
Ontem, tivemos o primeiro Colóquio de 2020. Como sempre, o evento transcorreu com leveza e bom humor. Pode ser dizer que foi um sucesso a despeito dos refinamentos necessários.
Sabemos que todo evento inicia mais cedo que o horário agendado. Para que transcorra de acordo com o que foi planejado é preciso que se faça testes e ajustes prévios, por isso, o pré evento. Se esta etapa for bem executada o transevento seguirá um fluxo natural de sucesso.
Contudo, o dia a dia do Mo Gun raramente trata de apenas um evento, em um dia há uma quantidade considerável de coisas a fazer. E, caso estas tarefas não sejam bem executadas, ao longo do dia elas se acumulam fazendo uma “bola de neve” que no final nos “devora”.

No meu caso, a “bola de neve” estava se formando há alguns dias. Meu entendimento do Kung Fu é que a falha merece ser apontada, nunca no sentido de constranger, mas de educar. Como estamos falando de marcialidade o ato de deixar clara a falha precisa trazer um nível de desconforto similar ao momento do sistema em que se encontra o praticante.
Ao estudar o Baat Jaam Do, último domínio do sistema, percebemos que para cada atitude adequada existem no mínio oito que deixou de ser explorada. O golpe vai vir, não adianta tentar fugir disto, a questão é: o que você vai fazer em seguida?
Tenho a impressão de que cada vez que Si Fu me mostra onde está minha falha ele já a viu faz tempo, mas, mesmo assim, deixa os problemas se acumularem em uma espera estratégica de forma que quando “explode” a consequência de minha inépcia é muito maior e por vezes mais grave.
E, eu que lide com o prejuízo, pois, esta é a maneira que ele tem de me tratar como um Homen maduro, Fu, em Chinês.
É claro que todo o prejuízo que tenho o próprio Si Fu vive na carne, cada vez que faço alguma besteira e Si fu não desiste de mim vejo um novo significado para Fu, pai em Chinês.
O duro e natural desta história é que, até o momento, só vivo uma parte de ser pai, que é a parte filho. Suspeito que enquanto eu próprio não tiver meus To Dai dificilmente terei dimensão do que Si Fu faz por mim, até lá, sigo tentando.

A reflexão descrita acima aconteceu pelo seguinte motivo:
Como disse, pela manhã tivemos um problema, que contarei em outro momento. Si Fu ficou bem chateado e falou duro comigo e com André. Ao fim do Colóquio, horas depois do acontecido, nas palavras finais dos participantes do evento, Si Fu, como é comum, pediu aos presentes que compartilhassem a experiência. Fui um dos últimos a falar, e o que disse basicamente foi:
“Estou muito cansado, e, por isso, foi difícil aproveitar o evento como um todo” de certa forma reclamei que o dia não terminaria quando acabasse o Colóquio. Ainda haviam algumas coisas por fazer. Si Fu Respondeu:
“Também estou cansado. Mas, te garanto, estou com mais energia agora do que estava a tarde. O dia não pára porquê você dorme, você pode descansar se quiser, mas o dia continua independente de você”
O que ouvi destas palavras foi algo como:
Para de reclamar e se prepara que ainda tem mais. Quem escolhe se é agora ou depois é você.
Sé é como Homem Maduro que Si Fu me trata, é como homem maduro que vou me portar.