
Em sua última visita, Si Fu comentou sobre o início de sua carreira. Falamos das diversas maneiras como isto ocorreu; uma delas me Inspirou.
Si Fu comentou que não havia práticas aos Sábado por conta da agenda das pessoas que conduziam o trabalho na época, por isso, ele se dispões a abrir o Mo Gun.
Resumindo a história, o que acontecia é que Si Fu abria o Núcleo ás 08:00h, tomava café com os presentes, praticava e assim terminava o dia. Com o tempo, o momento após a prática se tornou almoço e, por fim, o momento após o almoço foi transformado em outra prática.
O dia terminava às 17h, com todos bastante animados e previamente confirmados para o fim de semana seguinte.

Esta atividade, iniciada há décadas se manteve por alguns anos e se tornou uma tradição em nossa família.
Lembro das diversas vezes que tive a oportunidade de estar junto de vários irmãos Kung Fu, ouvir suas histórias e experiências. Na maioria das vezes, estas atividades contavam com a presença do Si Fu. Por isso, além das experiências, havia um recorte que era crucial para mim, chamamos este recorte de dimensão Kung Fu.
Ná época, eu trabalhava com implementação de linhas novas de telefone, trabalhava de madrugada. Chegava em casa, dormia um pouco e partia para o Yam Chá.
Lembro da dificuldade que era este processo. A preguiça me assolava, quando chegava ao ponto de encontro, eventualmente atrasado e bastante sonolento, Si Fu me olhava sério e dizia, “Boa Noite, Guilherme.” Demorei alguns anos para entender sobre o que ele estava falando.

Como eu disse, me aproveitava bastante destas conversas. Sempre saía com uma série de divagações e bastante emocionado. Mas, nada além disto.
Se pensarmos em escala de desenvolvimento, o máximo que um recém nascido faz é tratar de suas próprias necessidades, de maneira bem específica.
Hoje, penso que na época minha postura era bastante similar. Me alimentava das informações, estava presente mas gerava muito pouco, ou, a bem da verdade, absolutamente nada para o outro ou além de mim.
Como disse no início do texto, ouvir aquela história do Si Fu me gerou bem mais que conteúdo, me questionei o que eu poderia fazer, de concreto, com aquilo. Por isso, estou empenhado em retomar as atividades de café da manhã como uma rotina aos Sábados.
Hoje, penso que é possível associar ao Kung Fu as fases de desenvolvimento dos seres humanos. A diferença é que ou você é criança ou adulto. Em outras palavras, ou você usa o que foi desenvolvido para proveito próprio, ou se aproveita do conhecimento e gera algo para além de Si. Assim, você saberá o quanto tem de Kung Fu observando o quanto é capaz de gerar, também para si, mas, sobretudo, para o outro.