Entrega

Despedida das Lideranças do Clã Moy Jo Lei Ou, Mestre Senior Julio Camacho e Senhora Marcia Moura Camacho

Nesta Quarta, dia vinte e nove de janeiro, tivemos um evento marco em nosso Clã, a despedida de nossos líderes. Eles partiram para os EUA, e, juntos, continuarão o projeto de internacionalização de nossa família.

Si Fu nos últimos dias antes de sua viagem falou muito sobre a riqueza cultural que todo este processo traria. Dois países, línguas diferentes, modo de pensar particular.

Além disso, vejo esta atitude como inspiração. Si Fu, com mais de 20 anos de carreira consolidada no Brasil inicia uma nova jornada. E, deixa o que construiu sob o cuidado de seus discípulos.

Lembro de certa vez, estava no carro do Si Fu e paramos em uma farmácia; ele precisava comprar um remédio.

O local era desconhecido pelos dois e bastante escuro, o pouco som que se ouvia era o ruído de motor dos carros, que passavam com raridade . Si Fu saiu do carro, pegou seu computador e disse que já voltava. Deixou o carro ligado e sua porta aberta.

Como não sabia se deveria acompanhá-lo decidi permanecer no carro. Gastei tempo demais decidindo o que fazer, por isso, perdi-o de vista. Pouco tempo depois, me aparece uma figura por trás, que entra no carro, fecha porta, deixa um embrulho em meu colo e da partida. Por sorte, era o Si Fu.

Ele me pergunta: ” O que você está fazendo aqui dentro? olhei para ele incrédulo, achando que já sabia a resposta, mesmo assim respondi. ” Te esperando”

” E se eu fosse um ladrão? ” Resisti bravamente ao impulso de dizer que, por instantes, eu achei que era.

” É muito importante, a todo momento, sua conduta ser marcial. Deixei a chave de propósito no carro para você trancá-lo após sair. Mas, você preferiu ficar preso dentro desta “caixa”, sem capacidade de reação alguma.

Levei meu computador justamente porque sabia que você não sairia do carro, assim, evitava uma perda”.

“Mas e o carro, perguntei, você não se preocupa em perdê-lo?”

“Claro que sim, mas, por muitos anos eu vivi sem ele. Não seria um problema tão grave. Com trabalho, serei capaz de recuperá-lo, também por isso levei o computador. O mais importante é o trabalho, não o bem gerado por ele.”

Ele não falou nada sobre minha segurança, também não perguntei, mas, pelo tempo que passou na loja entendo que se preocupou em fazer rápido o que tinha se proposto, evitando assim um assalto, por exemplo.

Pela maneira que retornou ao carro, suspeito que entendeu que eu o tinha perdido de vista, portanto, o tempo todo estava de olho em mim e onde eu estava.

Daquele dia em diante, percebi que Si Fu valoriza mais o trabalho do que as conquistas. No Fundo, acho que as conquistas, para ele, são consequências de um trabalho bem executado, portanto, possíveis.

Check In. Sempre Juntos

Esta história aconteceu há muitos anos, de certa forma, pude revivê-la. Mas, tenho hoje outro entendimento.

Parece-me que Si Fu busca sempre fazer uma entrega, como uma tradição. De alguma maneira, ele convida as pessoas a sua volta a construirem coisas com ele.

E, como será entregue, Não há necessidade de posse. Não devemos nos apegar, mas sim, construir para entregar. Assim, nos tornamos seres humanos mais produtivos.

Entendo esta viagem também como uma “passagem de bastão”, a partir de agora, a família Moy Jo Lei Ou sediada no Brasil está principalmente sob cuidado dos seus discípulos.

É claro que Si Fu está nos apoiando, mas, entendo que nossa missão é cuidar daqui para que Si Fu tenha condições plenas de iniciar nosso trabalho nos EUA.

Na ocasião da morte de Sitaai Gung Moy Yat, Si Fu comenta que um dos discípulos presentes falou da sabedoria de seu Si Fu, pois, ele não teria entregue todo seu saber ao discípulo mais antigo ou ao mais próximo.

Mas sim, deixou um pouco para cada. Por isso, o único jeito de ter acesso a toda a sabedoria dele era permanecerem juntos.

O direcionamento que Família Moy Jo Lei Ou deve ter, creio, é seguir este mesmo princípio.

Também por isso, a frase, sigamos juntos, me parece antiga, e ao mesmo tempo atual.

Nosso cenário é bem diferente, nosso Si Fu está, apenas, distante fisicamente. Mas, com a tecnologia que temos hoje, isto não será um problema. Digo isto, pois, Moy Jo Lei Ou é o nome de uma pessoa. Portanto, o melhor jeito de representar esta pessoa é, seguindo seus princípios.

Em outras palavras, seguindo juntos entre nós, discípulos, e, dele, nosso Si Fu.

Despedida de Meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho, e de minha Si Mo, Senhora Marcia Moura Camacho. 25/1/20

Na última Quarta Feira, no aeroporto, recebi mais um ensinamento do Si Fu.

Em momentos de despedida, é comum as pessoas chorarem. Nunca entendi bem porque isto acontece, mas é comum, inclusive comigo.

A questão é que, quando há lágrimas, o ambiente tende a ficar melancólico e a despedida passa a ter um tom pesado.

Em nossa despedida, o Tom foi muito leve, os abraços foram felizes e fortes, como um símbolo de aproximação, não de afastamento, como é comum em momentos de despedida.

Por isso, convido a todos os nossos membros a entenderem este afastamento físico como um símbolo de aproximação. Afinal, para este símbolo se concretizar depende apenas de nós.

Sigamos sempre, como propôs Si Taai Gung Moy Yat, Si Fu e Eu, juntos.

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