Família Kung Fu

Monastério Shaolin, 2009. Ao centro temos a matriarca de nosso clã, senhora Helen Moy. Ladeada por monges que nos recepcionaram e diversos nomes de grande relevância para nossa linhagem. Dentre eles, Grão Mestre Leo Imamura e Mestre Senior Julio Camacho.

O monastério Shaolin, onde acreditamos que houve o inicio do Sistema Ving Tsun, tem como uma de suas principais características a heterogeneidade.

Em seu interior conviviam harmonicamente budistas, taoistas, ateus, homens, mulheres, entre outros.

Por isso, em nossas práticas podemos identificar indícios de cada corrente filosófica, propondo portanto uma interpretação abrangente do Kung Fu.

Com relação a característica familiar, nossa inspiração é o pensador e político chinês mais conhecido como Confucius.

Ilustração de Confucius, pensador chines

Uma das contribuições para a humanidade que este pensador deixou foi a ideia de família. Confucius acreditava que se cada pessoa tivesse uma função a exercer, a sociedade viveria em harmonia.

Então, ele criou uma estrutura familiar complexa, onde destacava qual o papel de cada individuo. Esta pessoa deveria executar rigorosamente sua função, e, apenas ela.

Na família Kung Fu, isto é seguido da maneira estratégica.

Por exemplo, Si, de Si Hing, irmão mais velho, e Si Dai, irmão mais novo, possui rigorosamente o mesmo significado: ensinar e aprender.

Por isso, o Si Hing não deve se posicionar como uma figura de autoridade.

Ele ou ela, lembrando que não estou usando os termos de maneira relacional, onde caberia o termo Si Je, acompanham o Si Fu e trilham o mesmo caminho que o Si Dai há mais tempo.

Por isso, tem condições de auxiliar os mais novos através de sua experiência, mais nada.

Por sua vez, o Si Dai não deve ter uma postura apenas receptiva, é importante se colocar de maneira ativa no seu próprio desenvolvimento.

Considerando sua experiência prévia, certamente ele ira contribuir com o seu desenvolvimento, e, no desenvolvimento do Kung Fu de seu Si Hing.

Existe uma outra relação, que é o eixo de toda a experiência marcial. Esta é chamada de Si To, Si Fu, To Dai.

Com Mestre Senior Julio Camacho, observados por meu irmão Kung Fu, Andre Guerra. Nucleo Ipanema

Kung Fu é pessoal, por isso, apesar de tantos alunos, Si Fu se dispõe a ter relação individual com todos.

Os discípulos tem apenas um Si Fu, o Si Fu, no trato, é Si Fu de apenas um discípulo.

Diferente da relação Si Hing – Dai, relação entre irmãos mais velhos e mais novos, a relação Si To, não propõe duplicidade de papéis.

Pelo contrário, se a relação for madura, o papel de cada um estará bem claro.

Aprendi com meu Si Fu que a clareza de papés é de suma importância para o bem estar da família Kung Fu, pois, em um ambiente em que há liberdade para se expressar, é comum termos acesso a diversos tipos de saberes.

Contudo, na família Kung Fu o saber mais importante é o do Si Fu, é dele que devemos nos valer em qualquer cenário.

Qualquer outro trata apenas de conhecimento ou curiosidade, a meu ver, sem representatividade no desenvolvimento pessoal do Kung Fu.

Em outras palavras, nada impede o acesso a outros conhecimentos, mas não saber o que seu Si Fu pensa sobre aqueles assuntos pode confundir e atrapalhar sua jornada.

Todo artista marcial deve entender que Si Fu muitas vezes oferece água quando queremos suco, e que a água nos mantem suficientemente hidratados.

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