Compromisso

Foto Tradicional de Grão Mestre Leo Imamura e seu mentor, Patriarca Moy Yat.

Com frequência, reflito sobre a palavra compromisso e seu uso. Creio, que como todas as outras, ela expresse um sentido, trabalhando como um guia. De forma que o uso da palavra não realiza seu significado prático.

Por isso, além de refletir sobre as palavras, busco por exemplos para me inspirar.

Sabemos que foi graças a um pedido de patriarca Moy Yat a Grão Mestre Leo Imamura, que hoje temos uma ferramenta fantástica de estudo do Kung Fu.

Mais que isso, foi graças ao compromisso com seu Si Fu, que Si Gung desenvolveu no Brasil, e ao redor do mundo, um trabalho tão especial de transmissão.

Creio que toda esta dedicação, venha através do cultivo de anos de prática, de coisas simples a complexas, sempre com o compromisso de ouvir, e, sobretudo, executar o que foi combinado com seu Mestre.

Prática do Nível Superior Final com Mestre Sênior Júlio Camacho. Núcleo Barra, Downtown.

Ontem, nós retomamos as Aulas Master on line. E lá, tive uma experiência bastante construtiva com Si Fu.

Eu precisava executar determinado movimento da sequência. Tentei uma vez, não ficou bom.

Si Fu fez algumas orientações, pediu que um irmão Kung Fu executasse o mesmo movimento e fez algumas orientações a ele. É claro que eu observava.

Frisando que me daria mais uma chance, ele próprio reproduziu a sequência, e me pediu para demonstrar. Mais uma vez, não estava de acordo.

De maneira bastante incomum para o nível que estávamos estudando, Si Fu decidiu me dar mais uma chance.

Comecei de maneira insegura, na tentativa de corrigir, resolvi recomeçar, neste ponto, Si Fu encerrou a prática.

Fazendo um pedido que é comum ao fim de nossas práticas, Si Fu salientou que era crucial a sua execução naquele mesmo dia, já que, desta maneira, estaríamos nos trabalhando, por exemplo, contra a procrastinação.

Com Mestre Sênior Júlio Camacho, Núcleo Barra, CEO.

É claro que o corte que Si Fu fez na prática me incomodou. Ao mesmo tempo, me fez refletir sobre meu próprio compromisso com ele.

Creio que a principal tarefa de um discípulo, ou seu único compromisso, seja obedecer o Si Fu.

A obediência a que me refiro é literal não coloquial. Tal qual Grão Mestre Leo Imamura ou meu Si Fu que segue o exemplo de seu mestre.

O que aconteceu no momento da prática era que eu não estava ouvindo, não estava ali de forma integral. Por isso, não decorei toda a listagem apresentada.

Ou, de maneira mais simples, e talvez por isso tão especial, percebi que não obedeci. Por isso, deixei de desenvolver aquela parte da listagem que estudávamos.

Assim sendo, a menos que desenvolva minha habilidade, é claro que não me refiro a técnica, continuarei com esta pequena falha no meu Kung Fu. E, como uma espécie de cicatriz, cada vez que olhar para ela, vou lembrar do porque que ela está lá.

Trago neste texto apenas um episódio, mas, não posso deixar de considerar todas as vezes, desde que conheço o Si Fu que deixei de obedecer.

E, por causa disto, de maneira simbólica, quantas cicatrizes, ou “buracos” eu possa ter em meu Kung Fu.

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