
Perceber o que é óbvio não é uma tarefa simples. Ver e apreender qualquer imagem é diferente de simplesmente olhar.
Por isso, trabalhar a capacidade de visão para que esta produza algo mais que meras imagens, e que estas imagens façam algum sentido, é um exercício maravilhoso de Kung Fu.
Contudo, creio, o chamado “alto nível” exige bem mais.

Havia uma série na Netflix, onde em uma cena vi um Si Fu instruindo seu To Dai:
“Há duas mãos no combate, uma mente, a outra fala a verdade.”
É claro, a cena é um pouco maior que isto, mas esta frase foi o suficiente para me fazer pensar. O que significaria uma mão que mente?
Na série, o entendimento é o engodo, a persuasão. Creio que possamos investir um pouco mais.
Já ouvi meu Si Fu dizer, ao menos foi o que entendi, que qualquer movimento inicia na etapa de pré figuração, ou seja, como ainda é um embrião, o “DNA” do movimento está lá, mas ainda não sabemos se é o Taang Sau ou Fuk Sau. Sendo assim, sua aparência está relacionada ao Jong Sau.
Então, se houver a necessidade de definir, qual nome se daria? Pela capacidade ocular, creio que seja impossível,por isso, trabalharemos a partir de agora o invisível.

Por isso, aprendo diariamente com meu Si Fu que a habilidade do artista marcial não é enganar ou esconder.
Mas sim, manipular o cenário de forma favorável, se aproveitando ao máximo do potencial da situação.
Sendo assim, as mãos não mentem ou falam a verdade, elas se adaptam da melhor maneira possível.
O vencedor do embate não será quem faz muito movimento ou aparece demais, portanto, visível. Mas quem atua sempre na pré figuração, ou seja, a maior parte do tempo invisível.