
Rei Midas, Mitologia Grega
Há na mitologia um mito referente ao rei Midas. Nesta história, por ter acolhido o amigo de um deus, foi disponibilizado a ele a realização de um desejo. Seu desejo, que era a capacidade de tornar ouro tudo que fosse submetido a seu toque, tão logo realizado, tornou-se uma maldição.
Acontece, que como pedido, tudo que tocasse tornar-se-ia ouro. A partir de então, o rei jamais pode se alimentar, ter um toque de afeto ou mesmo dormir em sua cama outrora confortável, pois, após seu toque, a cama se tornou um metal frio e duro.
Esta história, diz muito sobre o meu processo de desenvolvimento pessoal, ouvi-a pela primeira vez contado por Si Fu. Então, por falta de uma reflexão mais zelosa de minha parte, de forma muito similar ao mito, tornou- se para mim uma maldição.

Comitiva de Visita a Angola. Aeroporto Galeão, Outubro de 2017
Se há um moral da história, para mim, trata de capacidade que “pessoas de valor”, neste caso, homens e mulheres que usam seu poder ou riqueza em benefício de todos, de desejar o que é certo. Afinal, o que deveria desejar um rei além do desenvolvimento fértil e próspero de seu reinado?
Por uma camada mais profunda, eu entendo que independente da habilidade pessoal, caso o desejo seja correto, será benéfico. Para isso, é preciso estar alerta a essência de seu desejo, de modo que, cada folha contida ali, “Ip Sam”, seja extirpado de maneira a restar somente o que há de mais puro, “Ming Sam”.
Como disse, o mito que compartilho chegou a meu conhecimento por intermédio do Si Fu. Dizendo mais ou menos isto: ” você parece o rei Midas, tudo que faz, gera problemas.”
Naquele tempo, eu justificava sua afirmação pelo meu efetivo cansaço, claro, não seria o cansaço uma desculpa eficaz para a falta de atenção?
Sim, no sentido de desculpas. Mas não no sentido de justificativa.

Com Mestre Senior Julio Camacho. Antigo Núcleo Barra, O2; dezembro de 2019
A história de Midas, Si Fu fez questão de me lembrar por alguns anos. Há pouco tempo, eu próprio lembrei. Esta lembrança me trouxe o amargor experimentado no passado.
Um misto de culpa, angústia e um desejo desenfreado de finalmente acertar. Desejo este que me deixa cada vez mais distante do meu intento. Nestas horas, o que efetivamente acontece, pergunto-me. O que pode haver de tão errado na minha intenção?
Quem dera saber a resposta, certamente traria a minha vida a leveza e o frescor que tanto, de tantas formas, há tanto tempo, almejo.
Não sei a resposta, mas quem sabe um feixe de luz esteja se apresentando em meu horizonte, quem sabe esta luz, ofuscada por tantas folhas de um tempo imemorial, possa finalmente dar sinais de sua existência.
Acho que meu grande erro ou erro recorrente não seja o desejo que tenho, ele é sim puro; o efetivo problema que tenho são as folhas que obstruem.