalmologia, é plausível entender que isto acontece, pois para ter foco é preciso fixar o olhar em algum ponto e não deixar perder de vista, o que ocasiona perda de vista com relação ao todo.

No que diz respeito ao Kung Fu, entendo que o equilíbrio seja a base para qualquer coisa; então, quando se fala de foco, trata- se apenas do aproveitar de forma positiva os mecanismos disponíveis. Isto pode ser perfeitamente estudado no Sistema Ving Tsun; em sentido didático, mais especificamente, creio que a trilogia fundamental proponha a prática desta observação.

Entenda: Siu Nim Tau carrega uma forma de trabalho com os olhos que é diferente do Cham Kiu, que é diferente do Biu Je, que é diferente dos anteriores. Atrevo-me a dizer que cada nível trata de uma maneira o foco.

Em outras palavras, o que quero dizer é que há uma maneira propositiva, onde fixar os olhos em movimento é o estudo, em outro momento, fixar os olhos sem movimento, por fim, antecipar os olhos para direção do movimento vindouro.

Praça Quinze, Centro do Rio de Janeiro, 2023

Há alguns meses, proponho-me uma atividade física diferenciada. Cismei que vou me tornar um maratonista. Posso dizer que este desejo surgiu do enorme incomodo que é usar o transporte público no Rio de Janeiro sobretudo em horário de pico; faço questão de fugir disto. Pois bem, eram 15 minutos de corrida que passaram para 5KM e agora almejo os 15KM. É certo que há neste ato, subjacente, outras questões. Sem dúvida, a necessidade de ir mais longe e me por a prova é sintoma de algum desajuste, ou ajuste, do meu momento atual.

Bem, talvez tenha o leitor algum interesse em saber sobre minhas mazelas emocionais; mas não é este o assunto, lembra? Foco! Iniciei o texto dando uma direção ao olhar, em algum momento, mudei o rumo e agora retomo. Quem sabe, é chegada a hora de esclarecer minhas intenções: Diferente do que é muitas vezes dito, para mim, foco não é estático, o que seria percebido pela rigidez supracitada; gosto de entende-lo como flutuante no sentido de vai para onde a maré propõe; em caso de mudança de rota, são os pequenos ajustes que direcionam de forma simples e eficaz, sem esforço.

Yam Chá e Vida Kung Fu. 2011

Para onde a maré me leva? navegar é preciso, viver não, disse o poeta. Penso mais ou menos assim; planos, metas e objetivos dão um norte, mas apenas o caminhar do caminho é capaz de guiar o navegador.

Ao Longo de minha jornada Kung Fu, mudei o norte muitas vezes. Em vários momentos Si Fu disse: “Esse é o seu grande momento”. Acabou não acontecendo; o que precisa verdadeiramente acontecer eu não sei, mas eu tenho um sistema, e sobretudo um Si Fu que se disponibiliza em qualquer tempo, para que eu possa aprofundar meus estudos.

Se quisermos saber sobre qual o foco a partir de hoje, eu diria que é retornar a minha casa!

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