Conexão

Caminhando Com Mestre Sênior Julio Camacho, exercício de conexão.

Certa vez, estava saindo do almoço com Si Fu quando decidimos caminhar antes de retornar aos nossos afazeres no Núcleo.

Eu estava com o passo preguiçoso, me arrastando. Si Fu a todo momento acelerava a velocidade e diminuía.

Eu me sentia desconfortável, não entendia porquê Si Fu caminhava daquela maneira.

Ao mesmo tempo que caminhávamos de um jeito, a meu ver, estranho, falávamos sobre assuntos do Núcleo; era difícil coordenar meu desconforto em caminhar, a conexão entre nossos passos e a manter foco no assunto.

Com muita dificuldade consegui aos poucos entrar no ritmo proposto por Si Fu.
Após alguns minutos de caminhada, rápida e lenta ao mesmo tempo, retornamos ao Núcleo.

Mestre Senior Julio Camacho e Patriarca Moy Yat. Os primeiros passos

Assim que chegamos, Si Fu me contou que, certa vez, estava em Nova York com meu Si Taai Gung, Patriarca Moy Yat.

Si Fu andava um pouco depressa, Si Taai Gung acelerou o passo passando por ele.


Si Fu achando que Si Taai Gung queria andar na frente, se deixou ficar bem atrás.
Patriarca Moy Yat direcionou a ele um olhar bravo, Si Fu acelerou o passo e, quando, mais uma vez, ia passar à frente do Si Taai Gung, foi impedido por um leve toque no ombro.

Este toque, acredito, era o sinal que Si Fu precisava. Si Taai Gung queria caminhar junto.

Siu Nin Tau. Exercícios e percepção do corpo

O Sistema Ving Tsun utiliza o corpo como ferramenta de refinamento. Já que tudo que o ser humano faz é uma atividade física, em outras palavras, Faz uso do corpo, qualquer cenário é um local para refinamento.

A história contada me ajudou nesta semana, quando retomei um hábito que gosto bastante, a corrida.

Baixei alguns aplicativos e me pus a estudá-los. Notei que todos recomendavam mais ou menos o mesmo tempo de corrida para quem era iniciante ou, estava retomando após algum tempo parado.

A proposta era intercalar a corrida, em ritmo forte e, caminhada também em ritmo também forte.

Comecei pela corrida, Estava me sentindo muito bem, o ritmo estava forte. Nos primeiros 5 minutos meu joelho começou a doer bastante.

Decidi, em vez de seguir o aplicativo, ou a minha vontade de correr mais, seguir meu corpo.

Aos poucos diminui o ritmo, em alguns momentos não sentia mais dor, voltava a correr mais forte e, quando passava do ponto o Joelho estava ali, para me lembrar.
Desse jeito segui orientação do aplicativo mas não pelo tempo, mas sim, pelo meu corpo.

Essa inconstância de velocidade me vez lembrar a caminhada com Si Fu, saber acelerar ou desacelerar sem perder a atenção é uma arte.

Lembro-me também da máxima “esporte é saúde”. Sem dúvida, isto é questionável. Basta observar a quantidade de lesões que os atletas sofrem, muitas vezes, irreversíveis.

Lembro do Si Fu uma vez comentar sobre limite; ele dizia:

“Limite, por definição, é intransponível. O que devemos fazer é trabalhar da melhor maneira possível dentro dele.”

Não é raro ouvirmos no esporte a proposta de que devemos superar nossos limites.

Certamente, se assim eu tivesse feito, não conseguiria mais correr durante um bom tempo.

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