
Algo marcante em mim quando iniciei a pratica, era a minha timidez.
Falar com desconhecidos, ou sustentar o olhar em qualquer conversa era um desafio em tanto.
Além disso, eu tinha dificuldade em colocar minha voz. Ou falava embolado ou muito baixo.

Logo notei, que olhar nos olhos e empostar a voz tem relação direta com a guarda.
A guarda a que me refiro é, um recurso técnico que possa me auxiliar, como o Jong Sau, ou escrever o que vou falar.
Utilizado qualquer destas duas técnicas, construo uma linha de raciocínio que desenvolve ou desenrola minha voz.
Contudo, o grande barato da técnica é fazer uso dela quando preciso e ignorá-la quando não há mais uso, mas sim uma relação de dependência.
Por isso, o Kung Fu é tão relevante para a vida.
Pois, é no desenrolar da pratica que fazemos contato com a nossas dificuldades. Através do contato com estas dificuldades que nos tornamos seres humanos maduros, independentes.

Sobre o que chamei de maturidade, entendo que é um processo sem fim. Desta mesma maneira, os desafios passados nos preparam para os vindouros.
Não necessariamente por terem sido “superados”. Mas por estarmos em contato constante com eles.
Desta forma, mesmo que eu me sinta mais confortável em olhar nos olhos ou falar em público, sei que há o que refinar.
Isto me lembra bastante a dinâmica do Baat Jaam Do, já que seu uso exige conhecimento profundo dos domínios anteriores.
E, apesar desta exigência, o último domínio do sistema nos propõe que, mais que saber do que já foi vivido, é importante ” aplicar” este aprendizado em cenários diferentes.
Para mim, isto explica a deferência que tenho por Si Fu.
Pois é ele quem me ajuda a trilhar um caminho de maturidade e independência, por mais duro, imagino que para ambos, possa ser.