Dez Segundos

Marcador de Tempo, ampulheta

O tempo tem seu próprio tempo. Por isso; ele pode ser mensurado; é o caso do tempo Cronológico. Conheço outra forma de tempo, chama Kairológico, neste caso, o tempo não tem tempo.

Creio que exista uma outra medida para o tempo último, absolutamente subjetiva; vou chamá-lo de presente!

Por exemplo, a propósito de evocar, é comum presentear alguém com o que se traga lembranças. Neste momento, ainda que o tempo tenha passado, refiro-me ao Cronológico, aquela pessoa estará presente. E assim se fará, mesmo que tenha morrido.

Note, que um julgamento correto sobre a diferença entre as formas de tempo apresentadas, seriam as características chamadas de quantitativas ou qualitativas. Então, no que diz respeito ao que chamei de presente, poder-se-ia também chamar de tempo de qualidade.

Entrega de Nomes Kung Fu, Barra da Tijuca, 2014

Portanto, a qualidade do presente é o que importa, ou seja, não é relevante saber quantos anos se irá viver, mas sim, de todos os anos, quantas vezes estive presente!

Certa vez, estava com o Si Fu indo para casa de carro. Si Fu dirigia, ao parar em um sinal, disse que tiraria um cochilo. Dei uma risadinha sem graça, tentando dar a entender que tinha entendido a “piada”.

Passados mais ou menos dez segundos, o sinal abriu e Si Fu não deu a partida. Ele realmente tinha dormido. O mais leve que pude, toquei em seu braço, ele despertou e demos prosseguimento a viagem.

Parecia que estava a meu lado outra versão do Si Fu, aquele dia foi bem exaustivo, ambos estávamos cansados, mas, ao despertar, notei que de alguma forma ele tinha recuperado o suficiente para chegar ao destino.

Reunião Discípular, Maio de 2022

Esta é uma das mais vívidas memórias que tenho quando penso sobre presença, ou, como é mais comum ao nosso linguajar, momento presente!

Veja, um estado absoluto de cansaço é capaz de fazer alguém dormir, mas, dormir por segundos e se recuperar na medida do suficiente, para mim, pode ser explicado apenas pela capacidade de se entregar a necessidade de forma integral, sem meios termos. Não Semi desperto, absolutamente presente no inconsciente.

De minha parte, a risadinha que tentava agradar não foi nada além da falta de presença. Rir em uma situação que não tem graça em si é a prova absoluta de uma atitude frouxa e corriqueira.

Tão estranho quanto rir sem achar graça, é rir para tentar agradar. Posto que, se é este o intuito, só um estado pleno de presença é capaz do inspirar a conduta necessária para qualquer situação.

E após tantos anos, esta história ainda me é presente, como se estivesse vivendo ela agora, de fato estou.

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