Hung Baau

Hung Baau. Envelope vermelho, entregue como símbolo de boa sorte

Meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho, fala da sorte como algo que foge de nosso controle.

Por isto, não podemos manipular. Por exemplo, o teto não cair agora sobre minha cabeça é um exemplo de boa sorte.

Claro, não podemos deixar tudo ao acaso. Certamente, houveram profissionais qualificados e dedicados na construção deste prédio.

Mas, bastava uma distração destes profissionais na hora de fazer o cálculo ou o manuseio errado de algum material crucial para sua sustentação que colocaria em xeque todo o trabalho.

Si Fu usa um outro exemplo que gosto bastante:

Para eu ter nascido eu tive boa sorte. Bastava minha mãe ter deixado de ir ao lugar em que, por acaso, conheceu meu pai que eu não estaria aqui.

Mais que isto, bastava minha avó materna não ter se interessado por meu avô ou meus avós paternos terem se desencontrado que eu não estaria aqui. Como estes, existem milhares de outros exemplos. Não há dúvida, eu, você, e todos nós tivemos muita sorte.

Existe também a má sorte. Por exemplo, posso atravessar a rua na faixa de pedestres, aguardando o sinal e por garantia olhar para os lados, e, ainda assim, ser atropelado.

A má ou a boa sorte não está necessariamente vinculada ao meu cuidado ou a falta dele. Neste exemplo, está relacionada ao sinal do outro lado da rua que estava ruim ou mesmo ao motorista que estava desatento. Portanto, não está submetido a uma ação direta minha.

Os chineses criaram um instrumento interessante para lidar com a aleatoriedade da sorte:

Imagine que você tem um conhecido que vai fazer uma prova que é importante para a carreira profissional dele. E, de alguma forma você gostaria estar presente naquele momento.

Neste caso, você entrega a sorte na mão dele, através do Hung Baau.

Hung Baau é um envelope vermelho com a escrita dourada. Dentro do envelope você deposita dinheiro. No meu entendimento, a importância de ser dinheiro é pelo seu uso.

Na suposição que fizemos, com o dinheiro, este amigo poderia, por exemplo, tomar um café antes da hora da prova. Ou, caso se atrasasse e precisasse pegar um Uber não precisaria se preocupar com o fato de não ter cadastrado o cartão de crédito no aplicativo.

Esta é uma forma de usar a sorte em benefício.

Celebração do Ano Novo Chinês e despedida dos Lideres do Clã Moy Jo Lei Ou. 25/1/2020

No Kung Fu nos apropriamos desta cultura. Em todo momento, entregamos e recebemos Hung Baau.

Acredito não ser por acaso que, na celebração do ano novo chinês, entreguemos Hung Baau. Pois, mais que desejar “feliz ano novo”, uma espécie de boa sorte para o ano vindouro, ao entregar o Hung Bau entregamos a boa sorte na mão da pessoa, e, desta maneira, ela faz com a sorte o que bem entender.

Por exemplo, se digo: “que seja feliz”. Qual o contexto para desejar esta felicidade? ou, para esta, pessoa o que é necessário é a felicidade ou alguma outra coisa?

Palavras de despedida direcionadas a meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho e a minha Si Mo, Sr(a) Marcia Moura Camacho

Digo isto, pois, por desatenção, cometi um erro na celebração de Sábado passado. E, Apesar de ter participado ativamente de todo o preparativo das cerimônias que tivemos, ou mesmo de ter feito um discurso honesto diante dos presentes para Si Fu e Si Mo, eu próprio não entreguei Hung Baau à eles.

Entendo que foi um erro, pois, como posso falar de Hung Baau a meus irmãos Kung Fu se eu próprio esqueço de usá-lo?

Todo o trabalho relativo ao preparativo da cerimônia ou ao discurso foi bem sucedido, mas creio ter feito só metade do processo.

Contudo, como na experiência marcial, não posso me abalar por isto, e, sim, estar atento ao próximo fluxo. Certamente terei outra oportunidade de desejar boa sorte a Si Fu e Si Mo, e, desta vez, estarei atento.

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