
Visita Oficial de Mestre Senior Julio Camacho ao Brasil. 2023
A língua portuguesa é capaz de traduzir sentimentos como nenhuma outra que eu conheça. Por isso, busco através da influência do meu Si Fu, ser preciso em todos os sentidos. Com relação a língua, por sorte, tenho acesso a uma ferramenta ímpar. Então, hoje compartilho o sentimento que mais traduz meu momento atual; a bem da verdade, ele é um pouco mais antigo.

Foto Oficial da Cerimônia ocorrida no dia 20/05.
Acontece, que a primeira vez que fiquei um longo tempo afastado fisicamente do Si Fu foi quando morei em Angola. Naquela época, tive de aprender a me relacionar com ele por outras vias, claro, a tecnologia sempre ajuda; Mas, o que mais me ajudou a me sentir próximo, a despeito dos quilômetros de distância, foi a sintonia. Para mim, Kung Fu diz respeito a manter os corações alinhados. Toda a intenção, por mais que possa percorrer caminhos distintos é direcionada, sem força ou pressa, para o mesmo lugar. Naqueles tempos, o desejo da família Kung Fu, além de outros, era iniciar um trabalho no continente africano. Por isso, pude me sentir próximo.

Momento da Cerimônia de Discipulado, Baai Si, de Rafael Romanizio.
Para ser mais certeiro, entendo que este alinhar de corações iniciou bem antes da minha cerimônia de baai si. Já que esta possui componentes muito similares, na verdade, exatamente os mesmos do casamento. Desejo mútuo de aproximação e conhecimento, proposta de crescimento pessoal, e legado para a humanidade. Um outro correspondente, próximo a fidelidade, é a lealdade. Em meu caso, a despeito de algumas interpretações equivocadas, busco seguir a risca o que Si Fu diz, ou o que me comprometo a fazer. Para isso, outra vez, é preciso sintonizar o coração. Apenas sintonizando os corações se torna viável explorar ao máximo as oportunidades e, aos poucos, digeri-las.

Visita de Mestre Senior Julio Camacho e Senhora Márcia Moura Camacho ao Escritório do Discípulo Márcio Lopes.
Bem, as possibilidades não aparecem ao acaso; cada discípulo tem em suas mãos as ferramentas necessárias para de alguma forma oportunizar as experiências. Por isso, cada almoço, passeio, viagem, reunião, chamada de vídeo, ou o que mais a criatividade for capaz de sugerir, é crucial.

Almoço em Família, oportunizando o Kung Fu
Sim, toda é qualquer experiência é valida se o discípulo busca vivê-la, e o mais importante, à sua maneira.
Mesmo compreendendo que para se ter vida Kung Fu, a presença física não seja obrigatória, pessoalmente, necessito de contato direto. Por isso, este fim de semana aqueceu uma chama que vive há muito tempo em meu coração; pude conversar, rir, ouvir e contar histórias, ao mesmo tempo em que vivia a marcialidade; que aliás, foi confundida por mim no passado.
Chamar a atenção, ou redirecionar o foco quando este se perde não se relaciona em nada com bronca ou briga. É apenas uma recondução ao fato relevante de todo aquele cenário. Por isso, exatamente por Si Fu apontar meus erros, posso reconduzi-los ao fim almejado. No fim, explico que todo este texto diz respeito a uma reflexão profunda por conta da pergunta de uma amiga:
” E se ele se mudar outra vez, ou pedir para você voltar para a África, você vai?”
Caso Si Fu decida se mudar para Marte, faço questão de comprar os bilhetes para ele, Si Mo e eu. Caso a intenção seja que eu vá sozinho, da mesma forma compro os bilhetes para me visitarem; Afinal, qual o mal que existe em se viver daquilo que se acredita?