
É comum, no inicio do estudo das artes marciais o praticante ter um roteiro em sua mente.
Este roteiro, diz claramente onde ele deve chegar e em quanto tempo.
Por isso, é comum o praticante se frustrar. Em nosso caso, uma das razões é a expectativa do praticante em chegar ao fim, sem aproveitar o caminho.
Outra razão, é a perspectiva mal elaborada do que vem a ser arte marcial.

Lembro de certa vez, em que estava no Mo Gun com Si Fu e alguns outros praticantes. Si Fu falava da habilidade de relaxar na crise.
Em dado momento, Si Fu pegou uma faca antiga e sem ponta de cozinha e explicou que o que faz a faca penetrar é a resistência.
Para dar exemplo, Si Fu soltou a faca no chão, que era de madeira e ela ficou fincada ali.
Então ele disse:
“Por outro lado, se não houver resistência a faca não penetra”.
Pediu-me que deitasse no chão e levantasse a camisa. Enquanto eu estava deitado, Si Fu apontou a faca para minha barriga e soltou.
Imediatamente após me tocar a faca tombou. Sem me causar nenhum tipo de machucado.

Graças a este tipo de experiência com meu Si Fu, aprendi desde muito cedo que o “poder” da arte marcial reside nas coisas simples e cotidianas.
Falávamos daquela vez sobre relaxamento, mas o outro aprendizado que me vem a mente é confiança.
Creio que minha confiança no Si Fu me permitiu relaxar a ponto de não me machucar.
Confiar, seja no outro ou em si mesmo é crucial na pratica marcial.
De outra maneira, como seria possível se desenvolver através de dispositivos corporais de combate simbólico se estamos com medo?
Por isso, praticar sem perspectiva alguma, aproveitar o momento, e absorver o que for capaz e confiar é o que nos ajuda a desenvolver o que precisamos.
Assim, se inicia o desenvolvimento enquanto praticante.