Arte Marcial

Mestre Senior Julio Camacho executa a sequência do Muk Yan Jong

A maior dificuldade que tive quando iniciei o estudo do Ving Tsun foi como usar, da melhor maneira, o meu corpo.

Contudo, demorei para entender que era esta a questão, uma vez que, naquele tempo, a “culpa”, sempre era atribuída a minha suposta falta de foco, habilidade, dedicação ou espírito marcial.

Sem dúvida, todas as dificuldades eram componentes dos meus diversos insucessos, mas jamais foram a principal razão.

Neste sentido, tudo que eu identificava, se tornou apenas desculpa para o não fazer ou não fazer direito.

Claro, como se aprende a ter foco? Como se desenvolve o espírito marcial? Ou, como se adquire habilidade?

A resposta padrão, e, me parece, mais adequada, é, praticando.

E assim o fiz. Naquele tempo, de maneira retórica.

Entendo desta forma pois sei hoje e sabia na época, por mais que seja uma verdadeira e honesta resposta, não responde absolutamente nada.

Onde estava, então, o verdadeiro problema? Simples, o problema não estava na resposta, mas sim na pergunta. Melhor dizendo, na maneira de perguntar.

Ving Tsun Kuen Kuit. Nesta imagem, vemos a obra que trata os domínios do Sistema Ving Tsun.

O sistema Ving Tsun é dividido em seis domínios, cada um com sua própria natureza e de forma complementar. Assim sendo, não há nada antes, ou depois do que está grafado.

Portanto, ao menos na fase inicial, é crucial que seja mantido seu ordenamento.

Somente assim, o praticante terá a oportunidade de desenvolver seu Kung Fu de maneira completa.

Com a experiência, o aprendiz entende, por exemplo, onde os movimentos corporais de combate simbólico se separam ou se combinam.

Como exemplo, podemos usar o Siu Nim Tau, primeiro domínio do sistema, onde, nitidamente há o isolamento dos membros superiores com relação aos inferiores..

É claro que isto não significa que na prática do Siu Nim Tau não se usa pernas. Significa que o foco não está nas pernas. Elas estão ali, por assim dizer, embrionárias. Assim, chegamos a solução do problema que apresentei no início do texto. Uma das formas de se entender o uso do corpo, é entendê-lo por partes.

O primeiro passo é isolar as partes para que se possa apreciá-las em sua individualidade. E, aos poucos, inserir mais peças,como em um quebra cabeças.

Então, na época, minha maior dificuldade foi entender como trazer a luz partes separadas do corpo, de forma a melhor apreciá-las.

Hoje, vejo que a pergunta a ser feita no passado não era como ficar mais habilidoso, e sim, como melhor explorar o domínio do Siu Nim Tau, Cham Kiu, e assim em diante.

Mestre Senior Julio Camacho, demonstra na sequência do Muk Yan Jong a sincronia entre seus movimentos e um elemento externo, o próprio boneco.

Como dito, usar o corpo da melhor maneira possível, ou, em nosso linguajar, de forma estratégica, é crucial para o desenvolvimento de todas as habilidades e questões comuns aos iniciantes.

O desenvolvimento físico é tamanho que após a habilidade de separar, adicionamos a de juntar. De maneira que todo o corpo trabalha em uníssono, ainda que fazendo movimentos diferentes. Em prol de um objetivo, a linha central.

Mas, é preciso lembrar que não estudamos uma arte de melhorar habilidades, estudamos o Kung Fu e todas as atribuições que esta palavra, ou, estado expresso por palavra, traduz.

Assim sendo, a melhor maneira de se usar o Ving Tsun, que é uma ferramenta, é, usá-lo no desenvolvimento do Kung Fu.

Desta maneira, todas as técnicas serão entendidas não só como técnicas, mas expressões pessoais. Dando uma roupagem artística a prática, e, finalmente, se tornando uma arte marcial.

A melhor maneira de se obter este conhecimento é com seu Si Fu. Ele quem tem acesso a todas as ferramentas e conhecimento íntimo para orientação individualizada.

Então, sugiro a todos a se envolverem, como eu e tantos outros, no estudo especial que estamos fazendo.

Se inscrevam nos cursos que estamos oferecendo, esta, sem dúvida, será a melhor via de acesso ao conhecimento mais profundo, portanto, essencial de nossa arte.

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