Bruce Lee, um dos discípulos de Patriarca Ip Man

Em uma entrevista, Bruce Lee opinou sobre qual era a essência das artes marciais.

Segundo ele, é ser autêntico. Eu gosto de pensar que isto significa estar em contato o tempo todo consigo.

Seja em momentos onde nossos potenciais se sobressaem ou nossos defeitos. No Fundo, não importa.

Pois, de alguma maneira, ainda que adaptado a casa situação, ser o exatamente o que se é, é fundamental para se viver uma vida plena.

E o que nós somos?

Creio que, em certo aspecto, somos todos artistas. Reparem que uso a palavra artistas no sentido de expressão pessoal.

Portanto, todo ser humano, pode e deve se aperfeiçoar, seja técnica, pessoalmente, entre relações , outra vez, o como não importa.

Bruce Lee, por exemplo, seguiu o caminho do Kung Fu através do cinema, Patriarca Moy Yat, meu Si Gung, Grão Mestre Léo Imamura meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho e eu, seguimos o caminho da transmissão.

Por isso, neste sentido, não importa a relação entre estas pessoas. Todos são, em essência, e em aspecto ordinário, To Dai e Si Dai.

Assim sendo, em minha opinião, não é necessário vestir uma máscara ou roupa de Si Fu ou Si Hing, já que o respeito no caminho das artes marciais não se mede por títulos.

Prática do Programa Fundamental, Núcleo Barra.

Há algun tempo, busco transformar minha prática em um instrumento de autenticidade.

Em outras palavras, sempre que pratico ou conduzo alguma prática, todos os movimentos devem cumprir o papel a que vieram.

Tento não permitir que aconteçam brechas ou mais de uma interpretação. Sempre claro, justo e transparente.

Acontece que esta atitude, que hora traduziu a minha maneira de praticar ou conduzir uma prática tomou proporções grandiosas. Hoje, isto se reflete na minha maneira de agir ou lidar com as pessoas.

Para não perder a referência ou exagerar, busco sempre lembrar do que chamei de essência ordinária: antes qualquer coisa, sou Todai e Si Dai.

Estudos Especiais, “Muk Yan Jong”


Toda essa reflexão, descrita nas linhas acima teve início na prática que aconteceu há poucas horas, que possui de especial muito mais que seu nome.

Si Fu finalmente retomou sua rotina de contato prático conosco.

Isto é particularmente especial já que as semanas que passamos sem contato foi bem difícil para mim.

Por uma única razão, autenticidade. Ou, usando uma palavra que se adequa melhor ao contexto, fidelidade.

Acontece que com a ausência momentânea do Si Fu, lancei-me o desafio de seguir a risca tudo o que ele em algum momento sugeriu ou definiu através de reuniões com seus discípulos.

Não foi uma atitude fácil, para ser honesto, foi extremamente difícil, e talvez a razão de tamanha dificuldade seja simples.

Na prática de hoje com Si Fu, trabalhamos alguns movimentos que executo há anos, em outras palavras, meu corpo já está habituado a mecânica exigida.

Mas, apesar de toda mecânica bem trabalhada, tive dificuldade de executá-lo na frente do Si Fu e meus irmãos Kung Fu.

E, como disse acima, inclusive, a razão pode ser a mesma, o motivo talvez seja simples.

Tanto no que se refere ao que chamei de fidelidade ou execução técnica da sequência,o problema está no saber.

Eu sei como ser fiel ao Si Fu, afinal, estamos juntos há muitos anos.

Eu sei executar a sequência do boneco de madeira, afinal, prático há muitos anos.

Mas, entre o saber que sabe e o saber que executa, existe um abismo que, embora gigantesco, reside nos mínimos detalhes.

Agora, sigo meu caminho onde busco me tornar cada vez mais autêntico. Melhor minuciado e, por sorte, ao lado do Si Fu.

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