Confiança

Relação Si To, relação de confiança

É comum, no inicio do estudo das artes marciais o praticante ter um roteiro em sua mente.

Este roteiro, diz claramente onde ele deve chegar e em quanto tempo.

Por isso, é comum o praticante se frustrar. Em nosso caso, uma das razões é a expectativa do praticante em chegar ao fim, sem aproveitar o caminho.

Outra razão, é a perspectiva mal elaborada do que vem a ser arte marcial.

Demonstração de praticantes de artes marciais.

Lembro de certa vez, em que estava no Mo Gun com Si Fu e alguns outros praticantes. Si Fu falava da habilidade de relaxar na crise.

Em dado momento, Si Fu pegou uma faca antiga e sem ponta de cozinha e explicou que o que faz a faca penetrar é a resistência.

Para dar exemplo, Si Fu soltou a faca no chão, que era de madeira e ela ficou fincada ali.

Então ele disse:

“Por outro lado, se não houver resistência a faca não penetra”.

Pediu-me que deitasse no chão e levantasse a camisa. Enquanto eu estava deitado, Si Fu apontou a faca para minha barriga e soltou.

Imediatamente após me tocar a faca tombou. Sem me causar nenhum tipo de machucado.

Demonstração com Mestre Senior Julio Camacho

Graças a este tipo de experiência com meu Si Fu, aprendi desde muito cedo que o “poder” da arte marcial reside nas coisas simples e cotidianas.

Falávamos daquela vez sobre relaxamento, mas o outro aprendizado que me vem a mente é confiança.

Creio que minha confiança no Si Fu me permitiu relaxar a ponto de não me machucar.

Confiar, seja no outro ou em si mesmo é crucial na pratica marcial.

De outra maneira, como seria possível se desenvolver através de dispositivos corporais de combate simbólico se estamos com medo?

Por isso, praticar sem perspectiva alguma, aproveitar o momento, e absorver o que for capaz e confiar é o que nos ajuda a desenvolver o que precisamos.

Assim, se inicia o desenvolvimento enquanto praticante.

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