
Natalício de Mestre Senior Julio Camacho
Natalício, é a expressão usada para se referir ao dia em que uma pessoa nasceu independente da data de celebração, chamada aniversário. Esta diferença em geral é pouco observada fazendo com que a palavra natalício seja novidade ao vocabulário de muitas pessoas, e, por vezes, digna de surpresa já que é tão parecida com a palavra Natal; inclusive, foi o meu caso.
Falando em palavras, outra que me chama atenção é a palavra precisão, que pode ter tanto o sentido de necessidade, quanto de adjetivo. Afinal, navegar é preciso, viver não, não é verdade?
Todo este aprendizado desenvolvi com meu Si Fu. Ele foi quem me orientou sobre o significado destas palavras, e de outras. Disto, surge-me um questionamento, qual a relevância para o desenvolvimento do Kung Fu de entender sobre a morfologia das palavras? Aqui, proponho uma resposta:
Quando falamos sobre o Kung Fu, falamos sobre mestria, também, mas não somente em arte marcial. Sendo assim, em qualquer campo o executor desenvolve sua atividade em alto nível. Ora, você vê alguma diferença entre a palavra precisão, no caso de navegar, com relação a palavra precisão que caracteriza os gestos marciais, por exemplo?
Então, entendo que a razão da dedicação exercida por meu Si Fu em nos ajudar a prestar atenção às palavras, é justamente a mesma quando nos propõe um dispositivo corporal de combate simbólico, a realização de eventos ou viagens… afinal, tudo é Kung Fu..

Junco Vermelho, navio itinerante que levava e apresentava a Ópera cantonesa.
Por isso, faz sentido copiar o Si Fu nos hábitos e maneiras que ele criou para o desenvolvimento de sua habilidade marcial. Assim, teremos uma forma clara e eficaz de trilhar o mesmo caminho, até o momento em que somos considerados, a critério próprio, artistas marciais.
Outra vez me valendo do Si Fu, explico: Arte diz respeito a expressão pessoal, portanto, um artista é aquele que se expressa de maneira única em diferente, ou, no mesmo cenário. Um exemplo, é a pessoa que baseado em seu passado, reproduz cópias de ações, até o momento em que a dita cópia será sua versão para o gesto. Então, o artista marcial não pode ser criticado por repetir o que foi lhe dito ou mostrado, já que esta copia é da maneira que só ele é capaz de executar.
Vou além, neste sentido, eu entendo que esta copia deva ser bem vista, uma vez que não pode ser consideras falta de autenticidade, mas sim um vetor que direciona o praticante a experiência marcial.

Com Mestre Senior Julio Camacho
Quando falo de copia, quero dizer também em se aproveitar da situação. Quando Si Fu iniciou sua prática na Moy Yat Ving Tsun, eu tinha dois anos, então, é natural que ele filtre determinadas experiências já que percebeu que não é o caminho mais simples, e assim seguimos.
Há uns meses iniciei mais um grande desafio, novamente estou me preparando para morar fora do país e viver do que acredito. Agora, há a barreira da língua e a organização pessoal é bem maior do que a anterior. Apesar de tudo, a historia se repete.
Si Fu nunca teve a oportunidade de morar na mesma cidade que meu Si Gung, eu, apesar de ter vivido esse privilégio, enfrento um desafio antigo, por enquanto, não moro no mesmo país que meu Si Fu. A história se repete, embora envolva personagens diferentes. Os personagens se repetem, embora as histórias sejam contadas de forma diferente, outra vez, um discípulo segue os passos de seu mentor.
Para mim, o que importa agora é seguir junto; e seu eu vou seguir seus passos pela mestra estrada ou por uma totalmente diferente, é a cena do próximo capítulo. Em breve saberemos!