
Cada momento no Kung Fu é único. É possível que o cenário seja repetido, mas, caso esteja atento, notará que há detalhes sutis que podem fazer com que o mesmo cenário traga benefícios diferentes. De imediato, percebo duas maneiras de vivenciar esta experiência:
Pode ser, por exemplo, ouvindo a mesma história mais de uma vez. Já vi Si Fu evidenciando o momento da história de acordo com a mensagem que quer passar, considerando a capacidade de escuta ou interesse do ouvinte.

Outra maneira, é lembrando de algum acontecimento passado e tentando extrair algo de novo. Hoje, irei tratar sobre o segundo modelo.
Na última Terça tivemos o Colóquio, instrumento do Programa Fundamental do Clã Moy Jo Lei Ou.
Antes de iniciar, Si Fu explicou como se dá um processo de refinamento importantíssimo que acontece em nossas unidades. Trata- se do protocolo.
A proposta é que, a cada evento, listemos no mínimo três itens considerando os seguintes critérios: correção, refinamento e Implementação.
A correção diz respeito há algo que não está funcionando, portanto, deve ser, como o nome diz, corrigido.
O refinamento trata de algo que está acontecendo de maneira positiva. Por isso, devemos melhorar, fazendo com que algo que é bom seja potencializado e traga mais benefícios.
Implementar é criar mecanismos que facilitem o desenrolar da atividade proposta.

Como eu era um dos responsáveis pelo evento Si Fu me pediu que, junto com meus irmãos, organizasse uma lista com todas as propostas enviadas e estabelecesse como um protocolo
Como disse, este processo é comum em nossa escola. Mas, hoje me dei conta de que, ao separar e enviar as minhas proposições não havia nenhum item para refinamento, apenas correção e implementação.
Logo me veio a memória a vez que pintava a casa do Si Fu. Estava já há algumas horas tentando pintar a mesma parede. Estava difícil, o chão estava todo manchado, e, eu, pintado. A parede, que era o objetivo, não ficava apresentável.
Lembro que a ideia era pintar o apartamento inteiro; como estava há horas na mesma parede me sentia preocupadíssimo, por conta do tempo, mas, sobretudo, por conta da tinta.
Notei depois de algumas horas que já havia gasto de tinta o suficiente para pintar um ambiente inteiro. Percebi, então, que a tinta estava grossa demais. Imediatamente fui em busca de água, como não havia me preparado peguei um copo com a mão suja e com a outra, também suja, abri a torneira.
O resultado foi pintar um copo de vidro do Si Fu, a torneira e a pia de seu banheiro. Considerando que depois corrigiria parti para o balde e virei a água na tinta. Não calculei a quantidade, por isso, a tinta ficou aguada.
No fim, neste dia, não consegui terminar de pintar aquele ambiente. Já cansado e com sono resolvi lavar os materiais, só então percebi que a tinta que ficou no copo e na pia estava seca. No caso do copo tive que jogar fora, a pia tive que limpar.
Percebi, através do evocar desta memória que minha preocupação sempre foi corrigir, o processo de refinamento, raramente, é uma preocupação real minha.
Hoje pela manhã Si Fu me disse, como há anos faz: : “busque sempre se refinar, não faça por fazer ou porquê tem que fazer, faça para se melhorar”. Será que hoje, depois de uma década, entendi o que Si Fu quer me dizer?