
Patriarca Moy Yat uma vez disse que Kung Fu sem sistema não é Kung Fu, Kung Fu que depende de um sistema não é bom Kung Fu.
Tecnicamente, isto é simples de entender. Aprofundar para além da técnica me parece mais complexo.
Digo que a técnica é simples, pois basta estar atento para aprende-la. Transpor esta mesma técnica para além do uso óbvio requer um pouco mais de perspicácia.

Bem, já sabemos que a jornada não é simples. E ela se intensifica a medida que você se torna mais experiente e adquire mais responsabilidades.
Meu Si Fu hoje não está no Brasil, e é minha função, claro que não só minha, manter seu legado.
A técnica, me parece ser o sistema Ving Tsun. A vida Kung Fu, e para além dela, é o cenário onde está técnica deve fazer sentido. Imagino que não seja necessário dizer que não faz sentido algum sair golpeando os outros por aí.
Sendo assim, uma maneira de manter o legado de meu Si Fu, é fazer com que sua voz chegue aos que estão mais distantes dele. Para isso, é preciso ter ouvido, e, continuamente, ouvi-la.

Ouvir por tantos anos a mesma pessoa, é crucial para o processo de aprendizagem.
Sobretudo, pela perspectiva de que, apesar de estar ouvindo a mesma voz, até o mesmo assunto, ter a certeza de que tudo é novidade. Ademais, de fato o é. Si Fu não é a mesma pessoa que foi ontem, tampouco eu.
É me relacionando com Si Fu e comigo mesmo a cada dia como se fosse a primeira vez, que posso me relacionar com todos os meus irmãos Kung Fu evocando sempre a presença do Si Fu, e sabendo que preciso adaptar todo o linguajar, como Si Fu sempre faz. Não só porque lido com pessoas diferentes entre si, mas com pessoas que também são diferentes delas mesmas.