
O Sistema Ving Tsun possui diversos provérbios, eles são nomeados de provérbio marciais. São como guias, pois sugerem uma profunda reflexão.
Um deles diz: “Pessoas caminham pelo arco, eu caminho pela corda.”
Existem alguns entendimentos sobre esta frase, falarei dos que acho mais interessantes.

Lutar é preciso, viver não. Preciso, neste caso, trata de precisão, não de necessidade, como nos disse algumas vezes Si Fu, citando certa frase do pensador Fernando Pessoa.
Por isso, o soco do praticante de Ving Tsun é reto, seco e sem floreios. O punho fechado possui a tensão imprimida à corda quando esta se prepara para disparar a flecha, apoiada pela mão do arqueiro.
Após o máximo de tensão, há o disparo. Atingido o potencial máximo deste último, temos o relaxamento. Mão e corda se confundem, pois possuem um processo parecido.
Equilíbrio é outro ponto proposto.

É comum vivermos na experiência marcial o que chamamos de “premência de morte”. Isto significa que, em todo momento, há risco de morrer.
Contudo, todo o processo é simbólico, incluindo a própria morte. Portanto, cabe ao praticante, apoiado pelo tutor, sobretudo do Si Fu, extrapolar a experiência para além do óbvio.
Por isso, o chute e mais que uma técnica.
Aprendi com meu Si Fu que o equilíbrio é dinâmico. Portanto, o que nos ajuda a ficar de pé é a mínima percepção do desequilíbrio e seu consequente ajuste.
Em outras palavras, caminhar pela corda requer ajuste constante, característica primária de todo artista marcial.