Condutor

Monges Praticando

Muitos movimentos nas artes marciais impressionam por sua plasticidade.

Esta é, inclusive, a razão de diversos praticantes procurarem por uma escola. Ter a habilidade de executar tal movimento daquela maneia é um sonho para muitos.

Esta afirmação faço sem medo de errar, já que, eu próprio, fui uma dessas pessoas.

Deixei de ser por uma razão simples, as frustrações.

Com Mestre Senior Julio Camacho. Premência de morte

Fui frustrado por duas vezes. A primeira vez, foi quando percebi que os gestos marciais poderiam ser simples, sem caretas e esforço.

O problema não era a simplicidade, isso sempre achei magnífico. Meu problema foi perceber o quanto que para mim, ser simples era um desafio.

Então, comecei a pensar que fazer movimentos simples ou complexos dependia de escolha e habilidade.

Esta, foi minha segunda frustração. Obviamente, não foram apenas duas as frustrações que vivi durante a minha jornada.

Mas, falo destas duas com uma espécie de carinho especial, já que, de todas, foram as que melhor consegui ressignificar.

A minha segunda “grande frustração”, diz respeito a vontade imprimida em instrumentos.

Grão Mestre Leo Imamura e o Ving Tsun Do

Já escrevi em meu blogue sobre os instrumentos utilizados no Sistema Ving Tsun. Inclusive, falei de seu uso, considerando a vontade do praticante.

Mas, a que, ou melhor, a quem me refiro quando falo do uso?

Em “mãos livres”, portanto, a trilogia fundamental, pude perceber que quando há uma brecha, o que se deve fazer é avançar.

Assim, o corpo é instrumento do cenário vivido. Não age, apenas reage. Talvez inconsciente.

Neste sentido, virar o adversário de ponta cabeça ou avançar o punho no sentido favorável não são cenários diferentes entre si. Isto quando não há vontade.

Os instrumentos, permita-me chamar de armas, são o próprio cenário.

Sua ponta ou fio sugerem uma ação. Então, o portador não é quem porta a arma, mas sim a ação, seja ela faca ou bastão.

Sim, em alto nível, não é o praticante quem conduz a arma.

Talvez seja isto que Patriarca Moy Yat tenha dito quando falou, em um cenário específico, algo como: “Eu sou a linha central.”

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