Um Dia

Mestre Senior Julio Camacho

Ontem, tivemos o primeiro Colóquio de 2020. Como sempre, o evento transcorreu com leveza e bom humor. Pode ser dizer que foi um sucesso a despeito dos refinamentos necessários.

Sabemos que todo evento inicia mais cedo que o horário agendado. Para que transcorra de acordo com o que foi planejado é preciso que se faça testes e ajustes prévios, por isso, o pré evento. Se esta etapa for bem executada o transevento seguirá um fluxo natural de sucesso.

Contudo, o dia a dia do Mo Gun raramente trata de apenas um evento, em um dia há uma quantidade considerável de coisas a fazer. E, caso estas tarefas não sejam bem executadas, ao longo do dia elas se acumulam fazendo uma “bola de neve” que no final nos “devora”.

Mestre Senior Julio Camacho

No meu caso, a “bola de neve” estava se formando há alguns dias. Meu entendimento do Kung Fu é que a falha merece ser apontada, nunca no sentido de constranger, mas de educar. Como estamos falando de marcialidade o ato de deixar clara a falha precisa trazer um nível de desconforto similar ao momento do sistema em que se encontra o praticante.

Ao estudar o Baat Jaam Do, último domínio do sistema, percebemos que para cada atitude adequada existem no mínio oito que deixou de ser explorada. O golpe vai vir, não adianta tentar fugir disto, a questão é: o que você vai fazer em seguida?

Tenho a impressão de que cada vez que Si Fu me mostra onde está minha falha ele já a viu faz tempo, mas, mesmo assim, deixa os problemas se acumularem em uma espera estratégica de forma que quando “explode” a consequência de minha inépcia é muito maior e por vezes mais grave.

E, eu que lide com o prejuízo, pois, esta é a maneira que ele tem de me tratar como um Homen maduro, Fu, em Chinês.

É claro que todo o prejuízo que tenho o próprio Si Fu vive na carne, cada vez que faço alguma besteira e Si fu não desiste de mim vejo um novo significado para Fu, pai em Chinês.

O duro e natural desta história é que, até o momento, só vivo uma parte de ser pai, que é a parte filho. Suspeito que enquanto eu próprio não tiver meus To Dai dificilmente terei dimensão do que Si Fu faz por mim, até lá, sigo tentando.

Colóquio com Mestre Senior Julio Camacho

A reflexão descrita acima aconteceu pelo seguinte motivo:

Como disse, pela manhã tivemos um problema, que contarei em outro momento. Si Fu ficou bem chateado e falou duro comigo e com André. Ao fim do Colóquio, horas depois do acontecido, nas palavras finais dos participantes do evento, Si Fu, como é comum, pediu aos presentes que compartilhassem a experiência. Fui um dos últimos a falar, e o que disse basicamente foi:

“Estou muito cansado, e, por isso, foi difícil aproveitar o evento como um todo” de certa forma reclamei que o dia não terminaria quando acabasse o Colóquio. Ainda haviam algumas coisas por fazer. Si Fu Respondeu:

“Também estou cansado. Mas, te garanto, estou com mais energia agora do que estava a tarde. O dia não pára porquê você dorme, você pode descansar se quiser, mas o dia continua independente de você”

O que ouvi destas palavras foi algo como:

Para de reclamar e se prepara que ainda tem mais. Quem escolhe se é agora ou depois é você.

Sé é como Homem Maduro que Si Fu me trata, é como homem maduro que vou me portar.

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