
Definir Kung Fu, em geral, não é fácil. Sei disso pois algumas vezes cai na armadilha de tentar.
Por mais que meus ouvintes expressassem reações afirmativas sobre o que eu dizia, não estava seguro do quanto havia sido eficaz sobre o que eu transmitia
Por isso, decidi não mais explicar. Sempre que havia algum questionamento, eu sugeria que a pessoa fosse ao Mo Gun.
O que aconteceu é que rapidamente percebi que o Kung Fu é pessoal, por isso, precisa ser vivido individualmente.
Para as pessoas que seguiam minha sugestão, eu me sentia a vontade de falar do Kung Fu, já que havia ali uma experiência prévia, vivida e sobretudo pessoal.

Neste segundo momento, falava com tranquilidade por algumas razões. A principal delas é que em vez de falar do Kung Fu, a busca era compartilhar minha própria experiência com meu Si Fu. Saia da condição do detentor de um saber ou professor.
Com o compartilhamento, me permitia também ouvir do outro suas próprias reflexões, enriquecendo minha própria experiência.
No Fim, o conteúdo transmitido por Si Fu, para pessoas diferentes, ganhava entendimentos diferentes.
O que é ótimo, já que indica que dos discípulos, não há o que sabe tudo. E, como sabemos que há entendimentos diferentes, somos naturalmente convidados a nos apoiar.

De fato, na própria dinâmica das sequências, nota-se o apoio dos movimentos. Fazendo com que se complementem.
Creio que há um certo nível de aorendizado no meu Kung Fu, este nível solicita quase que constantemente que tão logo eu viva os próximos desafios.
Si Fu certa vez disse: “Ving Tsun é Tão bom, mas tão bom, que serve até para lutar.”
Portanto, em meu entendimento, há uma camada anterior a ser desenvolvida. Esta camada é a extensão para conduta.
Ou seja, o físico, socos e chutes, são apenas um caminho para o que de fato importa.
E o que importa é a guarda. Não falo de Jong Sau, apesar de passar por ele. Falo de estado de guarda.