
Patriarca Moy Yat, 28 – 06 – 1938 à 23 – 01 – 2001
Meu Sitaai Gung, Moy Yat, em determinadas ocasiões usou duas expressões para definir Arte. “Man” trata de habilidades ditas contemplativas; por exemplo, pintura ou caligrafia; “Mo” envolve destreza corporal, tal qual montaria ou arquearia.
Segundo Si Jo ( ancestral), Moy Yat, o artista completo é perito nas duas definições de arte. Saber de anos que se faz atual. ´por isso, creio que a ciência, a proficiência e a “aplicação” ou “uso” destas habilidades se faz crucial a todo individuo que deseja obter algum sucesso, independente da área de atuação; claro, afinal, estamos falando sobre Kung Fu.

Meu mentor, Mestre Senior Julio Camacho e sua filha, Jade Camacho
Tive a sorte de ouvir estas frases de patriarca Moy Yat, e mais, pude vê-las em pratica; estas duas oportunidades foi com meu Si Fu.
Sobre “Mo” através de demonstrações marciais; uma sensação comum nestes momentos é a perda de altura e uma confusa explosão de luzes, figuras e formas, ato continuo, uma mão estendida que agarro e me ajuda a levantar. Há nestes momentos um pequeno “delay”, é mais ou menos o tempo que preciso para entender como fui capaz de ir ao chão e retomar a altura tão rápido; claro, essa habilidade não é minha.
Enquanto “Man”, tal qual “Mo”, atividades diversas. Si Fu Escreve, Produz, Atua, Dirige… e faz tudo de forma que da a entender que é capaz de fazer o que precisar, apenas porque faz o melhor que pode; alias, talvez seja essa a sua arte. No entanto, há outra habilidade que outra vez se vale dos dois conceitos: A arte de transmitir.
Assim creio, porque para transmitir é preciso esperar o tempo certo, entregar as informações necessárias com a habilidade de não ser aquém tampouco além do justo meio, ou, estritamente necessário. E mais, porque a despeito de todas as suas habilidades, a partir desta e para esta ele decidiu direcionar sua vida.

Despedida de Mestre Senior Julio Camacho, aeroporto galeão, Rio de Janeiro
E como falamos de “Man” e “Mo” em minha linguagem, Kung Fu, falo também de inspiração e capacitação. A arte de transmitir, posso resumir, requer conhecimento técnico e vontade de ambas as partes. Até porque, embora o interesse dos praticantes de artes marciais, em geral, ser bem específico, com meu Si Fu, eu desenvolvo Kung Fu.
Hoje escrever já não é mais uma barreira instransponível para mim; certamente esta habilidade veio de dedicação e pratica de minha parte. Mas, se há algum mérito, não é somente meu.
Perdi a conta de quantas vezes Si Fu me pediu para compartilhar minhas experiências, a escrita, era apenas uma via sugerida. Não fazia porque, de alguma forma, era difícil. é justamente este o ponto, como fazer algo difícil se tornar fácil o nome disto, outra vez, é Kung Fu.
E já que falamos sobre a habilidade de fazer o que for sugerido, em termo específico, obedecer, pergunto- me quantas habilidades deixei de adquirir apenas por não ouvir o Si Fu.