
As vezes, ouço Si Fu dizer que a maior parte de seu Kung Fu foi construído em viagens com seu Si Fu, Grão Mestre Leo Imamura.
Nestas oportunidades, ele conta que pode viver de maneira íntima e profunda a chamada experiência marcial.
Pessoalmente, acredito que a experiência tenha sido tão marcante por uma razão muito simples, ele não podia voltar para casa.
Quando estamos Mo Gun, com horário agendado nos preparamos para aquele período. Por uma hora, talvez um pouco mais ou menos, nos dedicaremos ao nosso Kung Fu. Em seguida, trocamos de roupa e a experiência marcial voltará a ser observada, com sorte, na semana seguinte.
Contudo, para se viajar, é preciso bem mais disponibilidade. De outro país, não se volta imediatamente para casa porque alguém querido está doente, ou o próprio está estafado. Muito embora todas estas situações aconteçam, estando em seu país, estado, ou fora deles.
Por isso, acredito que Si Fu tenha adquirido algumas habilidades:
Não se desesperar e se sentir a vontade no ambiente que estiver. O mundo é o quintal da sua casa, ampliar a zona de conforto, um estudo de Kung Fu.

O meu Kung Fu é marcado por experiências vividas na minha própria cidade. Por vezes, no Mo Gun, por vezes, na casa de meu Si Fu.
Justamente por isso, entendo que meu Kung Fu também é construído através de viagens, sobretudo, as dele.
Claro, por diversas vezes foi submetido a experiências de tensão que me exigiam, na minha cabeça, o retorno para minha casa. E, apesar de ser muito simples faze-lo, não fiz.
Boa parte das vezes era por dedicação ao Kung Fu. Não minha, mas do Si Fu. Embora estivesse, quase sempre, com a visão embaçada por lágrimas e sentimentos que não me ajudavam em absolutamente nada, eu sempre notei no Si Fu uma capacidade de se reerguer que achava fascinante, a ponto de me fazer acreditar, quem sabe, também fosse capaz de desenvolver.
Então eu ficava, como se tivesse em um país distante, como se não fosse possível voltar para casa. Porque, neste sentido, de fato não era. Eu tentava, de novo, de novo…
Até aprender que apenas tentar tampouco gera resultado. Uma boa régua para saber se a experiência esta surtindo alguma diferença é perceber a capacidade de fazer a mesma coisa de formas diferentes. E o quanto estas formas diferentes se distanciam do erro. Afinal, errar é humano, acertar também.

A Vda Kung Fu tende a ser solitária, apesar de estarmos quase sempre rodeados de pessoas. Isto acontece porque ela é pessoal.
Por isso, é comum a sensação de vazio. Vazio este que é preciso ser preenchido. Daí a necessidade de contato com seu próprio Si Fu, para o acesso ao Kung Fu ser da forma mais pura possível.
Acredito que assim podemos trilhar o caminho de nosso Si Fu, e, justamente por isso, ele será apenas nosso, já que, como discípulo, nosso papel é continuar criando condições de outros poderem trilhar as trilhas que nos levam a nossa gênise.
Por isto, estou ansioso de poder viajar mais com Si Fu. Para percorrer o caminho que ele próprio percorre, e poder deixar também minhas pegadas que espero poder servir um dia, a exemplo do meu Si Fu, como guia.