
A maior dificuldade que tive quando iniciei o estudo do Ving Tsun foi como usar, da melhor maneira, o meu corpo.
Contudo, demorei para entender que era esta a questão, uma vez que, naquele tempo, a “culpa”, sempre era atribuída a minha suposta falta de foco, habilidade, dedicação ou espírito marcial.
Sem dúvida, todas as dificuldades eram componentes dos meus diversos insucessos, mas jamais foram a principal razão.
Neste sentido, tudo que eu identificava, se tornou apenas desculpa para o não fazer ou não fazer direito.
Claro, como se aprende a ter foco? Como se desenvolve o espírito marcial? Ou, como se adquire habilidade?
A resposta padrão, e, me parece, mais adequada, é, praticando.
E assim o fiz. Naquele tempo, de maneira retórica.
Entendo desta forma pois sei hoje e sabia na época, por mais que seja uma verdadeira e honesta resposta, não responde absolutamente nada.
Onde estava, então, o verdadeiro problema? Simples, o problema não estava na resposta, mas sim na pergunta. Melhor dizendo, na maneira de perguntar.

O sistema Ving Tsun é dividido em seis domínios, cada um com sua própria natureza e de forma complementar. Assim sendo, não há nada antes, ou depois do que está grafado.
Portanto, ao menos na fase inicial, é crucial que seja mantido seu ordenamento.
Somente assim, o praticante terá a oportunidade de desenvolver seu Kung Fu de maneira completa.
Com a experiência, o aprendiz entende, por exemplo, onde os movimentos corporais de combate simbólico se separam ou se combinam.
Como exemplo, podemos usar o Siu Nim Tau, primeiro domínio do sistema, onde, nitidamente há o isolamento dos membros superiores com relação aos inferiores..
É claro que isto não significa que na prática do Siu Nim Tau não se usa pernas. Significa que o foco não está nas pernas. Elas estão ali, por assim dizer, embrionárias. Assim, chegamos a solução do problema que apresentei no início do texto. Uma das formas de se entender o uso do corpo, é entendê-lo por partes.
O primeiro passo é isolar as partes para que se possa apreciá-las em sua individualidade. E, aos poucos, inserir mais peças,como em um quebra cabeças.
Então, na época, minha maior dificuldade foi entender como trazer a luz partes separadas do corpo, de forma a melhor apreciá-las.
Hoje, vejo que a pergunta a ser feita no passado não era como ficar mais habilidoso, e sim, como melhor explorar o domínio do Siu Nim Tau, Cham Kiu, e assim em diante.

Como dito, usar o corpo da melhor maneira possível, ou, em nosso linguajar, de forma estratégica, é crucial para o desenvolvimento de todas as habilidades e questões comuns aos iniciantes.
O desenvolvimento físico é tamanho que após a habilidade de separar, adicionamos a de juntar. De maneira que todo o corpo trabalha em uníssono, ainda que fazendo movimentos diferentes. Em prol de um objetivo, a linha central.
Mas, é preciso lembrar que não estudamos uma arte de melhorar habilidades, estudamos o Kung Fu e todas as atribuições que esta palavra, ou, estado expresso por palavra, traduz.
Assim sendo, a melhor maneira de se usar o Ving Tsun, que é uma ferramenta, é, usá-lo no desenvolvimento do Kung Fu.
Desta maneira, todas as técnicas serão entendidas não só como técnicas, mas expressões pessoais. Dando uma roupagem artística a prática, e, finalmente, se tornando uma arte marcial.
A melhor maneira de se obter este conhecimento é com seu Si Fu. Ele quem tem acesso a todas as ferramentas e conhecimento íntimo para orientação individualizada.
Então, sugiro a todos a se envolverem, como eu e tantos outros, no estudo especial que estamos fazendo.
Se inscrevam nos cursos que estamos oferecendo, esta, sem dúvida, será a melhor via de acesso ao conhecimento mais profundo, portanto, essencial de nossa arte.