À sua maneira

Bolo para celebração do Aniversário de Grão Mestre Léo Imamura, 18 de Março de 2023

Meu Sitaai Gung, Patriarca Moy Yat, disse certa vez: “Zelo é a maneira correta de amar.” Bem, como fazer?

Ao longo da minha jornada, mostraram-me que o zelo está presente nos menores detalhes, quase invisível, ou, em alto nível, efetivamente impossível de se ver. Então me surgiram dúvidas, como a pessoa irá saber que estou zelando, se eu não demonstrar?

Esta pergunta gera uma outra, porque tenho a necessidade de ser notado?

Prática Especial com Mestre Senior Julio Camacho, Antigo Núcleo Barra, O2

Bem, meu caso era explicado pela dificuldade que tinha em ficar só. Eram tantos pensamentos e dificuldades, que percebia ser quase insuportável estar apenas em minha companhia.

O curioso é que por mais que tivesse necessidade de escapar de mim, não tinha jeito, eu sempre estava em minha presença. Por isso, cheguei a conclusão de que se eu não aprendesse a lidar comigo mesmo, jamais ficaria bem para onde fosse.

Não posso dizer que foi por isso, mas certamente me ajudou o fato de muitas vezes, por conta do Kung Fu, ficar só. Seja no Mo Gun, seja na casa do Si Fu ou em outro país. Nestes momentos, ouvindo o turbilhão que é a minha intimidade, aos poucos, pude distinguir pequenas vozes e interpretar o que elas diziam.

Em virtude de toda construção que pude fazer pela experiência, certa explicação, há muito compartilhada, fez sentido para mim. Segundo o que entendi do meu Si Fu, zelo é a habilidade de juntar a ação e a percepção.

Ou seja, mais que perceber qualquer necessidade, é crucial fazer o que for preciso para dar um melhor direcionamento a ela. O sentido contrário também deve ser observado, se a ação não for embasada por uma reflexão bem feita, há grandes chances de o ato ser estúpido, em seu sentido literal.

Com MS Julio Camacho e seus contemporâneos, MS Ricardo Queiros e MS Ursula Lima

Bem, por mais que tenha sido duro, aproveitei da melhor maneira as oportunidades que tive. A possibilidade de estar sozinho me trouxe a necessidade da busca constante por refinamento, algo que Si Fu inspirava mesmo antes de eu começar a praticar; já que, apesar de não ter participado do início da consolidação de nossa família, quando comecei, notei este espírito facilmente no ar.

E graças a mestria e dedicação do Si Fu, pude apreende-lo e passar a chamá-lo de meu, não por título, mas por apropriação.

Afinal, não consigo perceber outra forma de zelo tão genuína quanto dar espaço, e nutrir a partir do estritamente necessário.

Leave a comment

Design a site like this with WordPress.com
Get started