
Quando iniciei minha prática, na antiga Unidade Méier, localizada em um espaço especializado, além de Ving Tsun, em dança.
Eu era tutorizado por Si Suk Ursula e Si Hing Thiago Pereira.
Talvez por isso, apesar dos esforços de ambos em me aproximar do meu Si Fu eu me sentia desconfortável.
Já havia tido contato com Si Fu, mas não me sentia tranquilo ao estar perto dele. As conversas fluíam melhor com meus tutores.

De modo que, certa vez, estimulado por meu Si Hing Thiago Pereira, fiz contato com Si Fu para tratar de algum assunto ao qual não me recordo.
Era a primeira vez que eu ligava para ele, por isso, achei que deveria me apresentar:
“Si Fu, aqui é o Guilherme Farias, da Unidade Méier.
“Eu sei quem é você, Guilherme. Não precisa se apresentar”. Esta foi a resposta do Si Fu.
Fiquei pensativo, como Si Fu sabia quem eu era? será que só a voz é suficiente para reconhecer uma pessoa?
Certamente ele não tinha meu contato na época.

Desde o episódio com o Si Fu, eu tive a oportunidade de tutorizar diversas pessoas. Notei que, tudo que a pessoa era, podíamos notar em seu Siu Nim Tau.
Seja insegurança, dificuldade de entender limites ou qualquer outra caracteristica pessoal.
Por isso, me questionei se, através da minha voz, eu mostrava o que sou.
Minha conclusão, talvez seja obvio, foi que sim!
A partir daí, pude com a ajuda de meu Si Fu, e todos os tutores aos quais tive acesso, encontrar no Siu Nim Tau características particulares, que por reproduzir há tanto tempo, não percebia.
Fui tão profundo nesta busca que atualmente muito mais que perceber minhas características, busco refiná-las sempre que preciso.
Hoje, meu Siu Nim Tau é mais que uma busca de quem eu sou, mas uma demonstração clara de quem me tornei.
Aos poucos, pude notar que falar ao telefone ou reproduzir gestos marciais é um processo parecido.
Através desta experiência com Si Fu, notei que qualquer coisa pode ser feita com Kung Fu.