Figuras do Poder

Filme Tropa de Elite. Brasil, 2007

Em geral, a maneira de agir é determinada pela cultura. Por isso, é possível identificarmos determinadas profissões apenas pelo linguajar e postura de seus representantes, postura esta que direciona o entendimento para qual escala de poder a pessoa se encontra.

Ou, eventualmente, gera confusões na comunicação quando, por exemplo, chamamos de doutor pessoas que não possuem doutorado.

Toda escala de poder tem uma razão de ser; a questão é: quanto é devido a uma pessoa o uso de títulos para justificar suas ações?

Acho que quando este processo é mal executado se torna caricaturesco, o que, em minha opinião, de forma alguma deveria acontecer data a relevância e responsabilidade destes profissionais na sociedade. Afinal, como confiar minha segurança, direito, saúde, construção do lar, entre outros, a um profissional cuja postura é risível?

Com Mestre Senior Julio Camacho, Beco do Gaúcho, 2012

Por outro lado, existem profissionais que inspiram. O que leva a crer que, apesar da cultura, é possível se valer da ocupação para benefício de todos.

Aliás, apesar da cultura, no sentido de prisão de forma a não ser possível interpretar de outra maneira tão submergido se está pela regra proposta, ou por apoio nela?

Em seu livro “Tratado da eficácia”, o professor François Jullien, faz um paralelo entre duas culturas que parecem ter seguido caminhos diferentes. A cultura ocidental teria entendido a eficácia através de planos e modelos, de modo a mapear o cenário por inteiro, e assim, subjugá-lo, o cenário, aos seus meios e fins descartando portanto a ideia de potencial da situação.

Por outro lado, a cultura oriental teria se inspirado na lógica de desenvolvimento. Deste modo, em vez de definir um modelo e encaixar o desenrolar da situação ao que foi premeditado, a proposta é se apoiar em um modelo prévio, mas totalmente independente dele, pois a todo momento o que foi planejado é atualizado a partir do transcorrer da situação.

Com Mestre Senior Julio Camacho, estudo especial da fase Semi Estruturada, 2022

Por isso, valorizamos tanto o estudo de outras culturas. Não por preferência, mas sim, como recurso que nos ajuda a analisar a nossa.

Visto isto, entendo que mesmo as estruturas de autoridade podem se inspirar neste modelo, ou seja, em vez de cristalizar uma posição de comando, a pessoa que ocupa este posto chega a ele independente de méritos próprios, portanto não portador da possibilidade de comando e sim portado a ela.

Sobre a família Kung Fu, Si Fu tem um termo curioso para o que foi chamado de lógica de modelo. o “Si Hing circunstancial”, é aquele ( sabemos que no caso, o termo não assume qualquer gênero, servindo tanto para homens quanto para mulheres) que dada a situação assume a posição de comando, seja no cenário que for, e, cumprida sua tarefa, retoma a posição inicial, ciente de que estar é bem diferente de ser.

Já vi Si Fu transmitindo o Kung Fu para praticantes mais antigos que ele, isso não abalou em nada a relação dos dois; primeiro, pelo nível de Kung Fu de ambos, segundo, porque a relação Si Hing -Dai não se relaciona em nada com hierarquia. Mesmo que fosse o caso, para quem tem Kung Fu, não faz diferença.

Sendo assim, creio que as pessoas tenham condições de se aproximar dos praticantes mais antigos e entende-los como igual, ou seja, pessoas que buscam o desenvolvimento; afinal, para isto, não é preciso ter cargo.

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