
Existe um conto no Kung Fu, que diz que devemos esvaziar nossa xícara.
Mas, ao mesmo tempo, somos estimulados a manter a xícara cheia.
Claro, as duas propostas são apresentadas em cenários distintos. Ao mesmo tempo, acredito que elas estejam interligadas.

Servir chá é uma atitude de cuidado e treino para atenção. Saber ser invisível e objetivo é crucial para executar esta atividade.
Certa vez, vi um filme onde o Mestre dizia a seu discípulo, enquanto enchia sua xícara, que ele deveria esvaziá-la.
Inocentemente, o discípulo jogou o chá fora. Impaciente, O Si Fu se retirou para as montanhas, deixando o discípulo sozinho.
Há um simbolismo muito interessante nesta história, uma vez que foi Si Fu quem serviu o chá, não o contrário, como é o comum.

O chá representa conhecimento, por isso, na passagem acima, Si Fu serviu seu discípulo. Materializando a ideia de transmissão.
Por algum tempo, achei que a xícara vazia significava a disponibilidade do discípulo em receber o conhecimento. Mas, o que fazer depois que a xícara estivesse cheia?
Si Fu tentou me explicar, entendi da seguinte maneira:
Você deve beber. Somente degustando o chá, portanto, o conhecimento, você será capaz de outra vez esvaziar a xícara, xícara esta que tornará a beber. Assim se desenvolve o Kung Fu,
No exercício constante de ora encher, ora esvaziar. Em alguns momentos, encher e esvaziar ao mesmo tempo.