Relação Discipular

Com Mestre Senior Julio Camacho, meu Baai Si, 2011.

A relação discipular, em minha opinião, diz respeito a entrega. A todo momento, Si Fu e Todai se entregam.

Seja tempo, dedicação, conhecimento, etc.

Entregar-se honestamente a experiência, ou o mais próximo disto que o momento pessoal permitir é a chave parta o desenvolver da relação discipular, portanto, do Kung Fu.

Com Mestre Senior Julio Camacho, observados por meu Si Hing William Franco, Angola

Em alguma postagem antiga, comentei como iniciei minha prática. Resumindo, iniciei aos 17 anos, na época, meu responsável financeiro era meu pai.

Critico ferrenho das artes marciais, tive muita dificuldade em iniciar meu processo.

Mas, o fato é que apesar de meu início conturbado, ou por causa dele, anos depois, fiz com a família Kung Fu minha primeira viagem internacional. Fomos à Angola.

Antes da viagem, já tinha autorização para iniciar o Baat Jaam Do, mas ainda não havia visto nada da sequência.

Comentei com Si Fu sobre meu desejo, ele dizia, “ok, vamos fazer.”

A viagem se aproximava, mas ele efetivamente não me dava acesso, certa vez ele brincou:

“Porque quer tanto aprender o Baat Jaam Do? por acaso pretende matar um leão?”

Certamente, não era essa minha intensão. Mas, de alguma forma, eu entendia àquela viagem como um sucesso para minha carreira, e, queria iniciá-la de forma “completa”.

Chegou a data do embarque, eu já havia desistido de aprender, havia a possibilidade de ter acesso lá em Angola, mas, achava não teria tempo.

Nesta viagem, ficamos em atividade em torno de 18h por dia, passamos cerca 5 dias lá. Certa noite, Si Fu resolveu fazer mais uma demonstração comigo.

A proposta era que eu ficasse em guarda, ele iria me golpear. Eu deveria me deslocar o mínimo necessário, apenas o suficiente para golpeá-lo.

Havia um detalhe, desta vez ele realmente golpeava.

Em dado momento, ele comentou:

“Gui, levanta a guarda, vai acabar quebrando o nariz.” Os que conhecem o sistema de saúde de Angola conseguem entender minha preocupação.

Passou-se o que para mim foi uma eternidade, mas não pelo desconforto, que foi real. Mas pelo o desdobrar desta experiência, que foi bem mais forte.

Com Mestre Senior Julio Camacho e meu Si Hing, Claudio Teixeira. Conhecendo Angola

Ir a Angola me reforçou um grande aprendizado; muito cedo, com Si Fu, aprendi a deixar de acreditar em jargões sociais.

Ter dinheiro ou não ter dinheiro não define o quanto você é capaz de fazer algo ou não, o que define é seu desejo, e sua atitude a partir dele.

A sequência do Baat Jaam Do não vai além de simples movimentos se você não incluir atitude marcial.

Sem saber nada da listagem, tive a oportunidade de viver o principal, levantar a guarda, sobretudo em momentos de desânimo ou morte, seja esta simbólica ou não.

O mais importante, esta viagem me fez lembrar a importância da entrega.

Desde os 17 anos, aprendo a confiar no Si Fu. Aos vinte e poucos, aprendi a continuar confiando e que poderia cruzar o oceano.

Hoje, aos 30, continuo confiando no Si Fu. Em todo esse tempo de convivência, percebi que existem pessoas com Kung Fu muito melhor que o meu, mas, de forma alguma, troco meu Kung Fu pelo de ninguém.

Aprendi com meu Si Fu, sem pretensão alguma, a confiar em mim.

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